Economia
Apex Brasil vai auxiliar setor de pesca a aumentar exportações; Programa é gratuito e direcionado a produtores e empresas
PEIEX para agro pescados deve ser lançado em julho pela Apex
Daumildo Júnior | daumildo.junior@estadao.com
21/02/2024 - 08:30

A Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) deve lançar em julho a versão do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) voltada para o setor de pescados. A gestora de projetos do Agronegócio da Apex Brasil, Deborah Rossoni, disse ao Agro Estadão que a intenção é ampliar as vendas para o mercado internacional .
“É um projeto que a Apex realiza em parceria com diversas entidades para trazer mais informação às empresas e aos produtores. O foco do PEIEX são empresas não exportadoras”, afirmou a gestora.
O programa já existe na agência desde 2008 e alguns segmentos agropecuários tem uma versão própria, como mel, frutas frescas, proteína animal (aves, bovinos e suínos), cachaça e algodão.
Na prática, o produtor ou empresa que pretenda comercializar o pescado internacionalmente terá o acompanhamento de um agente vinculado a um dos parceiros da Apex no estado do produtor ou empresa. Além desse acompanhamento interno, o interessado terá capacitação para entender os trâmites de exportação dos pescados, como exigências sanitárias e certificações específicas para esse setor. Também poderá participar de feiras internacionais e rodadas de negociação a convite da Apex Brasil.
Na visão de Rossoni, o Brasil tem um potencial grande, pois conta com uma área propícia para o aumento da produção.
“Considerando que o Brasil tem 8 mil km² de costa marítima, mais 12% da água doce do mundo, ou seja, o Brasil tem um enorme potencial de aumentar a sua produção de pescados internamente. Aumentando a produção naturalmente a gente tem mais condições de exportar e de aumentar o nosso market share [porção do mercado] global”.
Deborah Rossoni, gestora de projetos do Agronegócio da Apex Brasil
Hoje, o Brasil comercializa apenas 0,23% de pescados para o mercado internacional, o que representa U$ 350 milhões frente aos U$ 147 bilhões mundiais.
Entre os tipos de pescados mapeados pela Apex para o mercado internacional e que devem ganhar força nas exportações, Deborah destaca:
- Tambaqui;
- Pirarucu;
- Tilápia;
- Paraná;
- Lagosta;
- Camarão.
Além dessas espécies conhecidas, ela ressaltou que os mercados estão abertos a outros peixes nativos do país e que poderão atender a um “mercado de produtos originários do Brasil e com pratos diferenciados com sabores diferenciados”.
O programa não tem custo e os produtores e empresas interessados em exportar devem acessar o site da Apex.
Apex e Abipesca selam parceria que pode gerar U$ 78 milhões em exportações de peixes
A agência e Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados) também firmaram um convênio nesta terça-feira, 20, para fomentar a exportação de peixes e frutos do mar. O projeto Brazilian SeaFood pretende auxiliar 32 empresas ou produtores a exportar cerca de U$ 78 milhões até o final de 2025.
Entre as ações, a capacitação desses empreendedores, com palestras e treinamentos. A parceria também irá levá-los para cinco feiras internacionais: duas edições da Seafood North America em Boston, Estados Unidos, dois eventos em Barcelona, na Espanha, e na edição da China Fisheries and Seafood Expo.
Deborah Rossoni ressaltou a importância dessa ação. “É a primeira vez que a Apex e o setor privado estão desenvolvendo um projeto estruturado, com uma estratégia definida para dois anos de atendimento ao setor”, lembrou.
Também nesta terça-feira, 20, o Ministério da Agricultura anunciou a abertura de mais um mercado de pescado para o Brasil. Trata-se da Austrália, que em 2023 importou U$ 293 milhões de dólares em produtos agropecuários.
Governo suspende importações de tilápia
No último dia 14, o Ministério da Agricultura e Pecuária editou um decreto suspendendo as importações de tilápia do Vietnã. Segundo a pasta, a decisão foi motivada pela revisão do protocolo sanitário. O ministério alega que é necessário uma reavaliação dos riscos de entrada do vírus TiLV.
No entanto, desde o fim do ano passado, diferentes associações representativas, como a Abipesca e a FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), vinham pedindo a suspensão devido a questões comerciais. A reclamação é em relação aos preços praticados pelos vendedores asiáticos, que estão muito abaixo do mercado brasileiro, o que inviabiliza a produção da tilápia aqui.
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