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Economia

Cargill investiu R$ 2,5 bilhões no Brasil em 2023: “um lugar pra gente estar”

Presidente da Cargill no Brasil diz que investimentos e esmagamento de grãos foram recorde em 2023; ele avalia os desafios do agronegócio

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Fernanda Farias | fernanda.farias@estadao.com

29/04/2024 - 06:02

Paulo Sousa, presidente da Cargill no Brasil. Foto: Cargill/Divulgação
Paulo Sousa, presidente da Cargill no Brasil. Foto: Cargill/Divulgação

Uma das maiores indústrias de alimentos do Brasil, a Cargill dobrou o investimento feito no país em 2023 – foram R$ 2,5 bilhões, volume 116% maior do que o registrado em 2022. Os recursos foram aplicados, especialmente, em aquisições que foram concluídas no ano passado para aumentar a capacidade de produção de farelo, óleo e biocombustíveis. A multinacional comprou três plantas de esmagamento de soja e produção de biodiesel em Anápolis (GO), Porto Nacional (TO) e Cachoeira do Sul (RS), além de três armazéns em Tocantins e um em Goiás.

“O objetivo é continuar crescendo com a agricultura brasileira. Na nossa visão, mesmo com redução da conversão de novas áreas para agricultura, mesmo alinhado a demandas internacionais de sustentabilidade, o Brasil vai continuar sendo o principal ponto de crescimento da agricultura global. Lugar para a gente estar”, avalia o presidente da Cargill no Brasil, Paulo Sousa.

CONTEÚDO PATROCINADO

Em entrevista ao Agro Estadão, Sousa conta que a receita operacional líquida da empresa alcançou o total R$ 126,4 bilhões em 2023. Já o lucro foi recorde e dobrou de R$ 1,2 bilhão em 2022 para R$ 2,5 bilhões em 2023. Esses resultados foram obtidos devido a outro número inédito: o volume total de grãos processado e comercializado pela Cargill somou 51 milhões de toneladas. Já para 2024, ele prevê que a margem de esmagamento de grãos seja a metade disso.

“A América do Sul como um todo vai produzir 20 a 30 milhões de toneladas a mais de soja e o Brasil vai ter boa safra, mas não recorde. Diferente de 2023, quando tivemos uma safra recorde enquanto a Argentina tinha dificuldades e o produtor segurava a soja como se fosse a poupança dele. Foi uma tempestade ruim para eles e perfeita para nós. E ainda tínhamos os preços internacionais altos”, explica Sousa.

“O Brasil vai continuar sendo o principal ponto de crescimento da agricultura global. Lugar para a gente estar”.

Paulo Sousa, presidente da Cargill no Brasil

Paulo Sousa diz que os investimentos no Brasil continuam neste ano, mas não adianta quais serão os valores. Apenas na nova unidade de transbordo no Rio Madeira (RO), que terá capacidade para 6 milhões de toneladas de grãos por ano, estão sendo investidos R$ 106 milhões. “Temos mais uma aquisição importante em andamento que pode avançar neste ano”, conta Sousa, sem adiantar valores para não atrapalhar as negociações.

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Recuperação judicial e  sustentabilidade estão entre os desafios para o agro

Para o presidente da Cargill no Brasil, a sustentabilidade e uso do solo continuam sendo grandes desafios para o agronegócio no país. Segundo ele, criou-se uma visão de falta de controle em relação à conversão de bioma, o que não é verdade. 

“Temos o código florestal que permite a conversão, então o desmatamento ilegal tem que ser zero mesmo. O governo passou para 2030 essa meta e isso é uma mensagem muito ruim. O desmatamento ilegal zero tinha que ser em 2012, quando o código foi criado”, avalia. 

Onda de recuperação judicial faz juros aumentarem para todos

Na opinião de Sousa, o momento é sensível para todos, com os problemas enfrentados pelos produtores rurais em relação à dívidas e quebra de safra. E a crescente procura pelas RJs – recuperações judiciais – coloca em risco a segurança do negócio de cada produtor. 

“O uso quase fraudulento dessas ferramentas judiciais é um problema grave. Afeta o investidor, traz insegurança e acaba refletindo em juros mais altos para todo mundo”, analisa o presidente.

Relação do agro com o governo federal

Paulo Sousa começou a carreira na Cargill como trainee na década de 1990. Com base nos mais de 30 anos de experiência no ramo, ele avalia que o atual governo federal quer se aproximar do setor produtivo e que tem investido no agronegócio. 

“Vejo que tem muito barulho, mas vejo um governo que quer se aproximar do agro e o agro mais inteligente não está se apegando à polarização. Tem paixões, tem muita fumaça, mas no fundo todo mundo sabe que todos estão querendo o mesmo que é o crescimento do país”, finaliza. 

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