Economia
Agroindústria tem o pior junho desde 2019, aponta FGV
Produção teve recuo de 0,7% entre janeiro e junho de 2025; analistas alertam para efeitos do tarifaço nos próximos meses

Redação Agro Estadão
29/08/2025 - 16:45

A produção da agroindústria recuou 5,3% em junho, na comparação com junho de 2024, pior resultado para junho desde 2019 e o mais fraco em 44 meses. Com isso, o semestre fechou com queda de 0,7%, segundo o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro) é um índice calculado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro), com base dados do IBGE.
O setor começou o ano em alta, com crescimento de 2,1% no primeiro trimestre, mas perdeu fôlego e acumulou queda de 3,1% no segundo trimestre. A retração foi puxada por alimentos e bebidas, que recuaram 1% no semestre, e por produtos não alimentícios, com baixa de 0,4% no mesmo período.

“Essa perda de dinamismo vem de encontro com a desaceleração da economia, derivada, sobretudo, de uma política monetária mais restritiva – taxa de juros elevada e maior restrição do crédito”, diz o relatório.
O FGV Agro destacou que os resultados negativos do primeiro semestre não foram causados nem pelo tarifaço anunciado por Donald Trump em julho, nem pela gripe aviária, já que a produção de carnes cresceu em maio e junho.

Alimentos e bebidas em retração
O grupo de alimentos e bebidas caiu 3,5% em junho. A queda foi quase generalizada, com exceção de alimentos de origem animal, que cresceram 2,6%, impulsionados por carnes, laticínios e pescados.
Em contraste, alimentos de origem vegetal recuaram 10,8% em junho/2025 frente ao mesmo mês de 2024. A retração foi puxada pela redução da produção de conservas e sucos, refino de açúcar, café, trigo e arroz.
Dentro da produção de alimentos de origem vegetal, a produção de óleos e gorduras foi a única que registrou expansão no mês.
Biocombustíveis também puxaram queda
Entre os produtos não alimentícios, a retração foi de 7,5% em junho. O principal responsável foi o setor de biocombustíveis, que despencou 45,1%, no pior desempenho da série histórica. A redução resultou de menor processamento de cana, qualidade inferior da matéria-prima e demanda enfraquecida por etanol hidratado. Já produtos florestais tiveram baixa de 1,6%, enquanto insumos agropecuários avançaram 16,2%, no melhor junho desde 2008.
Perspectivas
O setor entra no segundo semestre em terreno negativo, pressionado pela desaceleração econômica e pelos reflexos do “tarifaço” imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos agroindustriais brasileiros. Os analistas avaliam que a recuperação dependerá da retomada da demanda externa e da estabilidade do crédito doméstico.

Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Tarifa: enquanto Brasil espera, café do Vietnã e Indonésia pode ser isento
2
COP 30, em Belém, proíbe açaí e prevê pouca carne vermelha
3
A céu aberto: produtores de MT não têm onde guardar o milho
4
Fazendas e usinas de álcool estavam sob controle do crime organizado
5
Exportações de café caem em julho, mas receita é recorde apesar de tarifaço dos EUA
6
Rios brasileiros podem ser ‘Mississipis’ do agro, dizem especialistas

PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas

Economia
Exportadores de café temem mais obstáculos com aplicação da Lei de Reciprocidade
Missão parte na próxima semana para os EUA para negociar a inclusão do café na lista de exceções da tarifa norte-americana

Economia
Brasil e China firmam acordo para exportação de sorgo
Atualmente, a China importa 7 milhões de toneladas do cereal por ano, sobretudo dos Estados Unidos.

Economia
Raízen vende duas usinas em MS por R$ 1,54 bilhões
Negócio ocorre após a companhia registrar prejuízo no primeiro trimestre da safra 2025/26; conclusão da transação depende do Cade

Economia
Governo autoriza inclusão de 3 hidrovias em programa de desestatização
Rotas de escoamento agrícola, a proposta é que as hidrovias do rio Madeira, Tocantins e Tapajós passem ser geridas pela iniciativa privada
Economia
Safra 2025/26 do Paraná projeta alta em soja e milho
Estimativas do Deral indicam colheita de 22 milhões de toneladas de soja e 3,2 milhões de milho; Feijão perde espaço no campo paraense
Economia
CMN regulamenta prestação de informações do Proagro
Agentes financeiros deverão seguir formulário e prazo definidos pelo Banco Central em disputas judiciais
Economia
RS: colheita de trigo tem ritmo lento
Segundo Emater/RS, lantio do milho foi afetado por volumes altos de chuva
Economia
Camex mantém tarifa de 10,8% sobre borracha natural importada de fora do Mercosul
Revisada a cada dois anos, a alíquota visa proteger o setor que enfrentou preços baixos com a entrada do produto importado