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Economia

Acordo Mercosul-UE enfrenta nova resistência na França

Federação agrícola convoca produtores rurais para mobilização nacional contra aprovação do acordo, além do tarifaço e guerra na Ucrânia

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Redação Agro Estadão

15/09/2025 - 11:55

Foto: Adobe Stock
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O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) deve enfrentar uma nova onda de resistência por parte dos agricultores europeus. Na França, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores Agrícolas (FNSEA) convocou para 26 de setembro uma mobilização nacional contra a aprovação do tratado. O grupo também pretende protestar contra a política tarifária dos Estados Unidos e os impactos da guerra na Ucrânia.

Em entrevista a uma rádio francesa, Arnaud Rousseau, presidente da FNSEA, afirmou que o setor agrícola vive um momento de forte pressão. “Os agricultores estão trabalhando na reta final das vendas e da colheita, mas o cenário internacional nos obriga a nos mobilizar. Seja pelas tarifas impostas por Donald Trump, seja pela volta do acordo com o Mercosul na pauta europeia”, declarou. Segundo ele, a categoria espera respostas diretas do presidente Emmanuel Macron, já que negociações internacionais são prerrogativas do chefe de Estado.

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Rousseau também ressaltou que a França atravessa um período de instabilidade política, o que pode enfraquecer sua posição em Bruxelas. “No momento em que a negociação do pacto está em andamento, a Europa parece frágil diante dos Estados Unidos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, quer assinar rapidamente o acordo do Mercosul. É justamente por isso que precisamos nos mobilizar”, afirmou.

Conclusão do acordo UE e Mercosul

A resistência contra o acordo cresce após a Comissão Europeia apresentar ao Conselho Europeu, no início de agosto, a proposta para a assinatura e conclusão do acordo. Na ocasião, o órgão executivo da UE defendeu a proximidade com parceiros comerciais estratégicos, em meio à crescente instabilidade geopolítica. 

Contudo, pensando nos agricultores de seus países membros, o texto final enviado aos Parlamentos de cada Nação, apresentou medidas de salvaguardas contra as importações excessivas. Na mira das restrições estão carne bovina, frango e açúcar. Entretanto, o maior sindicato agrícola da França, acusou Bruxelas e Paris de sacrificar os agricultores franceses para favorecer grandes exportadores industriais, como os setores de máquinas, aviões e automóveis. 

Já a FNSEA foi enfática que ao validar o tratado como está, apesar da promessa de medidas de salvaguarda, a Comissão Europeia está claramente virando as costas à agricultura francesa. “O acordo continua tóxico, incompreensível e perigoso para os agricultores franceses. Onde está a coerência de impor aos produtores locais alguns dos padrões mais rigorosos do mundo e, ao mesmo tempo, abrir nossos mercados a importados que não os cumprem?”, questionou a entidade.

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