Cotações
Soja: firmeza dos preços depende da China e do clima, aponta consultoria
Markestrat Group avalia que demanda externa segue ativa, mas suspensão de cargas por parte da China está gerando incerteza e volatilidade
Redação Agro Estadão
01/12/2025 - 10:55

A sustentação dos preços da soja no mercado interno segue atrelada a dois fatores: a demanda chinesa e as condições climáticas das lavouras brasileiras.
De acordo com relatório divulgado pela Markestrat Group, o cenário é de firmeza, mas com volatilidade crescente após a decisão recente de Pequim de suspender algumas unidades exportadoras do Brasil. Segundo os especialistas, esse movimento “adiciona incerteza e exige cautela na comercialização.”
A consultoria avalia que a demanda externa segue ativa, o que tem contribuído para manter o suporte ao mercado. Entretanto, a reação da China continuará sendo determinante nas próximas semanas. De acordo com o relatório, “o produtor encontra preços mais firmes, mas ainda dependentes da resposta chinesa e da evolução do clima.”
Além do comportamento internacional, o surgimento dos primeiros casos de ferrugem asiática no ciclo reforça a necessidade de manejo rigoroso. A Markestrat alerta que o acompanhamento criterioso desde o início da temporada é essencial para mitigar riscos produtivos e evitar impactos no potencial de rendimento.
Milho mantém recuperação
No milho, a Markestrat observa um viés de recuperação sustentado pela retração dos vendedores e pelo avanço do plantio, especialmente no Sudeste. Na região, os trabalhos seguem em ritmo mais tranquilo que o registrado no ciclo passado.
O ambiente externo também contribui positivamente. As exportações de etanol dos Estados Unidos seguem em alta, ampliando a demanda por milho para a produção do biocombustível. Segundo os especialistas, esse movimento fortalece as cotações internacionais e melhora o humor dos compradores domésticos.
A consultoria ressalta que o mercado apresenta sustentação consistente no curto prazo, mas ainda depende do comportamento do clima e da continuidade da estratégia de retenção dos produtores. “A cautela segue essencial para capturar ganhos de curto prazo sem perder flexibilidade para ajustes futuros”, aponta o documento.
Trigo segue pressionado
O cenário para o trigo não mudou. As cotações do cereal seguem pressionadas, reflexo da colheita praticamente concluída no Brasil e do aumento das estimativas de produção na Argentina e na União Europeia. “Esse conjunto amplia a percepção de oferta global confortável e limita qualquer reação de preços no curto prazo”, dizem os especialistas.
Para o produtor brasileiro, o cenário permanece desafiador. Segundo a Markestrat, as margens seguem apertadas e a atratividade de venda é baixa, o que exige atenção à qualidade final da safra e avaliação criteriosa de oportunidades pontuais de comercialização diante da ausência de vetores positivos.
Algodão mostra leve recuperação, mas margens ainda preocupam
No algodão, a Markestrat identificou uma leve recuperação na última semana, interpretada como tentativa de estabilização após semanas de ajustes. Apesar disso, o setor ainda opera em condições de margem apertada e alta seletividade dos compradores.
O foco do produtor se volta agora para a comercialização e o planejamento do próximo ciclo. De acordo com o relatório, a competitividade externa segue sendo o principal pilar de suporte, enquanto as exportações e o comportamento dos contratos futuros continuam direcionando o humor do mercado. “A recomendação permanece voltada para estratégias graduais de venda, que permitam capturar ganhos sem elevar riscos”, traz o relatório.
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