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Commodities no radar: o que esperar do mercado agrícola no curto prazo?

Markestrat aponta cenário desafiador ao produtor brasileiro e risco de desabastecimento do mercado norte-americano com guerra comercial

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

05/05/2025 - 14:55

Foto: Adobe Stock
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O mercado agrícola seguirá de olho em um possível avanço das negociações entre Estados Unidos e China. A possibilidade de um acordo comercial entre as duas potências pode influenciar as cotações das principais commodities nesta semana. 

Além disso, observa–se a pressão logística. Conforme levantamento da Markestrat, as reservas de contêineres padrão de 20 pés da China para os EUA caíram 45% em abril deste ano, quando comparadas com abril de 2024. Essa queda, segundo os especialistas, é ilustrada na redução das atividades em portos tradicionais norte-americanos, como em Los Angeles, na Califórnia.

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“Dada a relevância comercial mútua entre China e EUA, na qual 15% das exportações chinesas têm como destino os americanos, essa queda no fluxo comercial assusta, pois indica que muitas empresas sediadas nos EUA já devem estar utilizando os estoques de segurança no giro interno de produção ou mesmo vendas de muitas mercadorias”, alerta a consultoria em relatório. 

Como consequência, os especialistas apontam um risco de desabastecimento no mercado norte-americano, caso haja permanência desse cenário. “Por essa razão, é provável que venhamos a ter alguma negociação ou mesmo sinalização de paz advinda por parte do presidente americano Donald Trump”, diz a Markestrat. 

A consultoria projeta ainda o comportamento do mercado agrícola no curto prazo:

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Soja – No mercado à vista, embora haja uma leve valorização no comparativo mensal, o produtor já percebe sinais de enfraquecimento nos preços — em abril, o indicador Cepea, base Paranaguá, registrou leve recuo de 0,04%. No mercado futuro, o viés também é de baixa. Segundo os especialistas, o movimento é impulsionado pelo elevado volume de oferta e pela atual trégua na guerra comercial. 

“Diante desse cenário, o produtor precisa redobrar a atenção com os gargalos logísticos e as limitações na armazenagem, especialmente em um contexto de alta nos custos de fertilizantes, fator que tende a pressionar ainda mais a rentabilidade na safra 2025/26”, sinaliza a consultoria. 

Farelo e óleo de soja – O mercado de farelo apresentou queda generalizada, tanto na comparação mensal quanto semanal (-0,78% e -1,98%, respectivamente, no contrato maio/25). De acordo com a consultoria, para o produtor, isso significa menor atratividade na venda de soja para esmagamento visando farelo, especialmente em um contexto de margens pressionadas.

Já para o óleo, mesmo com a valorização mensal (+1,22% para maio/25), o recuo semanal (-1,80%) reforça um cenário de incerteza. “Para o produtor, há pouco estímulo no curto prazo, e a decisão de venda deve considerar prêmios e condições logísticas”, salienta. 

Milho – Depois de uma sequência de altas, os preços do cereal começam a recuar. A Markestrat aponta que a pressão de baixa é fruto da combinação de alguns fatores: avanço da colheita da 1ª safra, expectativa de boa produção na safrinha e sinais de demanda externa ainda contida.

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Segundo os especialistas, essa queda de preços, em meio ao aumento de custos e à instabilidade cambial, aumenta a dificuldade do produtor em fechar operações com margens atrativas. Além disso, o agricultor lida com incertezas climáticas na América do Sul, especialmente no Paraguai, o que aumenta a volatilidade e torna o momento delicado para tomada de decisão. “A recomendação ao produtor é evitar travas de preço precipitadas”, destaca o relatório. 

Trigo – O momento é de atenção redobrada para o produtor de trigo. Apesar de uma alta no mercado físico, os contratos futuros seguem em trajetória de queda, refletindo um cenário de maior oferta e incertezas no consumo global. No acumulado do último mês, o vencimento para maio/25 recuou 4,97% na bolsa de Chicago.  

Apesar das boas expectativas, os especialistas destacam que o risco climático ainda deve ser monitorado. Além do mais, do lado dos custos, os gastos com insumos e correções impõem desafios adicionais à rentabilidade.

Café – O produtor de café vive um momento de contrastes. O mercado físico do arábica mostra recuperação, refletindo o nervosismo global com a oferta e sustentando preços nos maiores níveis dos últimos dois meses. “Esse movimento oferece uma janela estratégica para comercialização, especialmente para produtores com produto de boa qualidade já estocado”, dizem os especialistas. 

Por outro lado, os preços futuros — tanto de arábica quanto de robusta — sinalizam queda, o que pode indicar uma possível correção no médio prazo, caso as condições climáticas se estabilizem e a oferta se confirme. Segundo a Markestrat, essa oscilação exige do produtor cautela na tomada de decisão. “O excesso de otimismo pode comprometer margens futuras se os preços recuarem após fixações inadequadas”, destaca o relatório. 

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Pecuária – O cenário atual para o pecuarista é de atenção com os preços do boi gordo, em baixa no mercado físico e nos contratos futuros — especialmente para vencimentos entre maio e julho de 2025, com recuos de 4,95% e 4,10% no acumulado do último mês, respectivamente. Esse quadro tem refletido a menor demanda no mercado interno, escalas mais alongadas dos frigoríficos e incertezas quanto à reposição e consumo.

Do lado da reposição, o bezerro apresenta valorização, “o que pressiona ainda mais a margem da engorda e pode desacelerar a reposição nos próximos meses”. Com isso, a consultoria alerta para a relação de troca que piora, exigindo cautela e maior análise no planejamento do ciclo pecuário.

Algodão – Apesar de uma leve alta no mercado físico (+ 1,90% na última semana), o ambiente futuro mostra queda consistente, sinalizando pessimismo com os preços no médio prazo, reflexo de uma oferta elevada esperada, com destaque para Mato Grosso. “A rentabilidade da cultura passa a depender fortemente do manejo técnico, especialmente no controle de pragas e doenças como a mancha-alvo, que pode gerar perdas significativas se negligenciada”, afirmam os especialistas da Markestrat, ressaltando que gerir a lavoura é a melhor tomada de decisão disponível para o produtor no momento.

Cana-de-açúcar – O produtor de cana vive um momento de atenção redobrada. O mercado futuro do açúcar apresenta forte desvalorização, com perdas superiores a 10% nos principais vencimentos. Esse movimento amplia a incerteza quanto à formação de preço para o restante da safra e compromete as expectativas de receita, especialmente para aqueles que ainda não fixaram preços.

Com isso, de acordo com a consultoria, o avanço das fixações para a safra 2026/27 pelas usinas indica uma postura conservadora diante do cenário e reforça a necessidade do produtor acompanhar o mercado com agilidade e senso de oportunidade.

Laranja – A entrada do outono, com menor demanda por laranja fresca, traz baixas ao mercado da laranja in natura, exigindo cautela na gestão da colheita e nos custos de logística e armazenamento. Em um mês, o valor da caixa de 40,8 quilos no mercado paulista recuou 17,88%, considerando o fechamento da sexta-feira, 02, de maio em comparação com o dia 02 de abril deste ano. 

Por outro lado, o mercado de suco mostra reação positiva, com valorização consistente nos contratos futuros. O vencimento de maio/25 teve alta de 9,06% na comparação mensal. “Esse comportamento pode sinalizar uma oportunidade para produtores integrados à indústria ou com acesso a canais de processamento, já que a demanda externa segue aquecida, especialmente após a reabertura do mercado indiano”, ressalta a Markestrat. 

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