Clima
Em racionamento de água, SP deve receber bons volumes de chuva
Chuvas previstas nos próximos dias devem elevar a umidade e favorecer o plantio de soja, milho e cana em regiões agrícolas do interior paulista.
Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com
30/10/2025 - 16:33

São Paulo encerra o período seco com reservatórios em níveis historicamente baixos e solo ainda carente de umidade. Diante do quadro, o governo do Estado anunciou um plano de contingenciamento com redução de até 16 horas na pressão da rede de distribuição, possibilidade de rodízio no abastecimento e, em casos extremos, uso do volume morto dos mananciais.
Segundo o protocolo de escassez hídrica da SP Águas, nenhuma região do Estado está em situação normal de disponibilidade hídrica. Três unidades de gerenciamento de recursos hídricos atingiram o nível mais grave, de emergência: Rio Tietê/Rio Lençóis e Alto Jacaré-Pepira, no interior, e Vertente Marítima Sul, no litoral. A maior parte do Estado está no estágio 2, em alerta, enquanto cerca de 40 pontos aparecem no estágio 3, crítico.
No entanto, a meteorologista Desirée Brandt, da Nottus, aponta sinais de mudança no padrão atmosférico, com chuvas mais frequentes nos próximos dias, que devem beneficiar as principais regiões agrícolas do Estado. “A tendência agora é que a chuva passe a ganhar força sobre boa parte do Estado. Ainda não será suficiente para aumentar os reservatórios, mas para a agricultura teremos condições bem favoráveis já no decorrer das próximas semanas”, diz Brandt.
Uma frente fria atua sobre São Paulo, mantendo o tempo nublado e provocando chuvas fracas e localizadas. Segundo a meteorologista, o sistema não é intenso, mas indica “um início de mudança de padrão”. Um novo sistema de baixa pressão se forma entre Argentina, Paraguai e Sul do Brasil e deve reforçar as precipitações no Sudeste, aumentando ainda mais a instabilidade.
A expectativa é de que o primeiro fim de semana de novembro registre chuvas mais encorpadas, com avanço para o interior e melhora gradual da umidade do solo, condição essencial para as lavouras de grãos e cana-de-açúcar. “A umidade se estabelece e os índices do solo tendem a aumentar gradualmente. As condições são favoráveis já para os próximos dias e, sobretudo, para as próximas semanas”, afirma Brandt.
Apesar do alívio esperado no campo, a meteorologista alerta que a recuperação dos reservatórios será lenta e só deve ocorrer ao longo do período úmido, entre novembro e março. “Por enquanto, é uma chuva muito bem-vinda, mas que ainda não traz efeito significativo para os mananciais. O benefício mais imediato é para o solo e para as culturas em desenvolvimento”, diz.
Os principais polos agrícolas do interior, como Ribeirão Preto, Bauru, Itapeva e Presidente Prudente, devem sentir a melhora da umidade nos próximos dias, com impacto positivo sobre o plantio da soja, do milho e da cana-de-açúcar. A expectativa é de que novembro consolide o retorno do regime de chuvas e reduza o estresse hídrico no campo, embora o cenário urbano siga em alerta.
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