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Welber Barral

Conselheiro da Fiesp, presidente do IBCI e ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil

Esse texto trata de uma opinião do colunista e não necessariamente reflete a posição do Agro Estadão

Opinião

Welber Barral: O jogo não é Diplomático

Há uma década, está em vigência o Acordo de Livre Comércio entre Israel e Mercosul, com permanente superavit para as exportações israelenses de químicos, equipamentos e material de defesa.

21/02/2024 - 12:08

Foto: Adobe Stock
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A primeira reação deste articulista foi rejeitar a ideia de escrever sobre o recente imbróglio com Israel. Afinal, o tema se esvairá quando terminarem as provocações ou quando notícias mais relevantes ocuparem seu espaço.

Além do que haverá impacto limitado desse imbróglio sobre o comércio brasileiro. Há uma década, está em vigência o Acordo de Livre Comércio entre Israel e Mercosul, com permanente superavit para as exportações israelenses de químicos, equipamentos e material de defesa. O Brasil exporta, para aquele pequeno mercado, sobretudo petróleo e commodities agrícolas, a preços de mercado internacional. Israel teve um superavit de US$ 600 milhões em 2023. De nota mesmo há algum investimento israelense no Brasil, equivalente a US$ 1 bilhão, modernizando empresas de tecnologia e defesa.

De toda forma, há lições a serem extraídas do episódio. A mais óbvia é que nosso primeiro mandatário não pode falar de improviso sobre temas complexos. Este articulista testemunhou olhares ansiosos de chanceleres brasileiros, quando viam que Lula deixava de lado as páginas de discursos. Por outro lado,
é genial na percepção de público, ao tratar com seus eleitores.

CONTEÚDO PATROCINADO

Mas, aos fatos: no improviso, Lula errou em História e referiu-se à tragédia mais sensível ao povo judeu; Israel reage; Brasil responde cavalheirescamente, conforme as regras diplomáticas; Israel distorce as declarações do Presidente, declara-o persona non grata, e tenta promover cisão na comunidade judaica brasileira.

Não será difícil entender o comportamento hiperbólico do governo israelense: acusado de omissão e coisas piores, peleja para equilibrar-se no poder, incentiva extremismos, e tenta congregar o que lhe restou de apoio internacional. Neste cenário, não há que se esperar galhardia de sujeitos como Netanyahu. Aliás, recorde-se que este sempre usou, em sua carreira política, a memória do irmão mais velho, único israelense morto no famoso resgate em Entebbe.

A atual crise diplomática provavelmente amainará. Mas dela se extrai uma lição: não há como o Brasil esperar cavalheirismo de governos celerados, inclusive em nossa região. A expectativa de garbo recíproco mais trará frustrações bilaterais e desgastes internos do que mudanças substantivas no cenário internacional.

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