Agricultura
Ouro amarelo na horta: conheça a planta medicinal fácil de cultivar
Popular em jardins brasileiros por suas flores amarelas, o sene contém princípios ativos que só são "ativados" pelas bactérias do intestino grosso
Redação Agro Estadão*
19/01/2026 - 05:00

Cultivado em diferentes regiões do Brasil, o sene (Senna alexandrina) destaca-se tanto pelo valor ornamental quanto pelo uso medicinal.
Suas flores amarelas tornam o cultivo atrativo para hortas e jardins, enquanto as folhas possuem compostos amplamente utilizados em fitoterápicos voltados ao trato intestinal.
Apesar de seus benefícios reconhecidos, o consumo deve ser orientado por especialistas, garantindo que as propriedades da planta sejam aproveitadas com segurança.
O que é o sene e qual sua origem?
O sene é uma planta que veio originalmente da África e do Oriente Médio. Esta espécie se adapta bem ao clima tropical, crescendo facilmente em jardins e hortas medicinais brasileiros.
A planta tem folhas pequenas e flores amarelas que crescem em grupos. Os frutos são vagens achatadas que começam verdes e ficam marrons quando maduros.
Segundo o Horto Didático de Plantas Medicinais da UFSC, as partes usadas como remédio são as folhas secas e as vagens, onde ficam concentradas as substâncias que fazem bem à saúde.
Por se adaptar bem ao nosso clima, o sene pode ser cultivado tanto para fins medicinais quanto decorativos, oferecendo uma boa opção para quem quer diversificar a produção rural.
Para que serve o sene? Principais indicações medicinais

O sene funciona como um laxante natural, ou seja, ajuda pessoas com prisão de ventre. A Farmacopeia Brasileira (livro oficial que lista medicamentos seguros) reconhece esse uso e estabelece regras para utilizá-lo com segurança.
A Anvisa (órgão que fiscaliza medicamentos no Brasil) reforça que o sene deve ser usado apenas por períodos curtos, evitando o uso contínuo que pode causar dependência.
A eficácia do sene tem base científica sólida, diferente de muitas outras plantas medicinais. Contudo, justamente por ser potente, precisa de cuidados especiais no uso.
Como os princípios ativos do sene agem no organismo?
O sene contém substâncias chamadas senosídeos A e B, que são responsáveis pelo efeito laxante. Estas substâncias não fazem nada quando passam pelo estômago e intestino delgado.
Elas só começam a funcionar no intestino grosso, quando certas bactérias que vivem naturalmente em nosso intestino as transformam.
Essas bactérias intestinais quebram os senosídeos e liberam compostos que irritam suavemente a parede do intestino. Isso faz com que o intestino se mexa mais (movimento chamado peristaltismo) e libere mais água, facilitando a evacuação.
Todo esse processo leva de 6 a 12 horas para acontecer, por isso o efeito não é imediato. É como se as substâncias do sene precisassem ser “ativadas” pelas bactérias intestinais para começar a funcionar.
Como consumir o chá de sene de forma segura?

O ideal é tomar o chá à noite, já que o efeito demora entre 6 e 12 horas para aparecer. Assim, o resultado acontece pela manhã, não atrapalhando as atividades do dia. Nunca use por conta própria doses maiores que as recomendadas.
Algumas pessoas não podem usar sene de jeito nenhum: crianças menores de 12 anos, mulheres grávidas e mães que estão amamentando. Durante a gravidez, o sene pode causar contrações no útero, colocando o bebê em risco.
Pessoas com problemas como obstrução intestinal, apendicite ou dores na barriga sem causa conhecida também devem evitar esta planta. Nesses casos, o sene pode piorar muito o problema.
Os efeitos colaterais incluem cólicas fortes na barriga, enjoo e, quando usado por muito tempo, perda de minerais importantes (como potássio) e intestino preguiçoso. Esta última condição faz com que a pessoa só consiga evacuar com ajuda de laxantes.
Por que não utilizar o sene para emagrecimento?
Muita gente pensa que sene emagrece, mas isso é um erro perigoso. O peso que se perde na balança vem apenas da eliminação de água e fezes, não da queima de gordura.
Os órgãos de saúde alertam sobre os riscos desta prática. A desidratação e a perda de minerais podem causar problemas no coração, pressão baixa e danos nos rins. Além disso, o corpo se acostuma e precisa de doses cada vez maiores.
O uso do sene no paisagismo

Suas flores amarelas intensas e de longa duração conferem destaque ornamental a praças e jardins. Essas espécies de regiões tropicais e subtropicais adaptam-se com facilidade ao clima brasileiro, com bom desempenho em áreas de sol pleno e solos bem drenados.
A rusticidade é uma das principais vantagens do sene: a planta tolera períodos de estiagem, exige poucos tratos culturais e responde bem à adubação orgânica simples.
Além do valor estético, o sene contribui para a biodiversidade local, atraindo abelhas e borboletas durante a floração.
Pode ser cultivado isoladamente como ponto focal ou em conjuntos lineares para composição de cercas vivas e bordaduras floridas.
Sua resistência a pragas e doenças comuns do paisagismo tropical reforça o potencial da espécie como alternativa ecológica e de baixa intervenção em diferentes regiões do país.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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