Agricultura
Crajiru: a planta brasileira com poder cicatrizante
Planta amazônica é objeto de estudos que comprovam seu potencial cicatrizante, anti-inflamatório e antioxidante
Redação Agro Estadão*
28/10/2025 - 05:00

O crajiru, cientificamente conhecido como Arrabidaea chica, é uma planta nativa da Amazônia. Esta trepadeira, também chamada de chica, carrega consigo séculos de conhecimento tradicional e um potencial imenso para aplicações medicinais.
Crajiru: da herança amazônica à validação científica
A Arrabidaea chica é uma trepadeira vigorosa que se destaca na flora amazônica. Suas folhas verdes, que se tornam avermelhadas quando secas, e suas flores em tons de roxo ou vermelho, formam cachos vistosos que chamam a atenção na paisagem.
Os frutos, quando presentes, são vagens alongadas que completam o perfil botânico desta espécie com raízes profundas na cultura indígena e tradicional da Amazônia.
Por gerações, povos nativos utilizaram suas folhas como corante natural para tingir tecidos e para pintura corporal em rituais. No entanto, o uso mais significativo sempre foi medicinal.
As comunidades tradicionais reconheceram seu potencial terapêutico, aplicando-o para tratar diversas condições de saúde.
Esse conhecimento ancestral não ficou restrito às comunidades tradicionais. Atualmente, o crajiru é objeto de estudos científicos que buscam validar e expandir o entendimento sobre suas propriedades medicinais.
Pesquisadores estão desbravando os compostos bioativos presentes na planta, abrindo caminho para novas aplicações na medicina moderna e na agricultura sustentável.
Como identificar o crajiru em seu ambiente

Para o produtor rural interessado em identificar o crajiru em sua propriedade ou em áreas próximas, é importante estar atento a algumas características distintivas. As folhas do crajiru são opostas, simples e de formato oval a elíptico, com nervuras bem marcadas.
Quando jovens, apresentam uma coloração verde-clara que se intensifica com a maturidade.
As flores do crajiru são agrupadas em inflorescências terminais, com coloração que varia do roxo ao vermelho intenso, dependendo da variedade. Essas flores vistosas atraem polinizadores e chamam a atenção mesmo à distância.
O crajiru é comumente encontrado em bordas de matas, áreas de capoeira e em clareiras naturais. Sua natureza de trepadeira faz com que muitas vezes seja visto escalando árvores ou estruturas de apoio.
Em ambientes mais abertos, pode formar moitas densas, criando manchas de vegetação características.
Propriedades medicinais e benefícios do crajiru
As propriedades medicinais do crajiru têm sido objeto de intensa investigação científica, revelando um potencial terapêutico impressionante que valida e expande o conhecimento tradicional sobre esta planta amazônica.
Um dos destaques mais recentes é sua ação cicatrizante. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um gel à base de chica capaz de cicatrizar feridas orais em pacientes com câncer até duas vezes mais rápido do que o laser, referência no tratamento dessa lesões.
O fitoterápico, testado no Hospital de Clínicas da universidade, apresenta forte ação antioxidante e anestésica, proporcionando alívio da dor e cicatrização acelerada.
A equipe identificou a variedade da planta com maior teor de antocianinas, responsável pelo efeito e, após mais de sete anos de testes clínicos, comprovou que, em alguns casos, as feridas são curadas em apenas dois dias.
O maior desafio atual da equipe é escalar a produção do gel, que vem em sachês e resiste à temperatura ambiente, viabilizando o acesso ao SUS e ampliando o impacto do tratamento para pacientes oncológicos em todo o Brasil.
A ação anti-inflamatória do crajiru é corroborada por diversos estudos. Segundo uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Farmacognosia, as folhas da Arrabidaea chica são tradicionalmente utilizadas para tratar inflamações uterinas, entre outras condições.
O potencial antioxidante do crajiru é outro benefício notável. Uma dissertação da Universidade Federal do Amazonas investigou os compostos fenólicos e a atividade antioxidante de extratos de Arrabidaea chica, confirmando sua capacidade de combater radicais livres.
Esta característica sugere aplicações na prevenção do envelhecimento celular precoce e de doenças relacionadas ao estresse oxidativo.

Uma outra pesquisa publicada na Revista Foco demonstrou que extratos da planta possuem ação antimicrobiana contra diversos patógenos, incluindo bactérias e fungos. Este achado sugere aplicações promissoras no tratamento de infecções e no desenvolvimento de novos antimicrobianos naturais.
Além disso, o crajiru apresenta propriedades anti-hipertensivas, como indicado em um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pesquisa destaca que, além das atividades anti-inflamatória e cicatrizante, a planta também demonstra potencial hepatoprotetor e antiparasitário.
É fundamental ressaltar que, apesar dos benefícios promissores, o uso do crajiru para fins medicinais deve ser feito com cautela e sob orientação de profissionais de saúde.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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