Agricultura
Rio Grande do Sul projeta safra de uva 5% maior este ano
Consevitis-RS estima uma produção em torno de 800 milhões de quilos de uva; trabalhos de colheita serão intensificados em fevereiro
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
02/01/2026 - 14:00

As perspectivas para a safra de uva no Rio Grande do Sul são positivas, tanto em volume quanto em qualidade. Segundo Luciano Rebellatto, presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado (Consevitis-RS), a colheita das variedades precoces já iniciou em algumas áreas, com destaque para a Chardonnay, uva destinada principalmente à produção de espumantes.
Apesar do início antecipado de algumas variedades, Rebellatto explica que houve um leve atraso no ciclo nesta safra. Com isso, o pico dos trabalhos de colheita deve se concentrar ao longo do mês de fevereiro, período que promete ser o mais movimentado para o setor vitivinícola gaúcho. “Fevereiro, num todo, vai ser o pico da safra. Viemos de um ciclo normal, sem interferências climáticas significativas que prejudicassem o desenvolvimento das videiras”, afirma.
A estimativa é de que a produção alcance cerca de 800 milhões de quilos de uva. Se o volume for confirmado, representará um avanço aproximado de 5% em relação ao ano passado, quando o estado colheu aproximadamente 750 milhões de quilos.
Além do bom volume, a expectativa também é positiva quanto à qualidade da uva. Há projeção de baixos volumes de chuvas durante o período de colheita, favorecendo o amadurecimento dos frutos e contribuindo para melhores índices de açúcar e sanidade das uvas. “Tudo se encaminha para ser uma boa safra”, destaca Rebellatto.
Ainda olhando para o aspecto climático, o executivo salienta que o ciclo foi considerado adequado. Luciano conta que no inverno — período do desenvolvimento vegetativo das plantas —, houve horas de frio suficientes e ausência de eventos climáticos extremos. Embora tenham ocorrido situações que causaram prejuízos pontuais, como o tornado que derrubou mais 70 hectares de parreiras em Flores da Cunha. “No particular, claro, a gente sente muito por essas situações. Mas, para o montante, para o volume do setor, não acabam implicando”, afirma.
Comercialização

Em relação aos preços, nesta safra, houve um reajuste positivo no valor mínimo pago ao produtor. A referência segue sendo a uva Isabel com 15° de doçura, por representar o maior volume comercializado no Estado. Para a safra de 2026, o preço mínimo foi definido em R$ 1,80 o quilo.
O valor final, no entanto, pode variar conforme a variedade, a qualidade da uva e a relação entre oferta e demanda. “No ano passado, o preço mínimo era de R$ 1,69, mas o valor praticado no mercado ficou entre R$ 1,90 e R$ 2,10. Para algumas variedades, o ágio pode chegar a até o dobro do preço mínimo”, explica o presidente do Consevitis-RS.
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