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Agricultura

Como o eucalipto virou o rei da silvicultura brasileira

Crescimento rápido e alta adaptabilidade fizeram a espécie australiana dominar o campo, mas ainda divide opiniões sobre impactos

Nome Colunistas

Redação Agro Estadão*

22/03/2026 - 08:00

Foto: Adobe Stock
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O eucalipto é uma planta que veio da Austrália, se adaptou bem ao Brasil e hoje serve para fazer papel, gerar energia e produzir madeira.

Com 7,5 milhões de hectares plantados no país, o eucalipto gera bilhões de reais por ano, segundo o IBGE. Em 2023, o valor de produção da silvicultura atingiu R$31,7 bilhões no país.

As áreas com eucalipto correspondem a 78% de toda floresta plantada no Brasil. Os estados que mais plantam são Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

No entanto, seu plantio também gera discussões sobre possíveis problemas para o meio ambiente e as comunidades locais.

O que é o eucalipto e por que ele se destaca no Brasil

O eucalipto é uma árvore que veio da Austrália e chegou ao Brasil no século 19. Existem mais de 700 tipos diferentes de eucalipto no mundo, mas apenas cerca de 20 são usados para fins comerciais.

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Os primeiros eucaliptos foram plantados no Brasil entre 1825 e 1868, no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. O plantio que realmente deu certo aconteceu em 1868, no Rio Grande do Sul, quando Joaquim Francisco de Assis Brasil decidiu investir nessa árvore.

O eucalipto fez sucesso no Brasil por três motivos principais: cresce rápido, se adapta bem em diferentes regiões do país e dá lucro. Além disso, produz muita madeira com pouco investimento, o que torna o negócio atrativo para os produtores.

Principais usos do eucalipto na produção brasileira

Eucalipto
Foto: Adobe Stock

O eucalipto serve para muitas coisas diferentes. A madeira vira papel, celulose (material usado para fazer papel), energia renovável, carvão vegetal, tábuas para construção e laminados. Também é usado em remédios, produtos de beleza, tecidos e até alimentos.

O tempo para cortar a árvore depende do que você quer fazer com ela. Para lenha, carvão e mourões (postes de cerca), pode cortar entre 6 e 8 anos. 

Para fazer tábuas, é melhor esperar mais de 12 anos. Uma vantagem do eucalipto é que depois de cortado, nasce uma árvore nova no mesmo lugar, permitindo até três cortes sem precisar plantar de novo.

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Eucalipto para celulose, papel e madeira

A indústria de papel é o maior cliente do eucalipto no Brasil, usando 36% de toda floresta plantada. O eucalipto produz um tipo de celulose chamada “fibra curta”, que serve para fazer papel de escritório, papel higiênico e papel toalha.

Para fazer tábuas e móveis, as melhores variedades são o Eucalyptus grandis e os híbridos (mistura de duas espécies diferentes) chamados “urograndis”. 

Essas árvores precisam ter mais de 12 anos para produzir madeira de boa qualidade. A madeira serve para fazer móveis, casas, andaimes e outras construções.

Espécies de eucalipto mais utilizadas no país

Escolher o tipo certo de eucalipto depende do clima da região, tipo de solo, resistência a doenças, se a área tem geada e para que você vai usar a madeira. Não existe um tipo que sirva para tudo; por isso, é importante planejar antes de plantar.

O clima é muito importante na escolha. Informações sobre temperatura, chuva e umidade ajudam a escolher o tipo que melhor se adapta. Para lugares com geada, existem variedades específicas, como o Eucalyptus benthamii e Eucalyptus dunnii, que resistem melhor ao frio.

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  • O Eucalyptus grandis é o mais plantado no Brasil e no mundo. Gosta de clima quente e úmido, mas pode ter problemas com doenças causadas por fungos e não resiste bem à geada.
  • O Eucalyptus urophylla se destaca porque resiste melhor a uma doença chamada cancro, sendo recomendado para regiões tropicais quentes e úmidas. Produz madeira densa e cresce rápido.
  • O Eucalyptus urograndis é uma mistura (híbrido) entre E. grandis e E. urophylla, combinando crescimento rápido com resistência a doenças. Esse tipo representa um avanço importante no melhoramento das árvores.

Benefícios produtivos do eucalipto e avanço do manejo florestal

Eucalipto
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A alta produção de eucalipto no Brasil acontece porque a árvore tem boas características e porque os técnicos desenvolveram métodos melhores de cultivo. Investimentos em pesquisa genética e técnicas de manejo contribuem para aumentar sempre a produção.

O manejo adequado inclui práticas como adubação, controle do mato, poda dos galhos (desrama) e corte seletivo de algumas árvores (desbaste). Quando essas técnicas são aplicadas corretamente, aumentam a quantidade e melhoram a qualidade da madeira.

Pesquisadores busca desenvolver clones (cópias idênticas de árvores selecionadas) com maior uniformidade na produção, mais produtividade e resistência a problemas como geadas e doenças.

Eucalipto e os debates sobre impactos ambientais e sociais

O plantio de eucalipto também recebe críticas relacionadas ao meio ambiente e às comunidades locais. Organizações e movimentos sociais se preocupam com o monocultivo (plantar apenas uma espécie), pressão sobre a água e impactos nas comunidades tradicionais.

Pesquisas da Embrapa indicam que, quando respeitadas as distâncias adequadas de rios e nascentes, os plantios de eucalipto não precisam secar os cursos d’água e, em alguns casos, podem ajudar a controlar melhor a chuva e o escoamento na região. No entanto, o impacto sobre a água depende muito do local, da forma como o plantio é feito e do clima da região.

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Por outro lado, críticos apontam que plantar eucalipto em grande escala, especialmente em grandes monocultivos, pode pressionar os recursos hídricos em algumas regiões e afetar o modo de vida das comunidades locais, especialmente quando não há planejamento adequado ou quando regras ambientais e de uso do solo não são bem cumpridas.

Discussões recentes envolvem o avanço do monocultivo e eucaliptos transgênicos (geneticamente modificados). O Brasil é um dos líderes na América Latina em testes com essas árvores transgênicas.

Organizações ambientais se preocupam com os riscos dessa tecnologia, principalmente relacionados ao consumo de água, uso de defensivos agrícolas e impactos nas comunidades. 

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão

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