Agricultura
Como plantar essa hortaliça que odeia o frio e produz em 60 dias
Para uma colheita abundante de maxixe, o segredo está na seleção de sementes, no plantio entre setembro e março e em um solo bem drenado
Redação Agro Estadão* | revisado por Mônica Rossi
15/12/2025 - 05:03

O maxixe (Cucumis anguria) representa uma das hortaliças mais populares na agricultura familiar brasileira, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Ela se adapta perfeitamente ao clima tropical e oferece excelente retorno econômico aos produtores.
Além disso, o cultivo doméstico garante alimentos livres de agrotóxicos e proporciona economia significativa no orçamento familiar.
Preparação inicial para plantar maxixe
A seleção adequada das sementes determina o sucesso do cultivo. Produtores podem extrair sementes de frutos maduros, escolhendo exemplares saudáveis e bem desenvolvidos.
Entretanto, sementes certificadas de fornecedores confiáveis oferecem maior garantia de germinação e resistência a doenças.
O período ideal para plantar maxixe concentra-se entre setembro e março, quando as temperaturas permanecem acima de 25°C. Esta cucurbitácea tropical não tolera geadas e desenvolve-se melhor com o início das chuvas regulares.
Regiões com temperaturas constantes permitem cultivo durante todo o ano, desde que haja irrigação adequada.
Como plantar maxixe passo a passo

Preparação do solo e localização
O maxixe prospera em solos bem drenados, ricos em matéria orgânica. A escolha do local deve priorizar áreas com exposição solar mínima de seis horas diárias e proteção contra ventos fortes.
Terrenos alagadiços ou com drenagem deficiente comprometem o desenvolvimento radicular e favorecem doenças.
O preparo do solo inicia-se com aração profunda e incorporação de composto orgânico ou esterco curtido na proporção de 3 a 5 quilos por metro quadrado.
Esta adubação orgânica melhora a estrutura do solo e fornece nutrientes essenciais para o desenvolvimento inicial das plantas.
Semeadura direta no solo
A técnica de semeadura direta elimina o estresse do transplante e acelera o estabelecimento das plantas. O processo inicia-se com abertura de covas de 2 a 3 centímetros de profundidade, respeitando espaçamento de 1,0 a 1,5 metro entre fileiras e 50 centímetros entre plantas.
Coloque 3 a 4 sementes por cova, cobrindo com terra peneirada para garantir contato adequado.
A germinação ocorre entre 7 e 15 dias após a semeadura, dependendo da temperatura e umidade do solo. Posteriormente, realize o desbaste mantendo apenas a muda mais vigorosa por cova.
Plantio em recipientes e transplante
A produção de mudas em recipientes oferece vantagens em regiões com período seco prolongado ou quando se deseja antecipar o plantio. Utilize saquinhos de polietileno ou vasos pequenos com substrato rico em matéria orgânica.
O transplante deve ocorrer quando as mudas apresentarem 4 a 5 folhas definitivas, aproximadamente 20 a 25 dias após a semeadura.
Durante esta operação, mantenha o torrão íntegro para evitar danos ao sistema radicular. Realize o transplante preferencialmente no final da tarde para reduzir o estresse das mudas.
Cuidados essenciais no cultivo do maxixe
Irrigação adequada
O suprimento hídrico regular constitui fator determinante para a produtividade do maxixe. Mantenha o solo sempre úmido, porém sem encharcamento, que favorece doenças radiculares.
Durante períodos secos, realize irrigação 2 a 3 vezes por semana, aplicando aproximadamente 2 a 3 litros de água por planta adulta.
Sistemas de irrigação localizada, como gotejamento, proporcionam maior eficiência hídrica e reduzem a incidência de doenças foliares. A falta de água compromete a formação dos frutos e reduz significativamente a produção.
Adubação e nutrição
O programa nutricional deve basear-se na análise do solo, complementado com adubação orgânica mensal utilizando esterco curtido ou composto orgânico na dose de 3 a 5 quilos por planta.
A adubação química complementar supre as necessidades nutricionais durante o ciclo produtivo. Busque sempre orientação de um técnico dos órgãos de Assistência Técnica e Extensão Rural para planejar bem sua horta e plantação.
Folhas amareladas, normalmente, indicam deficiência de nitrogênio, enquanto florescimento deficiente sugere carência de fósforo. O potássio influencia diretamente a qualidade e conservação dos frutos após a colheita.

Tutoramento e condução
Por se tratar de planta trepadeira, o maxixe necessita suporte adequado para desenvolvimento pleno.
Sistemas de tutoramento incluem espaldeiras, cercas ou mourões com arames esticados a diferentes alturas. A condução adequada facilita tratos culturais e melhora a exposição solar dos frutos.
Amarre os ramos principais ao suporte utilizando fitas macias para evitar ferimentos. A remoção de brotos laterais excessivos direciona a energia da planta para a produção de frutos.
Controle de pragas e doenças
As principais pragas incluem pulgões, mosca-branca e vaquinhas, que podem ser controladas através de monitoramento constante e aplicação de inseticidas biológicos como óleo de nim.
Durante períodos chuvosos, doenças fúngicas como oídio e míldio exigem atenção especial.
A prevenção constitui a melhor estratégia de controle, através de espaçamento adequado entre plantas, irrigação localizada e eliminação de restos culturais.
Caldas naturais preparadas com sabão neutro oferecem alternativa eficaz para controle de insetos sugadores.
Sinais de desenvolvimento saudável
Plantas saudáveis apresentam crescimento vigoroso, folhas de coloração verde-escura e florescimento abundante.
O ciclo da planta estende-se desde a germinação até o início da produção, que ocorre entre 60 e 70 dias após a semeadura. Plantas bem manejadas mantêm produção por 3 a 4 meses consecutivos.
Colheita e aproveitamento do maxixe
A colheita inicia-se entre 60 e 80 dias após o plantio, quando os frutos atingem 8 a 15 centímetros de comprimento e ainda apresentam textura tenra.
A frequência de colheita deve ser de 2 a 3 vezes por semana para estimular nova produção e evitar que os frutos se tornem fibrosos.
Frutos colhidos no ponto ideal mantêm-se conservados por até 7 dias sob refrigeração a 10°C. O maxixe pode ser consumido refogado, em conservas ou como ingrediente principal de pratos típicos nordestinos. Saiba mais sobre essa iguaria aqui.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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