Sustentabilidade
Projeto no Araguaia quer restaurar 100 mil hectares de pastagens degradadas
O Vale do Araguaia, localizado entre os Estados de Mato Grosso e Goiás, é uma dos ecossistemas mais biodiversos do planeta
Broadcast Agro
29/07/2025 - 18:40

A Liga do Araguaia, em parceria com o Instituto Agroambiental do Vale do Araguaia, a OCP Brasil – do setor de nutrição de solos e plantas – e a Ambipar, lançou, na manhã desta terça-feira, 29, o projeto ALM Carbono Verde do Araguaia. A iniciativa tem como meta a restauração de até 100 mil hectares de pastagens degradadas no Vale do Araguaia, uma região estratégica localizada entre os Estados de Mato Grosso e Goiás no bioma Cerrado, um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta.
Além da regeneração ambiental, o projeto almeja a geração de créditos de carbono de alta integridade, mediante a implementação de práticas agrícolas sustentáveis, alinhando-se assim com as tendências globais de mitigação das mudanças climáticas. Os créditos seriam gerados não somente com a restauração florestal, mas também com um sistema produtivo sustentável, com o uso de tecnologias como terminação intensiva a pasto, integração lavoura-pecuária-floresta e adubação de pastagens, entre outras que elevam a produtividade de rebanhos de corte e minimizam, com isso, os impactos ambientais.
Na visão do CEO da OCP, Marcos Stelzer, a parceria apresenta um “potencial enorme” para a sustentabilidade regional, promovendo uma pecuária mais eficiente e competitiva. Ele destaca ao Broadcast Agro que esta iniciativa está em consonância com o programa de recuperação de pastagens degradadas do governo federal, permitindo que a OCP não apenas contribua para a descarbonização da pecuária brasileira, mas também alcance sua meta global de neutralidade de carbono até 2040. “Esperamos engajar cerca de 60 fazendas na região do Vale do Araguaia, somando um total de 100 mil hectares”, ressalta Stelzer.
A estratégia do projeto ALM Carbono Verde do Araguaia inclui uma abordagem científica e estruturada, informam os promotores da iniciativa. A OCP, diz Stelzer, desempenhará um papel central na capacitação dos pecuaristas para o manejo adequado dos solos. Durante as fases de treinamento, os agricultores serão instruídos sobre a aplicação eficaz de nutrientes, com ênfase especial no fósforo – essencial para o desenvolvimento das gramíneas das pastagens. Este nutriente, frequentemente encontrado em baixos níveis nos solos brasileiros, é crucial para assegurar uma pastagem produtiva e resistente, capaz de competir com plantas invasoras.
“Com mais conhecimento e dados individualizados, a adoção de práticas sustentáveis tende a fortalecer a saúde do solo, permitindo a recuperação das áreas degradadas e a geração de créditos de carbono de alta qualidade para as partes envolvidas”, acrescenta Stelzer.
O projeto, que conta com um investimento total de R$ 3 milhões do Grupo OCP, prioriza a aplicação do manejo 4C – aplicando o nutriente certo, na quantidade certa, no momento certo e no lugar certo – como parte de sua abordagem baseada em ciência. Esta técnica é fundamental para potencializar a captura de carbono e otimizar a saúde do solo, assegurando o sucesso na restauração das pastagens. Além disso, as sessões de treinamento e o incentivo ao uso de ferramentas de agricultura de precisão serão fundamentais para a otimização da aplicação de fertilizantes, garantido um manejo eficiente e sustentável dos recursos.
Aderindo a um modelo de negócios centrado em sustentabilidade, a Ambipar, referência global em soluções ambientais, reforça, em nota, a importância de iniciativas que conectam atores da indústria e promovem a descarbonização global. A Head Global de Soluções de Carbono da Ambipar, Soraya Pires, enfatiza que essa nova parceria representa um marco na integração entre conservação ambiental e desenvolvimento territorial, gerando impactos climáticos, sociais e econômicos de grande relevância. “Estamos estruturando uma cadeia produtiva rastreável, que, além de garantir segurança alimentar, valoriza os ativos locais e entrega soluções escaláveis, duradouras e replicáveis para o Brasil e para o mundo”, afirma.
O impacto transformador do projeto se estende para além da descarbonização da pecuária, aponta o presidente do Instituto Agroambiental do Vale do Araguaia, Leonardo de Oliveira Gomes. Ele destaca que o Vale do Araguaia, tradicionalmente explorado por pecuária extensiva, pode experimentar uma mudança significativa com a introdução de práticas de manejo regenerativo. “O ALM Carbono Verde do Araguaia disseminará práticas que contribuirão para o desenvolvimento sustentável do Vale, promovendo a conversão sustentável de áreas degradadas”, conclui Gomes.
Assim, o projeto ALM Carbono Verde do Araguaia não apenas promete incrementar a resiliência ecológica e a produtividade na região do Cerrado, como também estabelece um precedente para a adoção de práticas agrícolas regenerativas em larga escala.
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