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Percevejo: saiba como controlar esses insetos na lavoura
Os percevejos atacam as lavouras em várias fases de desenvolvimento e é um dos principais problemas enfrentados pelo agronegócio

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06/09/2023 - 08:15

Percevejos podem causar grandes danos às plantações, interferindo na produtividade e qualidade do cultivo, tornando-se um dos principais problemas enfrentados no agronegócio.
Eles atacam diversas partes das plantas, desde ramos e hastes até grãos e frutos, injetando toxinas que comprometem seu desenvolvimento saudável e podem levar a perdas significativas na produção.
Esses insetos podem ser encontrados em diferentes hábitats, desde espécies terrestres que infestam lavouras até semiaquáticas e aquáticas. Sua capacidade de proliferação rápida e a variedade de espécies com diferentes hábitos alimentares os tornam pragas desafiadoras.
Eles possuem um aparelho bucal adaptado para perfurar os tecidos vegetais e sugar a seiva, causando danos diretos e indiretos às plantas, o que resulta em reduções drásticas na produção e, consequentemente, em prejuízos financeiros para os produtores rurais.
O que são percevejos?

Os percevejos que afetam as lavouras são, em sua maioria, insetos sugadores que pertencem à família Pentatomidae, conhecidos popularmente como percevejos-escudo devido ao formato de seu corpo.
No entanto, o termo “percevejo” abrange uma subordem maior, a Heteroptera, que inclui uma vasta diversidade de espécies com formas, tamanhos e hábitos alimentares variados.
Algumas espécies são polífagas, alimentando-se de plantas de diferentes famílias botânicas, o que lhes confere maior capacidade de sobrevivência e adaptação a diferentes sistemas de cultivo, enquanto outras são mais específicas em suas escolhas alimentares, atacando preferencialmente determinadas culturas.
Em geral, esses insetos apresentam corpo oval e achatado, com uma estrutura dorsal que lembra um escudo, e um par de antenas longas e finas na cabeça, que utilizam para explorar o ambiente.
As asas dos percevejos são uma característica distintiva da subordem Heteroptera: a parte anterior, chamada hemiélitro, é dividida em uma porção basal dura e esclerosada (cório) e uma porção apical membranosa (membrana), enquanto a parte posterior é totalmente membranosa e flexível, permitindo o voo.
Conheça os principais tipos que estão presentes nas lavouras brasileiras.
Percevejo-marrom (Euschistus heros)
Com um tamanho aproximado de 1 centímetro a 1,5 centímetro de comprimento na fase adulta, o percevejo-marrom tem uma coloração que varia do marrom ao preto, o que lhe confere uma boa camuflagem no ambiente da lavoura. Na parte dorsal, apresenta uma mancha amarelada característica.
Este inseto é uma das principais pragas da cultura da soja no Brasil, mas também pode danificar cultivos de milho e algodão, alimentando-se de ramos, hastes e, principalmente, das vagens e grãos em desenvolvimento, causando o chochamento das sementes e a redução da qualidade do produto colhido.
A praga é comum em Regiões mais quentes do Brasil, como Centro-Oeste, Norte e Nordeste, onde as condições climáticas favorecem seu ciclo de vida e reprodução.
Percevejo-barriga-verde (Diceraeus spp.)
A coloração verde brilhante na parte ventral (barriga) é a principal característica que dá nome a esse inseto, que chega a medir cerca de 7 milímetros na vida adulta. O percevejo-barriga-verde é uma praga importante nas lavouras de milho, trigo e sorgo, alimentando-se principalmente dos grãos em formação, o que pode resultar em perdas significativas na produção e na qualidade dos grãos colhidos.
No Brasil, são encontradas diferentes espécies do gênero Diceraeus, com algumas preferindo o ambiente do cerrado brasileiro e outras sendo mais frequentes nas Regiões Sul do País, demonstrando a adaptação desses insetos a diferentes condições edafoclimáticas.
Percevejo-verde (Nezara viridula)

As ninfas do percevejo-verde apresentam uma coloração preta com manchas claras no dorso, tornando-se verdes na fase adulta, quando chegam a um comprimento de 12 milímetros a 15 milímetros.
O inseto é polífago, o que significa que se alimenta de plantas de diversas famílias botânicas, atacando uma ampla gama de culturas agrícolas, incluindo soja, feijão, algodão, tomate e diversas hortaliças.
A praga é encontrada com mais frequência em regiões com temperaturas mais amenas, como os Estados do Sul do Brasil.
O percevejo-verde tem a capacidade de entrar em diapausa (uma espécie de hibernação) na pós-colheita da soja, abrigando-se embaixo da casca de árvores ou em restos culturais, o que dificulta o controle e garante sua sobrevivência para infestar a safra seguinte.
Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii)
Os percevejos adultos dessa espécie têm cor verde com um risco transversal de tonalidade vermelho-escuro no escutelo e medem até 1 centímetro.
Encontrado em regiões com temperaturas mais amenas, como no norte do Paraná, ele geralmente aparece no período de floração da soja, elevando a população precocemente e aumentando os riscos de perda na lavoura, pois a alimentação nessa fase crítica do desenvolvimento da planta compromete diretamente a formação das vagens e grãos.
Como os percevejos afetam os cultivos?
Os percevejos afetam os cultivos de diversas maneiras e podem causar sérios prejuízos na agricultura. Seu principal impacto decorre do fato de serem insetos sugadores, que perfuram as estruturas das plantas, como folhas, hastes, frutos e sementes, para se alimentarem da seiva e nutrientes.
Esse processo enfraquece a planta, tornando-a mais suscetível a doenças, além de comprometer seu desenvolvimento normal. A alimentação contínua dos percevejos nas plantas pode levar à queda prematura de frutos e sementes e causar estresse hídrico nas plantas, já que eles retiram grande quantidade de seiva.
Além disso, alguns percevejos atuam como vetores de doenças vegetais, ou seja, eles podem transmitir patógenos causadores de doenças de uma planta para outra, contribuindo para a disseminação de problemas fitossanitários nas culturas.
Como controlar a praga do percevejo?
O controle eficaz da praga do percevejo na lavoura exige a integração de diferentes práticas de manejo e um profundo conhecimento da biologia e ecologia das espécies presentes na área.
O monitoramento regular da lavoura é o primeiro passo e fundamental para identificar a presença dos percevejos, determinar o nível de infestação e a distribuição espacial da praga, permitindo a tomada de decisão sobre a necessidade e o tipo de intervenção.
Com base no monitoramento, o agricultor pode escolher a estratégia de controle mais adequada, que pode incluir:
- Controle químico: utilização de inseticidas registrados para a cultura e a praga, respeitando as doses, épocas e intervalos de aplicação recomendados, e considerando a rotação de ingredientes ativos para evitar o desenvolvimento de resistência.
- Controle biológico: utilização de inimigos naturais dos percevejos, como parasitoides de ovos (vespinhas do gênero Trissolcus) e predadores (aranhas, joaninhas, etc.), que podem ajudar a reduzir as populações da praga de forma natural. O manejo do ambiente para favorecer a presença desses inimigos naturais é uma estratégia importante.
- Controle cultural: adoção de práticas agrícolas que desfavoreçam o desenvolvimento da praga, como o plantio de cultivares de plantas resistentes ou tolerantes aos percevejos, a destruição de restos culturais após a colheita para reduzir abrigos e fontes de inóculo, e a rotação de culturas para quebrar o ciclo de vida dos insetos.
- Uso de iscas e armadilhas: podem ser utilizadas para monitorar a presença da praga, estimar sua população e, em alguns casos, para a captura massiva de insetos, auxiliando na redução da população.
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é a abordagem mais sustentável e eficiente para o controle dos percevejos, pois combina diferentes estratégias de manejo (cultural, biológico, químico) de forma planejada e racional, visando a redução dos danos causados pelas pragas agrícolas com o mínimo uso de produtos químicos, preservando os inimigos naturais, o meio ambiente e a saúde humana.
A decisão de aplicar qualquer medida de controle deve ser baseada no nível de infestação e no estágio de desenvolvimento da cultura, buscando sempre o equilíbrio entre o controle da praga e a sustentabilidade do sistema de produção.
Fonte: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), TV Embrapa, Terramagna

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