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Inovação

Startups do agro quase dobram em 5 anos e revelam maturidade do setor

Número de agtechs cresceu 75% de 2019 para cá e impulsiona transformação no campo com inovação “antes, dentro e depois da fazenda”

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Paloma Custódio | Guaxupé (MG) | paloma.custodio@estadao.com

14/05/2025 - 08:00

Foto: Adobe Stock
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O número de startups voltadas ao agronegócio, as chamadas agtechs, cresceu significativamente nos últimos anos, passando de 1.125 em 2019 para 1.972 em 2024. O dado é do Radar Agtech Brasil, levantamento anual realizado em parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a consultoria Homo Ludens e a SP Ventures

Para Aurélio Favarin, analista da Embrapa e um dos coordenadores do estudo, esse movimento sinaliza um amadurecimento do ambiente de inovação no campo, com impactos diretos para os produtores. “O grande impacto que isso pode gerar é ter tecnologias mais adequadas para atender às necessidades dos produtores”, afirmou em entrevista ao Agro Estadão.

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O destaque ficou por conta das incubadoras, que saltaram de 32 em 2023 para 107 unidades em 2024 — um aumento de 224%. As aceleradoras de startups do agro também cresceram significativamente de um ano para o outro, passando de 21 para 40 — alta de 90%. Os hubs de inovação subiram de 82 para 106, crescimento de 29%, enquanto os parques tecnológicos tiveram um avanço de 25%, passando de 93 para 117 unidades.

Favarin explica que o crescimento mais acentuado das incubadoras reflete o aumento da demanda por soluções inovadoras. Já as aceleradoras entram em cena quando a startup já tem um produto validado e precisa de escala para se desenvolver.

Antes, dentro e depois da fazenda

O Radar Agtech Brasil classifica as startups do agro em três grupos:

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  • Antes da fazenda: soluções voltadas às etapas que antecedem a produção, como acesso a crédito (agfintechs), compra de insumos, máquinas e implementos. Esse segmento representa 18,6% das agtechs mapeadas pelo estudo. O crescimento tem sido impulsionado, principalmente, pela ampliação da oferta de soluções financeiras, como crédito e seguros rurais, que já respondem por 26,5% desse grupo.
  • Dentro da fazenda: soluções que apoiam a gestão da atividade agrícola. Entre elas estão ferramentas de monitoramento do uso da água, controle de insumos, automação de processos e gestão da propriedade. 
  • Depois da fazenda: soluções voltadas às etapas pós-produção, como logística, processamento, embalagem e comercialização (marketplaces) voltados ao agro. Esse grupo contempla tecnologias que conectam o campo ao consumidor final e à cadeia de suprimentos, otimizando processos e ampliando mercados.

A categoria “dentro da fazenda” foi a mais representativa no ecossistema de inovação em 2024, respondendo por 41,5% das agtechs (818 startups). Os destaques são as soluções de gestão da propriedade rural (157 empresas) e as plataformas integradoras de dados (144). 

“As startups estão olhando cada vez mais para a necessidade do produtor. Estão cada vez mais entendendo quais são os problemas relacionados à produção dentro da fazenda e criando agtechs para resolver esses problemas”, ressalta Favarin.

Já na categoria “depois da fazenda”, as startups de “marketplaces e plataformas de negociação e venda de produtos agropecuários” apresentaram retração percentual em 2024 em comparação com o primeiro levantamento, realizado em 2019, mesmo diante do avanço do comércio eletrônico no período pós-pandemia. No ano passado, com 94 startups identificadas, essa categoria representou 4,8% do total mapeado — praticamente a metade dos 9,3% registrados em 2019.

Descentralização do ecossistema de inovação

O relatório também aponta para uma descentralização gradual dos ambientes de inovação nas diferentes regiões do país. Embora a região Sudeste ainda lidere com 36,8% do total de polos de inovação, há uma tendência de fortalecimento em outras regiões, especialmente no Sul, que aparece em segundo lugar com 31%, seguida pelo Nordeste (17,5%), Centro-Oeste (9,5%) e Norte (5%).

Em relação ao número de startups do agro, o Sudeste também lidera com 57,7% das agtechs do país, seguido pelo Sul, com 25,3%, e pelo Centro-Oeste, com 6,1%. O destaque são as regiões Nordeste e Nordeste que registraram crescimento no período de 2019 a 2024. O Nordeste ampliou sua participação de 3,5% para 5,9% e o Norte saltou de 1,5% para 5,0% desde o primeiro levantamento. 

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“Historicamente, a atração de startups do agro sempre esteve voltada para o estado de São Paulo. Mas agora percebe-se que as regiões Sul e Nordeste também atraem. Então, esse crescimento do número de startups e de ambientes de inovação, principalmente nessas regiões, indica que o ecossistema de inovação está em ascensão”, pontua o analista da Embrapa.

Distribuição das Agtechs por Unidade Federativa 2019-2024

Unidade FederativaNº de agtechs em 20192019/%Nº de agtechs em 20242024/%
São Paulo59052,585743,5
Rio Grande do Sul897,91899,6
Paraná1029,11768,9
Minas Gerais998,81748,8
Santa Catarina706,21346,8
Rio de Janeiro413,6784
Mato Grosso181,6371,9
Goiás222351,8
Pará60,5311,6
Bahia121,1281,4
Espírito Santo90,8281,4
Amazonas40,4251,3
Distrito Federal131,2231,2
Pernambuco80,7231,2
Tocantins40,4221,1
Mato Grosso do Sul171,5211,1
Ceará70,6170,9
Amapá00150,8
Maranhão00150,8
Acre00140,7
Roraima10,180,4
Rio Grande do Norte30,360,3
Rondônia20,260,3
Paraíba40,450,3
Piauí20,230,2
Sergipe10,120,1
Fonte: Radar Agtech

Tendências de inovação no campo

startups do agro
Foto: PwC Agtech Innovation/Divulgação

Criado em 2017, o PwC Agtech Innovation surgiu como uma plataforma online dedicada a conectar startups e grandes corporações do agronegócio. Com a crescente necessidade de um ambiente físico para interações estratégicas, em 2019, o projeto expandiu sua operação com um hub de inovação localizado em Piracicaba, no interior de São Paulo. 

Por articular diferentes atores do ecossistema — de agtechs emergentes a grandes empresas do setor — o Agtech Innovation atua em todas as fases da cadeia produtiva: antes, dentro e depois da fazenda. Ao Agro Estadão, o COO do PwC Agtech Innovation e sócio da PwC Brasil, Dirceu Ferreira Junior, destacou as principais tendências em cada uma dessas frentes:

“Antes da porteira, a conectividade, a digitalização e a inteligência artificial estão estabelecendo uma base sólida para decisões estratégicas mais inteligentes. Ao mesmo tempo, a automação e o Big Data impulsionam a eficiência no uso de recursos, aceleram processos e aumentam a previsibilidade na gestão”, destaca.

“Dentro da porteira, a agricultura de precisão e as práticas sustentáveis estão redefinindo a produção agrícola, tornando-a mais eficiente e alinhada às novas exigências do setor. O uso estratégico de dados, aliado à automação e às soluções biológicas, não apenas melhora a produtividade, mas também prepara o campo para desafios crescentes, como as mudanças climáticas e a demanda por alimentos mais sustentáveis”, ressalta o COO do PwC Agtech Innovation.

“Além da porteira, a inovação na logística, na rastreabilidade e na distribuição de produtos agrícolas vem ganhando protagonismo, garantindo maior transparência e eficiência no fluxo dos insumos e alimentos”, completa.

De forma geral, Ferreira Junior avalia haver uma evolução no profissionalismo das parcerias entre corporações, startups e demais agentes do ecossistema. Segundo ele, o setor está cada vez mais maduro na criação e validação de novas tecnologias, sempre com o produtor rural no centro das decisões. “O futuro do agronegócio depende da sinergia entre tecnologia, sustentabilidade e colaboração estratégica”, conclui.

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