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Bicudo: TMG planeja cultivar resistente à praga do algodão até 2031

Pesquisa inclui criação de populações de bicudo e análises de DNA com uso de Inteligência Artificial

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Fernanda Farias* | Cambé (PR) | fernanda.farias@estadao.com

15/10/2024 - 14:10

Foto: Fernanda Farias/Agro Estadão
Foto: Fernanda Farias/Agro Estadão

Em uma das salas dos laboratórios da unidade em Cambé (PR), pesquisadores da TMG – Melhoramento & Genética acompanham o desenvolvimento do inseto que é considerado a maior praga para a cultura do algodão. Ele é o bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis),  um besouro que, há décadas, desafia a ciência a encontrar uma cultivar resistente.

A criação dos insetos em um ambiente controlado faz parte do projeto de elaboração de uma cultivar capaz de conter os efeitos do bicudo. O projeto está na fase de validação dos ativos que podem ser usados para controlar as populações nas lavouras. Conforme a coordenadora de Novos Traders da TMG, Viviani Marques, a cultivar de algodão resistente ao bicudo deve ser lançada até 2031.  

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“A gente tem investigado diferentes ativos no intuito de trazer para dentro do laboratório esses genes que possam ser incorporados no germoplasma do algodão e que eles tenham a ação eficiente para controlar ou deixar as plantas tolerantes a esses insetos”, conta Marques ao Agro Estadão.

A pesquisadora explica que  o processo de seleção dos ativos é longo, mas o cenário é promissor. “Pensando em sustentabilidade, redução de aplicação de inseticidas, manejo da cultura, qualidade da fibra, tudo isso vai ser muito importante, ao trazer mais qualidade para o produtor rural e para a utilização da fibra. Isso é virar uma cadeia sustentável, né?”, analisa, ao pontuar que a problemática do bicudo é nacional.  

Desenvolvimento do bicudo

O estrago que o bicudo pode causar nas plantações é imensurável, pois ao atacar a maçã do algodão, impede o seu desenvolvimento. Além disso, os custos com inseticidas representam mais de 30% dos gastos com o controle de pragas, segundo especialistas. 

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O inseto mede cerca de 7 milímetros e se alimenta do pólen, ao perfurar a maçã do algodão. Depois de sugar o pólen, ele deposita os ovos dentro da maçã. A pesquisadora chama atenção para a capacidade de sobrevivência da espécie no ambiente. 

“As fêmeas são extremamente férteis e capazes de preservar o sêmen por até dois anos. Mas ela só consegue depositar ovos no algodão”, explica Marques. Assim que os ovos eclodem, o bicudo passa por mais três fases de desenvolvimento ao longo de 25 dias: pupa, larva e adulto.

Viviani Marques comenta os desafios no desenvolvimento da cultivar resistente ao bicudo.

Inteligência Artificial ajuda a reduzir tempo de pesquisa

Há quatro anos, a TMG passou a usar Inteligência Artificial nas pesquisas. Os resultados já estão chegando ao mercado, com a nova cultivar de milho e três cultivares de soja da linha Raízes do Brasil. 

A pesquisa do bicudo está entre os projetos da empresa que utilizam IA e outras ferramentas avançadas como análise de DNA, que devem receber investimentos de R$ 2 bilhões pelos próximos sete anos.

O  Head de Pesquisa para Biotecnologia e Novos Players da empresa afirma que o uso de IA tem agilizado os estudos, além de otimizar os recursos. Para saber se uma proteína é eficaz contra o bicudo, por exemplo, seriam necessários diversos plantios para testar os ativos, além de tempo para que a planta se desenvolvesse e manifestasse ou não a doença.

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“A IA permite você verificar a configuração ideal que iria prever se aquela proteína poderia oferecer o controle sobre o inseto. Isso ajuda a diminuir o número de candidatos [plantas criadas a partir de cruzamento genético]”, diz Anderson Meda.

Com o sequenciamento genético, o pesquisador consegue olhar o DNA da planta e tem a indicação de como ela iria se comportar. “Em vez de testar em muitos locais, você reduz esse número. É muito mais caro conduzir uma parcela no campo do que fazer no laboratório, em torno de cinco vezes mais”, complementa o executivo. 

Para ter uma ideia da dimensão do trabalho, por ano, o laboratório de biotecnologia recebe 2 milhões de amostras e faz 70 milhões de análises, incluindo as culturas de algodão, soja e milho.

As novas tecnologias e ferramentas também são usadas no desenvolvimento de cultivares com características específicas para o plantio em outros países. Os planos de expansão da TMG são destaque na próxima reportagem. 

*Jornalista viajou a Cambé (PR) a convite da TMG.

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