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Inovação

Avicultura: aditivo à base de plantas promete aumentar desempenho de ganho de peso em aves

Produto pode substituir antibióticos de aumento de produtividade e reduzir custos para produtor

5 minutos de leitura

02/03/2024 | 07:00

Por: Daumildo Júnior | daumildo.junior@estadao.com

mão segurando aditivo à base de planta
Aditivo é incorporado na ração animal para melhorar desempenho. Foto: 88 Agro Vetech/Divulgação

Ganho de peso e melhor produção de ovos são dois benefícios práticos que o Techfeed apresentou nos experimentos de pesquisa, afirma a equipe técnica responsável por desenvolver o produto. O aditivo à base de plantas promete atuar como um promotor de desempenho na avicultura, auxiliando na saúde intestinal dos animais. 

Segundo o professor da Universidade Federal de Lavras e um dos coordenadores da pesquisa, Antonio Bertechini, esse produto é capaz de melhorar a absorção intestinal dos alimentos nas aves. Isso facilita na chamada conversão alimentar. 

“A gente consegue manter um microbioma [boa] para a ave, por isso ela tem uma melhor digestão e absorção, que reflete no melhor desempenho”, explica ao Agro Estadão.

Mas o grande potencial observado na pesquisa é a capacidade de substituir antibióticos utilizados de forma preventiva e também como estimuladores de desempenho. “[O produto surgiu] com a ideia de que esses produtores tivessem uma ferramenta para sair um pouco do uso de antibióticos como melhoradores de desempenho nas rações desses animais”, pontua o zootecnista e também pesquisador do Techfeed, João Antônio Zanardo.

Hoje,os antibióticos são usados nas aves com dois objetivos::

1º – No tratamento de doenças, com doses elevadas, de forma pontual e quando as doenças já estão instaladas nas aves;

2º – Como promotores de eficiência e na prevenção, com doses baixas, porém constantes, sem necessariamente haver uma doença bacteriana.

Os pesquisadores, no entanto, alertam que o uso contínuo do antibiótico pode prejudicar as granjas no futuro. Com o passar do tempo e a exposição constante, acontece uma seleção de bactérias resistentes e pode chegar o momento em que não haverá mais antibióticos capazes de eliminar os agentes infecciosos. 

O professor Bertechini compara o que já acontece na medicina humana. “Não existem mais antibióticos suficientes para controlar infecções humanas”, aponta. Se ocorrer um quadro parecido no caso das produções de aves, o impacto será na casa de milhões de toneladas.

Somente em 2022, o Brasil produziu 14,5 milhões de toneladas de frango, de acordo com a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). O valor bruto da produção ficou em R$ 112,1 bilhões, sendo que o país também liderou o ranking de exportação da proteína.

Foto: 88 Agro Vetech/Divulgação

Vantagens do aditivo à base de plantas

Além de funcionar como substituto de antibióticos para melhoramento de produtividade, o aditivo alimentar tem outros benefícios, segundo os pesquisadores:

  • Diminuição do custo de produção: apesar de custar entre 10% e 15% do que o antibiótico convencional, a quantidade usada  é menor para se obter os mesmos efeitos positivos de produtividade no ganho de peso;
  • Aumento da resposta imunológica: há uma melhora no sistema imunológico das aves, tornando-as  mais resistentes a doenças;
Resutados de ganho de peso obtidos em frangos com o uso de antibiótico (1º coluna), sem nenhum estimulador (2º coluna) e com o aditivo (3º coluna). Imagem: 88 Agro Vetech/Divulgação
  • Oferta de matéria prima: por ser à base de plantas de fácil cultivo, a oferta da matéria prima do produto não deve ter grandes variações, o que mantém os preços relativamente estáveis;
  • Sustentável: com a demanda cada vez mais forte por grandes quantidades de alimento e uma produção mais sustentável, o aditivo à base de plantas pode ser incorporado no manejo das granjas, o que auxilia também na exportação para mercados mais exigentes;
  • Não deixa resíduos: o uso de antibióticos de forma constante, assim como de outros produtos químicos, deixa resíduos nas fezes dos animais, posteriormente utilizadas como adubos. Por ser a base de plantas, caso tenha resíduos, eles são naturais e inofensivos.     

O que são os fitogênicos?

Os fitogênicos são, na verdade, compostos extraídos a partir de plantas, medicinais ou especiarias, que têm um efeito benéfico para a saúde animal. Neste caso, o aditivo alimentar Techfeed é resultado da retirada de 21 compostos dessa natureza.

Segundo o zootecnista João Antônio Zanardo, “são extraídos de plantas como o cravo, o alecrim, o orégano e o gengibre”. No entanto, os efeitos encontrados separadamente não têm a mesma efetividade quando utilizados em conjunto. 

“No experimento que foi feito,100 miligramas desses compostos misturados por quilo de ração de frango de corte são suficientes para você não precisar colocar a terramicina, que é um antibiótico hoje muito utilizado no frango de corte”, exemplifica.

Além disso, o processo burocrático nos órgãos fiscalizadores fica encurtado, já que se trata de um produto fitogênico. Zanardo explica que não é preciso fazer um registro no Ministério da Agricultura e Pecuária. Basta que as plantas estejam incluídas na lista de ingredientes autorizados pelo órgão para alimentação animal.  

Frangos comendo ração
Foto: Adobe Stock

Mercado aquecido

Ao Agro Estadão, o sócio-investidor da empresa responsável pelo Techfeed, João Conrado, diz que o mercado já está observando as mudanças. Além disso, a procura pelo produto, tanto nacionalmente como internacionalmente, começou ainda na fase de testes.

“Esse é um caminho sem volta. Nós vamos entrar num mundo aí que cada vez mais essa preocupação vai ser maior, as exigências vão ser maiores, em função da manutenção do meio ambiente”, coloca.

Ao analisar os benefícios do aditivo à base de plantas, Conrado fala do impacto positivo da  substituição dos antibióticos pelo produto. “Hoje, no caso do frango, se você tirar o antibiótico, cai 20% a produção em peso. Com o nosso produto, ele volta ao normal e você não utiliza antibiótico”.

Na visão dele, os próximos anos tendem a ser mais promissores para esse nicho de mercado, o que também trará mais opções ao produtor de aves. “Eu acho que é um mercado que vai explodir nos próximos 10 anos”, concluiu Conrado.

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