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Irmãs transformam a sucessão familiar em legado verde

Após passar de pai para filhas, Fazenda Estância mostra como agricultura regenerativa contribui para o aumento da produtividade

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Redação Agro Estadão

25/01/2026 - 05:00

Irmãs afirmam que a base de toda a mudança está no solo. Foto: JeffreyGroup-Bayer/Divulgação
Irmãs afirmam que a base de toda a mudança está no solo. Foto: JeffreyGroup-Bayer/Divulgação

Em Pirassununga, no interior de São Paulo, a paisagem de 1,1 mil hectares da Fazenda Estância guarda uma história que mistura tradição, família e futuro. Fundada por José Vick, a propriedade se consolidou ao longo das décadas como um exemplo de produtividade.

Mas foi em 2018, com o processo de sucessão familiar, que um novo capítulo começou a ser escrito: as filhas de José, Nathalia e Aline, assumiram a liderança e iniciaram uma transformação profundamente sustentável. “Nosso pai sempre acreditou que a terra era um legado, não apenas um negócio. Quando chegou a nossa vez de assumir, sentimos a responsabilidade de cuidar dela para as próximas gerações”, conta Nathalia, formada em Administração e com experiência em Gestão do Agronegócio. 

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Ao lado dela, a irmã Aline, economista, levou seu olhar analítico para os números e para as oportunidades de inovação. Juntas, as duas imprimiram um novo ritmo na fazenda, onde hoje convivem soja, milho, sorgo, mandioca e cana-de-açúcar. Mas a maior mudança não está na lista de culturas, e sim em como são cultivadas. 

Desde que assumiram a propriedade, as irmãs apostaram na agricultura regenerativa. A prática fortalece a saúde do solo, reduz as emissões de gases de efeito estufa e garante estabilidade produtiva mesmo em cenários climáticos desafiadores. 

Os resultados já colocam a Estância como referência: na safra 2024/25, as emissões da fazenda foram 60% menores que a média brasileira na soja e 46% menores no milho segunda safra. Em um dos talhões analisados, a emissão chegou a apenas 373 quilos de CO2 equivalente por tonelada. Isso é 76% abaixo da média nacional.

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Esses números representam mudanças nas escolhas do dia a dia. Um exemplo é a substituição da ureia pelo nitrato no cultivo da soja, decisão que reduziu consideravelmente as emissões. Outro foi o investimento em tecnologias de agricultura de precisão, que diminuíram manobras de máquinas, economizando combustível e reduzindo carbono. “Às vezes, o produtor acha que sustentabilidade exige grandes investimentos. Mas percebemos que pequenas mudanças no manejo fazem toda a diferença”, explica Aline.

Segundo as irmãs, práticas generativas aumentaram teores de fósforo e cálcio no solo. Foto: JeffreyGroup-Bayer/Divulgação

O olhar para o solo 

Para as irmãs, a base de toda essa mudança está debaixo dos pés. O solo arenoso da região, que sempre foi um desafio, ganhou vitalidade com práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura. “Em três anos de agricultura regenerativa, vimos aumento nos teores de fósforo e cálcio, nutrientes essenciais na agricultura tropical. Isso nos mostra que o solo está mais fértil e equilibrado”, comenta Aline. 

Essa transformação se refletiu também na produtividade. Em talhões de soja com menor pegada de carbono, a produtividade chegou a 77 sacas por hectare — acima da média regional. Mesmo em anos de estiagem, entre 2020 e 2024, a fazenda conseguiu manter produtividades estáveis, um feito que as irmãs atribuem ao cuidado contínuo com o solo. “Cuidar da terra é garantir que ela cuide da gente”, enfatiza Nathalia.

Mulheres no campo

O protagonismo feminino é outro ponto que torna a Fazenda Estância singular. Em um setor ainda marcado pela predominância masculina, Nathalia e Aline representam uma nova geração de mulheres líderes no agronegócio, combinando conhecimento técnico e visão de futuro.

“O fato de sermos mulheres nunca foi um limite, mas uma motivação. Queremos mostrar que é possível inovar e prosperar no campo sem abrir mão de valores como cuidado, equilíbrio e sustentabilidade”, afirma Nathalia.

A sucessão, que poderia ter sido um processo turbulento, acabou se tornando um divisor de águas. As irmãs reforçam que foi essencial a confiança do pai em deixá-las livres para experimentar novas práticas. José Vick acompanha com orgulho o rumo sustentável que as filhas deram ao negócio, que também ganhou reconhecimento internacional ao integrar programas como o Bayer Forward Farming e o PRO Carbono.

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