Economia
Conheça 5 tipos de hortelã e dicas de cultivo
A versatilidade da hortelã e de seus variados tipos impulsiona os setores de cosméticos, alimentos e saúde

Redação Agro Estadão*
11/12/2024 - 08:20

A hortelã é uma das plantas aromáticas mais versáteis e apreciadas no mundo, com destaque crescente na agricultura familiar e produção orgânica brasileira. Ela é uma erva milenar que não apenas enriquece preparações culinárias, mas também possui importante valor medicinal e comercial, especialmente no mercado de plantas aromáticas e medicinais.
Embora não existam dados consolidados específicos sobre a produção no Brasil, o setor de plantas medicinais e aromáticas tem apresentado crescimento consistente, impulsionado pela demanda por produtos naturais e orgânicos.
De acordo com a Associação de Promoção dos Orgânicos, o mercado de ervas aromáticas movimenta mais de R$ 2 bilhões ao ano no Brasil, com a hortelã sendo uma das protagonistas nesse segmento.
Tipos de hortelã mais comuns no Brasil
1. Hortelã-Pimenta (Mentha piperita)

A hortelã-pimenta é uma das variedades mais valorizadas comercialmente, resultado do cruzamento natural entre a hortelã-aquática e a hortelã-verde.
Caracteriza-se por suas folhas verde-escuras, pontiagudas e com bordas serrilhadas, além de seu aroma intenso e refrescante, devido à alta concentração de mentol.
A variedade se destaca por sua rusticidade e adaptabilidade, desenvolvendo-se bem em diferentes regiões do Brasil. O cultivo requer solo bem drenado, rico em matéria orgânica e exposição solar parcial.
Para produtores rurais, representa uma excelente oportunidade de mercado, especialmente no setor de óleos essenciais, em que seu óleo alcança valores expressivos devido à alta concentração de princípios ativos.
2. Hortelã-Verde/Comum (Mentha spicata)

A hortelã-verde, também conhecida como hortelã-comum, é talvez a variedade mais popular no Brasil. Suas folhas são verde-claras, lanceoladas e apresentam aroma suave, característica que a torna especialmente apreciada na culinária.
Essa espécie é particularmente interessante para pequenos produtores por sua facilidade de cultivo e multiplicação. No sistema de produção orgânica, tem se mostrado altamente rentável, especialmente quando comercializada in natura para restaurantes e feiras livres.
Seu cultivo requer menos insumos comparado a outras culturas comerciais, e sua propagação por estolões permite rápida multiplicação do plantio.
3. Hortelã-Brava (Mentha arvensis)

A hortelã-brava, também conhecida como hortelã-japonesa, destaca-se pela alta concentração de mentol em suas folhas, sendo a espécie mais utilizada para extração comercial deste composto.
Suas folhas são menores que as das outras variedades e apresentam bordas finamente serrilhadas, sendo excelente oportunidade para produtores interessados no mercado de óleos essenciais e fitoterápicos.
Estudos da Embrapa indicam que seu óleo essencial possui propriedades antissépticas e anti-inflamatórias significativas, além de ser amplamente utilizado nas indústrias farmacêutica e cosmética.
4. Hortelã-da-água (Mentha aquatica)

Como sugere seu nome, a hortelã-da-água adapta-se especialmente bem a ambientes úmidos e áreas próximas a cursos d’água. Suas folhas são ovais, levemente peludas e exalam um aroma característico.
Essa variedade apresenta particular importância em sistemas agroflorestais e na recuperação de áreas úmidas. Para produtores rurais com áreas de várzea ou brejos, ela oferece uma alternativa de aproveitamento sustentável desses espaços, podendo ser integrada a sistemas de produção que visam a preservação de recursos hídricos.
5. Hortelã-Variegada (Mentha suaveolens ‘Variegata’)

A hortelã-variegada se destaca por suas folhas decorativas, que apresentam manchas branco-cremosas em contraste com o verde, tornando-a uma opção valiosa tanto para fins ornamentais quanto culinários.
Esaa característica única permite aos produtores explorarem nichos específicos de mercado, como paisagismo comestível e jardins funcionais.
Dicas de cultivo para hortelãs
Preparo do solo e plantio
Independentemente da variedade escolhida, o sucesso no cultivo começa com um solo bem preparado. A recomendação é utilizar solo rico em matéria orgânica, com pH entre 6,0 e 7,0.
O plantio pode ser realizado por mudas ou estacas, com espaçamento de 30 centímetros entre plantas e 60 centímetros entre linhas, facilitando os tratos culturais e a colheita.
Irrigação e adubação
O solo deve ser mantido sempre úmido, sem encharcamento. A adubação orgânica é preferível, utilizando-se composto orgânico ou esterco bem curtido na proporção de 3 a 5 quilos por metro quadrado.
Para produção comercial, recomenda-se análise de solo para determinar necessidades específicas de nutrientes.
Controle de pragas e doenças
A hortelã é relativamente resistente a pragas, mas pode ser afetada por ferrugem e podridão de raízes em condições de umidade excessiva.
O controle biológico e práticas culturais adequadas, como espaçamento correto e poda regular, são as melhores estratégias de manejo fitossanitário.
Colheita e pós-colheita
A colheita deve ser realizada preferencialmente nas primeiras horas da manhã, quando o teor de óleos essenciais é maior. O ponto ideal é quando as plantas estão bem desenvolvidas, mas antes do florescimento.
Para comercialização in natura, as folhas devem ser acondicionadas em embalagens que permitam ventilação adequada.
Benefícios e aplicações do hortelã
Na culinária, cada variedade oferece características únicas. A hortelã-verde é preferida para pratos mediterrâneos e bebidas refrescantes, enquanto a hortelã-pimenta se destaca em sobremesas e preparações que requerem sabor mais intenso.
As propriedades medicinais são amplamente reconhecidas, incluindo ação digestiva, anti-inflamatória e antimicrobiana.
Além dos usos tradicionais, a hortelã encontra aplicações na indústria de cosméticos, aromaterapia e como repelente natural de insetos. O mercado de óleos essenciais, em particular, representa uma oportunidade promissora para produtores especializados.
O cultivo diversificado representa uma excelente oportunidade para agricultores brasileiros, especialmente na agricultura familiar e orgânica.
A crescente demanda por produtos naturais e sustentáveis, aliada à versatilidade desta planta, oferece múltiplas possibilidades de comercialização e agregação de valor.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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