Economia
Semana de ajustes: após dados da Conab, mercado recalcula rumo das commodities
Entre pequenas altas e quedas, agentes seguem de olho na melhora climática e recordes de produção
Rafael Bruno | São Paulo | rafael.bruno@estadao.com
21/10/2024 - 15:50

A terceira semana de outubro foi marcada pela divulgação da primeira estimativa para a safra brasileira de grãos 2024/25. Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), um novo recorde deverá ser alcançado, com uma produção de 322 milhões de toneladas.
“Esse aumento é impulsionado principalmente pela expectativa de crescimento na produção de arroz, feijão e soja, que também devem ter suas áreas cultivadas ampliadas. Para o milho, a previsão indica uma redução de 5,4% na área plantada e de 1,1% no volume produzido”, ressaltam consultores da Markestrat Group.
Essas projeções da estatal brasileira influenciaram os preços das commodities no período.
Milho
Além da estimativa da Conab de menor produção para o milho, demais fatores impulsionaram as cotações do grão. No mercado físico, os preços do milho encerraram a sexta-feira, 18, a R$ 68,77 por saca, o que representa um avanço de 1,4% no comparativo semanal. No mercado futuro, os contratos na B3 com vencimento em novembro também apresentaram valorização, subindo 0,9% e fechando a R$ 69,26 por saca.
“Esse cenário é impulsionado pela forte demanda interna para a produção de ração animal, além do crescimento de investimentos e da produção de etanol a partir do milho, fatores que aquecem o mercado e geram especulações sobre a oferta futura, pressionada pela estimativa de redução na produção de milho da safra brasileira 2024/25”, dizem os analistas.
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), apesar da leve queda de 0,68% na sexta, o contrato mais negociado da commodity, com entrega para dezembro, fechou a semana com pequeno avanço de 0,7% ante o período anterior, com negócios na casa dos US$ 4,04 por bushel.
“Apesar do aumento na produção americana e da pressão causada pela queda nos preços do trigo e do complexo soja, o crescimento dos volumes de exportação do cereal americano acima do esperado resultou em uma reação nos preços em Chicago, sinalizando um fortalecimento da demanda global pelo grão”, contextualizam os consultores da Markestrat.
Soja
Já a soja não conseguiu se sustentar ao longo da última semana, registrando queda tanto no mercado físico quanto nos contratos futuros.
Em Paranaguá (PR), houve uma desvalorização de 0,7%, com a saca fechando a semana em R$ 140,42. Na CBOT, os contratos para novembro sofreram queda de 2,1%, encerrando o pregão regular de sexta-feira a US$ 9,70 por bushel.
“Essa pressão nos preços é resultado da maior oferta global e do aumento nos estoques mundiais de soja, somado às estimativas recordes para a produção da safra americana, que avança em bom ritmo. Além disso, as projeções para a safra brasileira 2024/25 são favoráveis e recordes, beneficiadas pelo aumento de área e produtividade, e pela melhoria das condições climáticas na América do Sul, o que também deverá favorecer a safra na Argentina”, explicam os analistas.
Cana-de-açúcar
Para o açúcar, os preços no mercado físico seguiram em alta e valorizaram 3,36% ao longo da última semana. A saca foi negociada a R$ 155,40, valor impulsionado pela redução do mix de açúcar e demanda aquecida.
No mercado futuro de Nova York, entretanto, os preços sofreram uma queda de 2,9%, com o contrato Sugar n. 11 sendo negociado a 22,15 centavos de dólar por libra-peso, impulsionado pelas projeções da queda de produção de açúcar no mundo em razão dos desafios climáticos observados nos principais players.
Pecuária
A arroba do boi gordo no mercado físico atingiu R$ 300 na última semana, com uma alta de 1,2%, fechando a sexta-feira em R$ 302,10 por arroba, valores não observados há mais de um ano. Na B3, os contratos futuros para outubro (BGIc1) encerraram a semana em R$ 308,45 por arroba, apresentando uma leve queda de 0,5%.
“O movimento de alta no mercado físico é sustentado pela forte demanda interna e pelas exportações aquecidas de carne bovina, que permaneceram elevadas. Esse cenário ocorre em meio a uma oferta limitada de animais para abate, encurtando as escalas e pressionando os preços da arroba, o que afeta as margens dos frigoríficos”, analisa a consultoria.
Conforme o relatório semanal da empresa, esses fatores indicam uma transição para a fase de alta de preços do ciclo pecuário, com expectativa de valorização das categorias de reposição em breve.
“No entanto, o aumento acumulado de 9,3% nas três primeiras semanas de outubro gera cautela entre os agentes financeiros, que intensificaram as operações de hedge, antecipando possíveis ajustes de preços”, alertam os consultores.
Referente à carne bovina, o aumento verificado no mercado físico já impacta o consumidor final, refletido na valorização da carne com osso no atacado, avalia a Markestrat.
A valorização bovina também aumentou a competitividade de proteínas concorrentes, como a carne suína, que tem ganhado espaço no atacado em relação à carne bovina.
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Reforma tributária: o que o produtor rural precisa fazer antes de janeiro?
4
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Setor de vinhos do Brasil cobra condições equivalentes no acordo Mercosul-UE
Entidades avaliam que, sem ajustes internos, acordo tende a ampliar pressão de importados e afetar cadeia baseada na agricultura familiar
Economia
Desembolso no Plano Safra 2025/2026 cai 15,6% no 1º semestre, a R$ 186,146 bi
Montante corresponde a 45,8% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões; produtores estão retraídos por conjuntura adversa
Economia
Acordo Mercosul-UE divide o agro brasileiro entre apoio e críticas
Faesp e Tereza Cristina defendem cautela com salvaguardas europeias, enquanto exportadores de suco de laranja celebram ganhos tarifários
Economia
Entenda as principais cotas agrícolas do acordo Mercosul-UE
Carnes bovina, suína e de aves terão limites de exportação, mas frutas, mel e arroz ganham acesso livre
Economia
Brasil tem 9 unidades aprovadas para exportar gelatina e colágeno para Turquia
Outras 8 estão em processo de análise
Economia
Salvaguardas no Mercosul-UE não impedem avanço das exportações do agro, diz Rubens Barbosa
Países da UE aprovam provisoriamente acordo com o Mercosul; veja análise do ex-embaixador do Brasil em Washington
Economia
França informa que votará contra o acordo Mercosul-UE
Chefe de Estado francês diz que, apesar das negociações de última hora, é "impossível" assinar o tratado nas atuais configurações
Economia
Cotas da China alertam para possível corrida nos embarques de carne bovina
Mercado segue estável, enquanto exportadores aguardam definição sobre a distribuição dos volumes; sobretaxa pode elevar valor do quilo