Economia
Safra brasileira de cana deve cair 1,2%, estima Conab
Produção de açúcar deve crescer, enquanto etanol de cana pode ter um recuo de 8,8%
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
26/08/2025 - 09:32

O Brasil deve colher 668,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na temporada 2025/2026. Isso representa um recuo de 1,2% na comparação com a safra anterior. As estimativas foram divulgadas nesta terça-feira, 26, no segundo levantamento da Safra de Cana-de-Açúcar 2025/2026 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
De acordo com a estatal, o clima desfavorável nas fases de rebrota e desenvolvimento das lavouras no ano passado impactou a produção, principalmente, da região Centro-Sul, principal produtora. Além do estresse hídrico, ocorreram alguns focos de incêndio nos canaviais dessa parte do país.
Também há uma projeção de diminuição da produtividade média. A expectativa é de que fique em 75,5 toneladas por hectare, uma queda de 2,1% em relação à safra passada. Quanto à área, houve um incremento de cerca de 1%, chegando a 8,85 milhões de hectares.
Açúcar e etanol
Com menos matéria-prima, a produção de etanol de cana deve cair 8,8%. O volume esperado para esta temporada é de 26,77 bilhões de litros. Outros fatores também ajudam a entender essa queda, que não é motivada apenas por uma oferta menor de cana-de-açúcar. Segundo a Conab, houve uma redução da competitividade na hora das usinas optarem entre etanol e açúcar.
Já o etanol de milho está em expansão, com investimentos em novas fábricas em diferentes áreas do país. O crescimento do etanol de milho é estimado em 14,5% para esta safra, chegando a 6,17 bilhões de litros. Na soma dos dois tipos, o Brasil deve produzir 35,7 bilhões de litros de etanol, uma queda de 3,9% em relação à safra passada.
Mesmo com a redução na produção de cana, há uma perspectiva de aumento na produção de açúcar. A projeção da Conab é de haja uma ampliação de 0,8% se comparado ao ciclo anterior, chegando a 44,4 milhões de toneladas de açúcar. A explicação da preferência pelo açúcar em relação ao etanol é que o mercado do adoçante segue favorável. No cenário internacional, o açúcar tem se valorizado com a diminuição de oferta de outros países exportadores.
Produção por região
O Centro-Oeste, Nordeste e Sul devem registrar um aumento na produção de cana, respectivamente, as produções estimadas são de 150 milhões de toneladas (+3,2%), 55,2 milhões de toneladas (+1,6) e 35,2 milhões de toneladas (+4,9%).
| REGIÃO/UF | PRODUTIVIDADE (Em kg/ha) | PRODUÇÃO (Em mil t) | ||||
| Safra 2024/25 | Safra 2025/26 | VAR. % | Safra 2024/25 | Safra 2025/26 | VAR. % | |
| NORTE | 81.481 | 73.260 | (10,1) | 4.040,0 | 3.813,8 | (5,6) |
| NORDESTE | 60.570 | 60.863 | 0,5 | 54.362,0 | 55.246,8 | 1,6 |
| CENTRO-OESTE | 78.540 | 78.093 | (0,6) | 145.300,3 | 150.011,7 | 3,2 |
| SUDESTE | 80.181 | 77.591 | (3,2) | 439.642,7 | 424.503,0 | (3,4) |
| SUL | 69.148 | 70.768 | 2,3 | 33.614,0 | 35.244,7 | 4,9 |
| BRASIL | 77.223 | 75.575 | (2,1) | 676.959,1 | 668.820,1 | (1,2) |
Porém, a principal região produtora, o Sudeste, tem previsão de uma redução de 3,4%, somando 424,5 milhões de toneladas. São Paulo é o estado que puxa os números para baixo, com uma diminuição de 4,4%, com uma produção estimada em 337,8 milhões de toneladas. A região Norte também tem projeção de queda, com 3,8 milhões de toneladas nesta safra (-5,6%).
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