Economia
Mesmo com viés de baixa, café arábica mantém maior preço em cinco anos
Desde setembro, valor da saca de 60 quilos do café arábica recuou 1,81% no mercado interno; no conilon, baixa foi de 4,4%
Redação Agro Estadão
11/11/2025 - 12:29

Após um ciclo intenso de valorização, os preços do café operam em viés de leve baixa nos últimos dois meses.
De acordo com o indicador Cepea/Esalq, o café arábica iniciou setembro cotado a R$ 2.332,90 por saca de 60 quilos e, em 7 de novembro, registrou R$ 2.290,64 — queda de 1,81%. Já o conilon, por sua vez, passou de R$ 1.474,40 para R$ 1.409,48 no mesmo intervalo — recuo de 4,4%.
Apesar das desvalorizações, a zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria, Isabela Stevanatto, lembra que os preços do arábica ainda continuam sendo os maiores dos últimos cinco anos. Enquanto isso, o conilon já apresenta valores um pouco abaixo do observado no mesmo período do ano passado.
A especialista lembra que, no mais recente boletim de safra da Companhia Nacional de Abastecimento, foi estimada uma produção total de café no Brasil em 55,2 milhões de sacas — aumento de 1,8% frente ao ciclo do ano passado.
No entanto, destaca-se que esse volume foi puxado pelo desempenho do conilon, cuja oferta aumentou para 20 milhões de sacas beneficiadas, crescimento de 37,2% em relação ao ciclo anterior. “Para o arábica, por outro lado, a produção caiu 11,2%, em relação à safra de 2024, para 35,1 milhões de sacas. Essa redução aconteceu, em primeiro, pela queda da produtividade e, em segundo, pela diminuição de área de produção. Frente ao ciclo 2024, a área em produção de 2025 reduziu 1,5%, enquanto as áreas em formação aumentaram 12,3%”, lembra Stevanatto.
Para atingir esse resultado, a especialista destaca a importância do clima. Segundo ela, as chuvas registradas nas últimas semanas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras e contribuído para o avanço das floradas. Ainda assim, novas precipitações serão fundamentais nas próximas semanas para assegurar o bom pegamento das flores e consolidar o potencial produtivo da próxima safra. “As chuvas recentes trouxeram um cenário mais favorável ao campo, mas a continuidade das precipitações é essencial para garantir uma boa frutificação e, consequentemente, uma produção satisfatória em 2025”, aponta.
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