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Economia

Marfrig e BRF anunciam incorporação de ações, que pode consolidar gigante global

A partir da reestruturação, a Marfrig propôs mudar a sua razão social para MBRF Global Foods Company S.A., nome que reflete a integração entre as duas companhias

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Broadcast Agro

16/05/2025 - 11:13

Foto: BRF/Divulgação
Foto: BRF/Divulgação

A Marfrig e a BRF comunicaram ao mercado, na quinta-feira, 15, a assinatura de um protocolo que prevê a incorporação da totalidade das ações da BRF pela Marfrig, em uma operação que poderá consolidar uma das maiores companhias globais do setor de alimentos, com forte atuação em proteínas. Com a transação, a BRF passará a ser uma subsidiária integral da Marfrig, que continuará listada no Novo Mercado da B3.

A proposta, formalizada por meio do “Protocolo e Justificação de Incorporação das Ações de Emissão da BRF pela Marfrig Global Foods”, prevê que os acionistas da BRF (exceto a própria Marfrig) receberão 0,8521 ação ordinária da Marfrig para cada 1 ação da BRF.

O valor da relação de troca foi negociado por comitês independentes, assessorados por instituições como o Citigroup, e levou em conta critérios múltiplos, incluindo valor justo e sinergias esperadas.

As assembleias gerais extraordinárias das duas companhias, nas quais a proposta será votada, foram convocadas para 18 de junho. A aprovação da operação está condicionada à ausência de eventos adversos relevantes que possam afetar a capacidade produtiva das companhias, como guerras, desastres naturais ou crises sanitárias.

A operação, apresentada como estratégica, visa criar uma plataforma multiproteína com presença relevante tanto no mercado doméstico quanto internacional. A expectativa é de ganhos expressivos de escala, eficiência e diversificação.

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Segundo os dados divulgados, as companhias estimam sinergias da ordem de R$ 485 milhões por ano com aumento de receitas e redução de custos, R$ 320 milhões por ano em despesas operacionais e R$ 3 bilhões em ganhos fiscais a valor presente líquido.

Além de otimizar estruturas administrativas e ampliar a capacidade de investimento, a operação também deve fortalecer a atuação das marcas em mercados como Brasil e países do Oriente Médio (Halal), ampliando canais de distribuição.

Os custos estimados da operação são de R$ 24 milhões, incluindo assessorias jurídicas, financeiras, auditorias e publicações. Não haverá emissão de ações correspondentes às ações da BRF mantidas em tesouraria, que serão canceladas antes da data de fechamento.

A proposta também abre espaço para o exercício do direito de retirada por acionistas dissidentes – aqueles que não votarem a favor da incorporação e mantiverem suas ações desde a data de divulgação do fato relevante. Os acionistas da BRF poderão optar por um reembolso de R$ 9,43 por ação (com base no patrimônio líquido) ou R$ 19,89 por ação (segundo laudo previsto no artigo 264 da Lei das S.A.). No caso da Marfrig, o valor é de R$ 3,32 por ação.

Caso o exercício do direito de retirada comprometa a estabilidade financeira de alguma das companhias, há possibilidade de convocação de nova assembleia para reavaliar ou cancelar a operação.

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Mudança de nome

Como parte da reestruturação, a Marfrig também propôs mudar a sua razão social para MBRF Global Foods Company S.A., nome que reflete a integração entre as duas companhias.

Lucro da BRF

A BRF registrou lucro líquido de R$ 1,19 bilhão no primeiro trimestre de 2025, alta de 99,6% em relação a igual período do ano passado. O desempenho foi impulsionado pelo crescimento da receita líquida, que somou R$ 15,51 bilhões (+16% a/a), e pela expansão do Ebitda ajustado, que atingiu R$ 2,75 bilhões (+30% a/a), com margem de 17,7%.

O fluxo de caixa operacional avançou 87,9%, chegando a R$ 3,61 bilhões, enquanto o fluxo de caixa livre totalizou R$ 1,28 bilhão, com alta de 51,9%. A companhia também reduziu a dívida líquida em 33,7% no comparativo anual, encerrando o trimestre com R$ 5,98 bilhões em obrigações líquidas. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, caiu para 0,54 vez, ante 1,45 vez no primeiro trimestre de 2024.

Segundo a companhia, o ciclo de conversão de caixa melhorou em 11,4 dias no período, alcançando -6,6 dias no trimestre. A BRF também informou que realizou nova emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), com prazos de 15 e 20 anos, como parte de sua estratégia de alongamento da estrutura de capital.

O Capex (investimentos) no trimestre somou R$ 975 milhões, crescimento de 34,3% ante o primeiro trimestre de 2024. Os recursos foram destinados, principalmente, à modernização de unidades, automação de processos e ações de sustentabilidade.

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A companhia destacou que o trimestre reforça o ciclo de recuperação operacional iniciado em 2023, com crescimento orgânico em suas principais unidades de negócios. Em relatórios a investidores, a BRF também pontuou o fortalecimento das margens na divisão Brasil, estabilidade nas operações internacionais e continuidade das iniciativas de ganho de eficiência.

O CEO da BRF, Marcos Molina, ressaltou o trimestre com “números recordes”. Segundo ele, “a evolução do Ebitda e a contínua geração de fluxo de caixa livre demonstram o compromisso da gestão com a alocação eficiente de capital, com foco na disciplina financeira e na retomada da remuneração dos acionistas”.

Segundo ele, a estratégia de diversificação de mercados “tem sido fundamental para a evolução dos resultados”, assim como “o avanço da presença global da companhia, com foco em produtos de valor agregado em mercados estratégicos como Arábia Saudita e China”.

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