Economia
Fusão BRF-Marfrig: CVM suspende assembleia pela segunda vez
Adiamento atende pedidos de acionistas minoritários, que questionaram a falta de informações detalhadas sobre os termos da operação
Redação Agro Estadão
14/07/2025 - 13:09

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o mercado de capitais brasileiro, decidiu, por unanimidade, suspender e adiar a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da BRF que analisaria a incorporação da companhia pela Marfrig. A AGE estava marcada para ocorrer nesta segunda-feira, 14, no entanto, foi adiada pela segunda vez.
O adiamento atendeu a pedidos de acionistas minoritários, que questionaram a falta de informações detalhadas sobre os termos da operação, especialmente em relação à relação de troca e projeções financeiras, consideradas essenciais para a avaliação do negócio. A CVM condicionou o avanço da operação à entrega de documentos complementares, o que deve atrasar o calendário inicialmente previsto, gerando incertezas sobre a concretização do acordo.
Entenda
A fusão entre BRF e Marfrig, que busca criar a MBRF Global Foods Company — uma das maiores empresas globais do setor de proteínas — foi anunciada em maio deste ano. Entretanto, a conclusão do processo enfrenta resistência.
As companhias, inicialmente, tinham marcado para 18 de julho a assembleia geral com os acionistas. No entanto, um dia antes, a CVM adiou a reunião por 21 dias. A decisão atendeu ao pedido do acionista Alex Fontana, membro da família fundadora da Sadia. Na ocasião, Fontana alegou a insuficiência de documentos. O argumento foi aceito pela CVM.
Além disso, em 7 de julho, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) estabeleceu um prazo de 10 dias para que as empresas se manifestem sobre o questionamento protocolado pela Minerva, líder em exportação de carne bovina na América do Sul. A empresa alega riscos concorrenciais em caso de conclusão da operação, especialmente por conta da presença do fundo saudita Salic no capital tanto da Marfrig quanto da própria Minerva.
Encerrado o prazo, com ou sem manifestação, os autos devem retornar para nova análise do Cade.
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