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Economia

Exportadores de café e algodão alertam para prejuízos após atrasos no Porto de Santos

Análise é de que a fiscalização, embarque e desembarque, além de mudanças de escalas de navios prejudicam o fluxo de vendas

3 minutos de leitura

10/02/2024 | 07:00

Por: Daumildo Júnior | daumildo.junior@estadao.com

Navio atracado no Porto de Santos
Setor alerta que segundo semestre situação pode se agravar. Foto: Emanuel/Adobe Stock

O Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café) divulgou um boletim indicando que 85% das embarcações atrasaram ou tiveram mudança de escalas no Porto de Santos. Para a entidade, isso representa mais custos. 

“Nós falamos aqui de adição de custos das operações de embarque, como detentions, armazenagem adicionais, e que causam prejuízo para o comércio exportador de café do Brasil”, disse o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron.

Segundo ele, os atrasos têm gerado “dificuldades para o planejamento adequado logístico das empresas exportadoras de café”. Ele ressaltou que o café é uma commodity de saída internacional durante os 12 meses do ano. 

Quem também reclama dos problemas são os exportadores de algodão. Na avaliação de Miguel Faus, presidente da ANEA (Associação Nacional dos Exportadores de Algodão), os principais pontos são a falta de fiscais agropecuários e a diminuição do número de REDEX (Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação). 

“A gente sempre enfrentou problemas no Porto de Santos. E eles têm se agravado nesse último ano”, sublinhou Faus. Só em dezembro de 2023, foram mais de 350 mil toneladas de algodão que passaram por Santos. O porto também concentra 98% das linhas de exportação dessa matéria-prima, segundo o presidente da associação.

Ele explica que os fiscais agropecuários são responsáveis pela liberação das cargas e no caso dos recintos, eles funcionam como pontos de alfândega da Receita Federal. A quantidade desses lugares tem diminuído pois não conseguiram atender as exigências do órgão. 

Segunda metade de 2024 preocupa

Para ambos os setores, o segundo semestre deste ano pode ter o problema agravado, pois a expectativa e o histórico demonstram que são os meses de maior volume de tráfego . “No segundo semestre, a partir de setembro, outubro e novembro elas [exportações de algodão] voltam e a gente espera que a safra vai ser grande, uma safra recorde”, alertou Faus.

Preocupação também do Cecafé, que espera um fluxo maior de café para a metade final do ano.“Se nada for feito, urgentemente, nós vamos ter um 2º semestre deste ano um pouco mais desafiador”, alertou o representante dos exportadores de café.

As entidades também afirmaram que já estão em tratativas com os encarregados tanto privados quanto públicos. 

Em resposta ao Agro Estadão, a APS (Autoridade Portuária de Santos)  disse que a “atracação de navios no Porto de Santos está normal, sendo que alterações de escalas de embarcações são naturais e não significam atrasos”. Além disso, elencou que “as mudanças decorrem de diversos fatores como a conveniência dos operadores marítimos e portuários, clima, desembaraço documental e outras situações”.

A APS também apontou que “não interfere nas atividades das demais autoridades anuentes”. Também atestou que “todos os terminais são regulares em relação à Receita Federal no Porto de Santos”.

Também para ao Agro Estadão, a Receita Federal informou que atualmente existem 28 REDEX no Porto de Santos e um pedido de habilitação em análise. Segundo o órgão, “o número de recintos habilitados tem se mantido relativamente constante nos últimos cinco anos, com a eventual saída de alguns intervenientes e a entrada de outros”. 

O órgão federal também informou que “não há, no momento, previsão de alteração desses requisitos”, mas “ mantém canais para o recebimento de sugestões necessárias ao aprimoramento de suas normas”. 

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