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Economia

Concessão de crédito rural cresce e atinge R$ 220 bi em 2024, mostra Serasa

Valor representa um acréscimo de R$ 271,6 milhões em relação a 2023, de acordo com o comparativo feito pela empresa

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Broadcast Agro

27/05/2025 - 14:40

Necessidade de crédito do agronegócio brasileiro ultrapassa R$ 1 trilhão por ano - Foto: Adobe Stock
Necessidade de crédito do agronegócio brasileiro ultrapassa R$ 1 trilhão por ano - Foto: Adobe Stock

O crédito rural e agroindustrial somou R$ 219,7 bilhões no Brasil ao longo de 2024, segundo levantamento exclusivo da Serasa Experian obtido pelo Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O valor representa um acréscimo de R$ 271,6 milhões em relação a 2023, de acordo com o comparativo feito pela empresa. Apesar da estabilidade no volume total, o tíquete médio por operação caiu, passando de R$ 193 mil para R$ 183 mil. O total de novos contratos formalizados alcançou cerca de 1,4 milhão no ano passado.

Em entrevista exclusiva, o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, explicou que o recuo no valor médio por operação reflete o encarecimento do crédito e a mudança de postura dos produtores diante do cenário de juros elevados e da maior exigência de garantias. “Quando você entra num ambiente de crédito mais restrito, o credor leva mais tempo para aprovar, exige mais garantias e o dinheiro fica mais caro. O produtor passa a tomar menos”, disse.

CONTEÚDO PATROCINADO

Segundo ele, o agronegócio brasileiro tem uma necessidade de crédito que ultrapassa R$ 1 trilhão por ano, mas boa parte da demanda não é atendida. “A necessidade gira entre R$ 1,2 trilhão e R$ 1,3 trilhão por ano. O produtor acessa primeiro o recurso próprio, depois o crédito do Plano Safra, em seguida o barter e, por último, o crédito privado. Se o juro fosse mais baixo e a transparência maior, o volume de concessões cresceria muito”, afirmou.

O levantamento aponta que a Região Sul concentrou o maior volume de crédito rural e agroindustrial em 2024, com R$ 67 bilhões liberados. Em seguida, vieram o Centro-Oeste (R$ 61 bilhões), o Sudeste (R$ 45 bilhões), o Nordeste (R$ 26 bilhões) e o Norte (R$ 16 bilhões). O Rio Grande do Sul liderou entre os Estados, com destaque para as linhas emergenciais liberadas após perdas climáticas. “O volume no Sul teve relação direta com os episódios climáticos e o uso das linhas de auxílio”, disse Pimenta.

A análise por perfil de tomador revelou um crescimento de 17% no número de contratos realizados por produtores sem registro rural formal – categoria que engloba arrendatários e membros de grupos econômicos. Pimenta explicou que a prática é legal e comum no setor. “Muitas vezes, em uma mesma propriedade, vários membros da família tomam crédito para áreas distintas. Também é comum o produtor arrendar uma fazenda, produzir nela e tomar financiamento sobre essa área”, afirmou.

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Os pequenos produtores foram os únicos a registrar aumento no tíquete médio por contrato, com alta de 1,6%, para R$ 104,7 mil. O movimento, segundo a Serasa, está associado ao uso de linhas emergenciais em áreas atingidas por eventos climáticos. “No Rio Grande do Sul, vimos muitos contratos de curto prazo com valores maiores para pequenos produtores afetados por perdas climáticas”, explicou.

A Serasa também identificou uma piora na capacidade de pagamento dos produtores rurais. A pontuação média do Agro Score caiu de 619 para 611 pontos entre o quarto trimestre de 2023 e igual período de 2024. “A capacidade de pagamento está diminuindo. Ou porque o produtor está mais alavancado ou porque os custos para produzir aumentaram e a renda não acompanhou”, disse Pimenta. “Se antes ele tinha capacidade para tomar R$ 100 mil, agora é R$ 90 mil, mas ele ainda precisa dos mesmos R$ 100 mil. Isso aumenta o risco de inadimplência.”

O Agro Score é a ferramenta da Serasa para avaliação de risco no campo e combina dados financeiros com imagens de satélite para estimar a geração de caixa de cada talhão produtivo. Segundo o executivo, a tecnologia permite identificar com mais precisão o risco de crédito. “Se uma área sempre produziu 60 sacas por hectare e agora projeta 30, a receita vai cair e o risco aumenta. Também é possível ver se, em crises anteriores, o produtor manteve os pagamentos”, afirmou.

O cenário de recuperação judicial no setor também entrou na análise. Segundo Pimenta, os pedidos de RJ ainda representam parcela pequena em termos absolutos, mas geram insegurança entre credores. “Em 2024, tivemos 1,4 milhão de concessões de crédito e 500 pedidos de RJ. É ínfimo, mas a percepção de risco sozinha já contamina o ambiente”, disse. “A política de crédito fica mais rígida e o juro sobe.”

A preocupação maior da Serasa está no risco crescente nas carteiras das revendas de insumos. “Quando olhamos os papéis nas mãos das revendas, o risco mais que dobrou em um ano. O produtor, muitas vezes, consegue se reorganizar porque a terra continua produzindo. Já a revenda depende do recebimento para girar”, explicou.

O relatório mostra ainda que os volumes de crédito rural tendem a ser maiores no terceiro trimestre de cada ano, por causa da sazonalidade do setor. Em 2024, essa variação foi menos acentuada, com movimentação mais estável ao longo dos trimestres. Os dados da pesquisa consideram 9,9 milhões de produtores rurais com acesso autorizado ao Cadastro Positivo e/ou registro de atividade como pessoa física.

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