Economia
Com expectativa de novo recorde, colheita do milho safrinha começa no Brasil
O clima, que inicialmente desafiou a janela de plantio no maior estado produtor, mudou, levando otimismo ao campo
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
22/05/2025 - 08:00

A colheita da safrinha de milho 2024/25 começou em regiões pontuais do Brasil. Dependendo das condições climáticas, o volume nesta temporada pode atingir um novo recorde.
Enquanto a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) segue cautelosa, projetando uma produção em quase 100 milhões de toneladas para a segunda safra de milho, com alta de 10,8% em relação à temporada anterior (90 milhões de toneladas), consultorias privadas cravam números mais otimistas.
É o caso da Agroconsult, que, nesta quarta-feira, 21, estimou uma super safrinha: 112,9 milhões de toneladas — 10,5% a mais frente ao levantamento da consultoria no último ciclo (102,2 milhões). Esse cenário é puxado, principalmente, pelo incremento de produtividade em quase todos os principais estados produtores, com exceção de Goiás, onde deve haver um recuo de 0,8%.
Estimativa de produtividade – Milho 2ª safra (2024/25)

Início dos trabalhos de colheita
No Paraná, segundo maior produtor de milho safrinha no Brasil, boa parte das lavouras já está em fase de maturação fisiológica. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), a colheita por lá já se iniciou em alguns municípios, chegando a 1% da área total semeada.
As chuvas recentes contribuíram para o desenvolvimento das lavouras paranaenses, apesar de terem causado acamamento em pontos isolados. “Mesmo nas áreas onde choveu pouco, as temperaturas mais amenas e o sereno durante a noite vêm mantendo as lavouras em boas condições até o momento”, informa o Deral em boletim. O órgão, no entanto, alerta que algumas áreas semeadas no início da safra registram perdas significativas.
Clima surpreende em MT
Já em Mato Grosso, principal produtor nacional do grão, o cenário, que, inicialmente, se desenhava desafiador — com atraso na semeadura da soja e excesso de chuvas na colheita da oleaginosa —, mudou.
O clima acabou surpreendendo de forma positiva, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. “Tudo isso [atraso no ciclo da soja] colaborou para que houvesse um atraso na época normal de semeadura de milho. Porém, pelas chuvas se prolongarem acima do normal, teremos uma boa safra de milho esse ano”, projeta ao Agro Estadão Lucas Beber, presidente da Associação Brasileira dos produtores de soja e milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT)
Segundo ele, um dos pontos de atenção foi a redução da área plantada, estimada em cerca de 7,1 milhões de hectares — abaixo dos 7,5 milhões registrados há dois anos. Com isso, outras culturas acabaram ocupando parte dessa área que seria destinada ao milho.
Além disso, Beber indica que a atual safra foi marcada também por forte pressão de pragas, especialmente lagartas, em função da perda de eficácia das biotecnologias disponíveis. “Praticamente todos os produtores tiveram que fazer pelo menos cinco aplicações para controle de lagartas, o que elevou bastante os custos”, destaca Lucas.
Ele ressalta ainda outro risco que acompanha o fim do ciclo: danos causados por fungos nas espigas, devido ao excesso de umidade. Segundo o presidente da Aprosoja-MT, isso pode comprometer o peso e a qualidade dos grãos. “Mas, no geral, foi um ano bom, que choveu acima do esperado”, pondera.
De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a produção no estado deve alcançar 48,83 milhões de toneladas — volume abaixo do recorde histórico (52,5 milhões de toneladas na safra 2022/23) —, mas, ainda assim, configurando-se como uma das melhores safras já colhidas em Mato Grosso.
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