Economia
Brasileira Global Eggs conclui compra da Hillandale Farms nos EUA e espera faturar US$ 2,5 bi em 2025
Granja Faria inicia operações em Pernambuco com aquisição de granja Tamago
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
13/05/2025 - 15:00

A Global Eggs, holding controladora da Granja Faria, anunciou a finalização do processo de compra da Hillandale Farms. De acordo com a companhia, os valores da negociação giram na casa de US$ 1,1 bilhão. Com isso, a expectativa do grupo é que 2025 termine com um faturamento de US$ 2,5 bilhões.
A conclusão do acordo foi divulgada oficialmente em entrevista coletiva feita pelo brasileiro controlador da Global Eggs, Ricardo Faria, nesta terça-feira, 13. “Este ano, essa estratégia da Global Eggs vai chegar, tranquilamente, a US$ 2,5 bilhões de faturamento. Essas mesmas três empresas (Granja Faria, Hevo Group e Hillandale Farms, que fazem parte da holding) no ano passado faturaram US$ 2 bilhões vendendo ovo”, disse.
Ele destacou que a aquisição teve que ser tratada com certo sigilo devido à complexidade do assunto e da estrutura da Hillandale Farms. “A operação dos Estados Unidos é maior do que a operação do Brasil e da Europa juntos, dada a complexidade, dada a cadeia de distribuição”, afirmou. A nível de comparação, a granja americana produz mensalmente 38 milhões de dúzias de ovos. A Granja Faria, no Brasil, produz cerca de 40 milhões de dúzias — números aproximados de 2024, enquanto a Hevo Group, na Europa, produz 8 milhões de dúzias.
Nos Estados Unidos, a holding deve ter um crescimento “orgânico”, segundo informou Faria. Mesmo com a crise causada pela gripe aviária, o plantel da Hillandale Farms não perdeu aves, o que não afetou a operação da empresa por lá. Além disso, há um acordo para a expansão do plantel. “Nós assumimos o compromisso com o consumidor americano de ampliar em 1 milhão de aves o nosso plantel de 20 milhões de aves em 12 meses, ou seja, a gente vai aumentar a nossa produção [de ovos] na faixa de 5%”, destacou.
Pé no Nordeste e novas aquisições
O apetite por novas compras parece não ter finalizado. O brasileiro explicou que o endividamento da holding está baixo, o que permite novas incursões, mesmo que não seja nos Estados Unidos.
“O nosso endividamento com essa aquisição continua muito baixo. A gente sempre falou que gostava de ver o endividamento entre 1x o Ebitda e 2x. A gente vai fechar esse ano com o endividamento menor do que 1x, entre 0,5x e 1x, ou seja, a gente continua com fôlego para olhar para o lado. E onde a gente está mais olhando para o lado? Na Europa”, projeta.
Em abril, a Hevo Group adquiriu outra granja, a Legari, na Espanha, mas os valores não foram divulgados. Também no mês passado, a Granja Faria comprou a Tamago, em Pernambuco. segundo Faria, a estratégia é entrar “cada vez mais forte no Nordeste”.
IPO ficou para depois
O controlador da Global Eggs também foi enfático ao tratar de uma abertura de capital na bolsa de valores — processo conhecido como IPO. Ele disse que essa não é a prioridade da holding e que isso não irá acontecer neste ano.
“Os processos de eficiência e de crescimento que a gente queria fazer a gente fez. A ideia com o IPO era crescer e eu acho que nós temos plataformas de crescimento nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil que não necessitem o IPO. Pode ser que a gente volte a falar desse assunto em 2026? Pode ser sim, mas hoje o IPO é um não assunto”, afirmou. Ele também apontou que caso aconteça o IPO em algum dia, será em uma bolsa americana.
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