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Economia

Boa Safra prepara investimento em laboratório para testagem de biológicos em sementes

CEO da empresa acredita que futuro pode trazer soluções de tratamento de semente 100% a base de biológicos

Nome Colunistas

Daumildo Júnior* | Cabeceiras (GO) | daumildo.junior@estadao.com

21/07/2024 - 08:30

Foto: Boa Safra/Divulgação
Foto: Boa Safra/Divulgação

A sementeira Boa Safra planeja ter em 2025 um laboratório de testes para tratamento com biológicos em sementes. O anúncio foi feito pelo CEO da empresa, Marino Colpo, durante um evento que tratou da qualidade da semente e aconteceu na Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS) de Cabeceiras (GO). Os valores, a data específica de lançamento e o local do laboratório ainda não foram divulgados, mas os biológicos são a aposta da empresa goiana para os próximos anos. 

“A gente vê que é uma tendência do mercado, é a nova fronteira de tecnologia. […] Temos a ambição em alguns anos de oferecer um tratamento 100% biológico para os nossos clientes”, disse Colpo ao Agro Estadão. Ele também esclareceu que o novo espaço não será, inicialmente, para o desenvolvimento de pesquisas, mas sim de testes com produtos de outras empresas.

CONTEÚDO PATROCINADO

O executivo explicou que o projeto tem alguns detalhes para serem fechados, como o levantamento final do orçamento e a aprovação interna para o início das obras. No entanto, ele revelou que a intenção é fazer um complexo de experimentos com laboratório e uma área rural para testagens em campo. Um dos temas que devem ser decididos é se esse laboratório será feito na cidade ou em alguma área rural em Cabeceiras, perto da UBS. 

Além disso, no próximo mês, uma comitiva da empresa irá viajar aos Estados Unidos para visitar outras estruturas. Como esclarece o gerente executivo de TSI, Tulio Pytlak, a finalidade é entender as tendências internacionais do mercado de biológicos.  

“A viagem para os Estados Unidos é um start para esse projeto, onde nós vamos conhecer algumas empresas de biológicos, tentar entender as tendências de mercado, inclusive de fora do Brasil. Vamos conhecer também algumas fábricas de tratadores de sementes. […] O objetivo é conhecer e entender as tecnologias que ainda não são aplicadas no Brasil para a gente poder trazer o que há de mais tecnológico”, assegurou Pytlak ao Agro Estadão. 

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A estratégia segue em sintonia com adaptações promovidas recentemente nas unidades de distribuição da empresa, que já contam com sistemas de refrigeramento dos grãos e equipamentos capazes de fazer parte do tratamento das sementes. “Alguns biológicos tem uma sensibilidade à temperatura. Então, quanto mais próximo a gente tiver da entrega ao produtor, melhor”, completou o gerente executivo.

Empresa já vem testando novas soluções à base de biológicos

Atualmente, a Boa Safra já oferece sementes com biológicos em dois dos três tipos de comercialização, sendo um para ajudar na absorção de nitrogênio pela planta e outro para combater nematóides. O CEO também contou que a empresa já vem testando outras soluções que poderão ser incorporadas nas sementes nas próximas safras. 

“Temos testados produtos para seca, para aumento de raízes e nódulos, produtos para aumentar a absorção dos nutrientes do solo e também biofungicidas e bioinseticidas. A gente acredita que nos próximos anos vamos ser capazes de vender sementes mais personalizadas e com muitas opções para o cliente”, apontou Colpo que também disse que esses testes são feitos em laboratórios de terceiros e por isso a necessidade de um espaço específico para isso.

A empresa é a maior sementeira de soja do Brasil, mas o CEO também vê a possibilidade de expansão para outras culturas. Em 2023, 93% do portfólio de vendas foi com soja, porém de 2022 para 2023, as demais culturas cresceram de 2% para 7%. O tratamento com o uso de biológicos também deve chegar às demais cultivares vendidas pela Boa Safra, que têm variedades de trigo, milho, sorgo, feijão e braquiária. 

“Hoje, a grande tendência não é só vender a semente, mas sim vender a semente e recobrir ela com soluções que resolvam o problema do produtor. Em tese, a gente quer vender uma semente ‘vacinada’, que ela já vá protegida contra problemas”, concluiu Colpo.

*Jornalista viajou a convite da Boa Safra

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