Economia
Banco do Brasil registra baixa adesão à linha subsidiada de renegociação de dívidas
Banco do Brasil concentra maior parte dos R$12 bi em crédito controlado; renegociações avançam com recursos livres nos primeiros 21 dias
Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com
13/11/2025 - 11:22

O Banco do Brasil renegociou R$ 5,9 bilhões em dívidas rurais, segundo balanço dos 21 primeiros dias de operações da Medida Provisória 1.314/25. De acordo com o documento, divulgado nesta quinta-feira, 13, o banco recebeu R$ 4,3 bilhões dos R$ 12 bilhões em recursos controlados previstos pela MP, mas, até agora, somente R$ 448 milhões, pouco mais de 10% do total destinado à instituição foram utilizados — contrariando a expectativa de intensa demanda pela linha com juros menores.
A maior parte do volume renegociado, R$ 5,4 bilhões, diz respeito às operações com recursos livres (do próprio banco). Ao todo, 4,9 mil produtores tiveram dívidas revistas em todas as regiões. Em nota, o BB afirmou que “a medida vem permitindo ao produtor reorganizar sua vida financeira com rapidez e segurança”.
As renegociações, segundo o banco, começaram em 22 de outubro, primeiro dia de vigência da MP, quando o BB passou a receber propostas em todo o País. A região Centro-Oeste teve o maior número de contratações, 33%. Sudeste e Sul participam com 27% e 21%.
As operações com recursos controlados começaram a ser acolhidas dois dias depois. Entre essas solicitações, 92% foram realizadas em agências do Rio Grande do Sul, Estado que vêm registrando sucessivas perdas de safra.
No entanto, ainda há propostas em análise. A instituição calcula mais R$ 11,4 bilhões em operações com recursos livres e outros R$ 721 milhões nas linhas com fontes supervisionadas. Esses valores envolvem cerca de 8 mil clientes.
O banco criou um programa específico para as tratativas ligadas à MP, o BB Regulariza Agro, “que utiliza recursos livres, o produtor pode liquidar, amortizar ou alongar dívidas de custeio, investimento e CPRs, inclusive aquelas que já foram prorrogadas, renegociadas ou que estejam adimplentes”. O prazo chega a nove anos, com carência de até um ano. A ferramenta atende regiões afetadas por eventos climáticos que elevaram o endividamento no Sistema Nacional de Crédito Rural.
O banco ressaltou ainda, por meio da nota, que oferece outras alternativas previstas no Manual do Crédito Rural para casos que não se enquadram nas condições da MP. A instituição afirma que orienta cada produtor conforme o histórico das operações e o impacto das perdas de safra.
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