Economia
Apicultores de MG buscam novos mercados para contornar tarifas dos EUA
Enquanto negociam acesso à Suíça, apicultores do norte de Minas esperam inclusão do mel na merenda escolar para evitar colapso no setor
Redação Agro Estadão
04/12/2025 - 05:00

A vigência das tarifas dos Estados Unidos sobre as exportações de mel do Brasil está desafiando os apicultores. No norte de Minas Gerais, principal região produtora do Estado, cerca de 140 produtores estão sendo afetados.
Nessa mesma época de 2024, o grupo, organizado na Coopemapi — Cooperativa de Apicultores com entreposto em Bocaiúva (MG) —, tinha comercializado três contêineres de mel a um único cliente nos EUA. O volume foi equivalente a 23 toneladas de mel, que renderam US$ 800 mil em receita.
Neste ano, porém, o cenário é totalmente diferente. O mesmo cliente desistiu da compra devido às tarifas adicionais impostas pelo governo Trump desde o início de agosto. “Vamos sentir o impacto maior dessas tarifas comerciais e instabilidade econômica de agora para frente, mediante também as ações que o governo brasileiro vai tomar. Ainda não vimos efetivamente ações concretas”, afirma Luciano Fernandes de Souza, presidente da Coopemapi.
Segundo ele, a cooperativa já participou, junto à Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), de quatro reuniões com representantes do governo federal. “Levamos uma pauta com dez pontos importantes. Alguns já foram encaminhados, outros ainda estamos esperando retorno do que foi solicitado, como é o caso da distribuição do mel na merenda escolar. Estamos acompanhando e solicitando informações e reuniões”, disse.

Mercado europeu é alternativa, mas há desafios
Com a inviabilidade de acesso ao mercado norte-americano, principal cliente no exterior, os apicultores buscam alternativas. Uma das opções que vem sendo negociada é o acesso ao mercado da Suíça. Segundo a Coopemapi, as negociações já estão em andamento e, se forem concretizadas, podem abrir caminho não só para escoar o produto que ficou parado, mas também para consolidar um mercado europeu permanente.
Entretanto, há o desafio da ampliação de certificação orgânica para mais 100 produtores. De acordo com Souza, esse é um requisito relevante para acessar os mercados suíço e europeu. “Possibilidade de mercado sempre tem, mas, para abrir este mercado, precisamos das certificações e de capital de giro para montar as casas de mel dos produtores. Temos dois contratos que suprem toda a demanda, mas precisamos ampliar as certificações e preparar as casas”, afirma o presidente da cooperativa.
A certificação exigida para acesso a novos mercados, no entanto, leva de 60 a 90 dias para ser obtida. Enquanto isso, o entreposto do norte de Minas segue operando com capacidade média de beneficiamento de 120 toneladas de mel por ano.
Em 2024, Minas Gerais ocupou a quarta posição no ranking nacional de produção de mel, com 7,3 mil toneladas produzidas. Conforme o supervisor do Programa ATeG Apicultura do Sistema Faemg/Senar, Luan Dourado, o mel produzido no norte de Minas tem qualidade reconhecida internacionalmente, como o mel de aroeira. No entanto, ele alerta: “O produtor que quer crescer precisa enxergar a atividade como um negócio rural, aprimorar o manejo e a parte gerencial. Só assim, ele poderá buscar este mercado externo.”
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