Economia
Agências rebaixam grau da Raízen e alertam para risco de inadimplência
Em suas decisões, Fitch, S&P e Moody’s citam juros bilionários, queima de caixa e incertezas sobre apoio dos acionistas
Redação Agro Estadão
10/02/2026 - 13:53

A Raízen, maior produtora de açúcar e etanol do Brasil, perdeu o grau de investimento após uma sequência de rebaixamentos promovidos pelas principais agências de classificação de risco. Citando o alto nível de endividamento e o aumento do risco de uma reestruturação da dívida, as agências S&P Global Ratings, Fitch Ratings e Moody’s reduziram a nota de crédito da companhia no início desta semana.
A S&P fez o corte mais severo. Na segunda-feira, 09, a agência reduziu a nota global da Raízen de ‘BBB-’ para ‘CCC+’. O rebaixamento de sete níveis colocou o rating em observação negativa.
No comunicado, a agência avaliou que a decisão foi tomada, uma vez que, acredita-se que a empresa continuará pagando cerca de R$ 9,5 bilhões por ano em juros e que a queima de caixa deve elevar a alavancagem para cerca de seis vezes até a safra 2026/27.
A Fitch também rebaixou o rating da companhia duas vezes no mesmo dia. Pela manhã, a agência havia reduzido a nota de ‘BBB-’ para ‘B’, mantendo a observação negativa. Mais tarde, após a divulgação de um fato relevante pela empresa (saiba mais abaixo), a Fitch fez novo corte, levando o rating para ‘CCC’, tanto na escala global quanto na nacional. Segundo a agência, essa classificação indica risco elevado de inadimplência ou de um processo semelhante a calote.
Já a Moody’s, que havia rebaixado a nota da Raízen em novembro de 2025, na ocasião, para grau especulativo, reduziu novamente o rating na segunda-feira: de ‘Ba1’ para ‘Caa1’, com perspectiva negativa. Na justificativa para a redução, a agência destacou que a empresa contratou assessores financeiros e jurídicos para estudar alternativas para reforçar o caixa e reorganizar sua estrutura de capital, aumentando o risco de uma renegociação de dívidas em condições desfavoráveis aos credores.
Em relatório, a Moody’s afirmou ainda que, diante do elevado endividamento, da geração de caixa ainda fraca e da incerteza sobre um possível aporte de capital dos acionistas — Shell e Cosan que formam a joint venture Raízen —, cresceu a possibilidade de uma reestruturação da dívida ou de um evento de inadimplência.
Dívidas de mais de R$ 50 bilhões
Em comunicado pela manhã, a Raízen informou ao mercado que avançou com a contratação de assessores para avaliar caminhos financeiros diante de seus desafios recentes — dados do mercado estimam a dívida total da companhia em mais de R$ 50 bilhões.
Segundo a companhia, na ocasião, buscava-se por consultorias especializadas para estudar alternativas estratégicas voltadas ao reforço de caixa e à reorganização de sua estrutura de capital. A companhia destacou que, até aquele momento, não havia qualquer decisão tomada nem negociação em andamento envolvendo operações específicas.
Já no período da noite, após as 20h, a Raízen anunciou que concluíra essa etapa inicial e definido seus assessores, sendo, o banco Rothschild & Co escolhido como assessor financeiro, enquanto os escritórios Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton atuarão como assessores legais. De acordo com o comunicado, os assessores já iniciaram, junto com a administração da empresa, a análise de alternativas econômico-financeiras.
A Raízen reforçou que essas avaliações ainda são exploratórias e não representam, por ora, a assinatura de contratos ou compromissos ligados a eventuais transações, como venda de ativos ou renegociação de dívidas. A empresa também ressaltou que segue comprometida com a continuidade normal de suas operações.
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