PUBLICIDADE

Economia

Acordo de livre comércio Mercosul-China traria US$ 14,6 bilhões para o Agro brasileiro, aponta pesquisa

CNA é a favor de abertura de novos mercados e vê oportunidade ainda neste ano para discussão do tema

Nome Colunistas

Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

20/09/2024 - 08:00

Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) calculou cenários em um eventual acordo de livre comércio Mercosul-China. O setor mais beneficiado seria o da agropecuária, com um incremento de US$ 14,6 bilhões nas negociações com o país asiático entre 2024 e 2035. 

De acordo com o estudo, o segmento de carne suína e de aves teria uma expansão de 15,7%, o que corresponde a aproximadamente US$ 5 bilhões a mais. Sementes oleaginosas, como soja, teriam R$ 2,1 bilhões a mais e óleos vegetais mais R$ 1,8 bilhão. 

CONTEÚDO PATROCINADO

No caso da carne bovina, a pesquisa vê que o “ganho registrado na produção de carne de bovinos seria pequeno (US$ 235,9 milhões)”. Porém, os pesquisadores ressaltam que houve crescimento nas vendas brasileiras nos últimos anos, sendo “possível especular que os ganhos efetivos seriam bem maiores, considerando o rápido crescimento da demanda chinesa e o fato de que o Brasil vem ocupando espaço de outros fornecedores internacionais”. 

Em contrapartida, alguns itens perderiam espaço. É o caso das fibras naturais, que teriam um recuo de 6%, aproximadamente US$ 167,9 milhões, e do arroz, que teria uma perda de 5,8% correspondente a US$ 265,2 milhões. 

Apesar dos resultados, a pesquisa também alerta que os ganhos gerais podem ser diferentes, já que a base de dados é de 2014. “É muito provável que os efeitos setoriais do acordo seriam diferentes caso os dados básicos fossem mais recentes”, afirmam os pesquisadores.

PUBLICIDADE

CNA vê oportunidade para discussão do tema

Atualmente, não existe um trabalho efetivo de negociação entre o Mercosul e a China para um acordo de livre comércio. No entanto, na visão da diretora de Relações Internacionais da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Mori, há uma oportunidade para iniciar a discussão sobre o assunto e o estudo pode ajudar nessa reflexão. 

“Neste ano estamos fazendo 50 anos das relações diplomáticas Brasil-China, então acho que é um momento bom para fazer essa reflexão sobre a nossa relação com a China. […] Os 50 anos, a vinda do Xin Jinping [presidente chinês] para o G20, tudo isso gera um momento apropriado para a gente discutir a nossa relação com a China”, comenta a diretora ao Agro Estadão. 

Apesar disso, Mori pondera que um acordo desse nível não é uma decisão setorial e nem mesmo só de um país, já que envolve um bloco econômico. Além disso, tem que ser avaliado outros aspectos já que a mesma pesquisa também traz que setores como da indústria têxtil, artigos de vestuário e de produtos eletrônicos registrariam perdas com a concorrência de mercado. 

A especialista em assuntos internacionais também analisa que as tensões geopolíticas podem influenciar nas questões comerciais, mas não coloca isso como um empecilho para possíveis acordos. “A nossa diplomacia é muito experiente e conhecida pelo pragmatismo, o que beneficia muito nas questões comerciais, assim como as tensões geopolíticas. É preciso estar atento a isso, mas mantendo o pragmatismo, principalmente no Agro”, afirma. 

CNA assume presidência da Farm

Na última semana, a CNA assumiu a presidência rotativa da Federação das Associações Rurais do Mercosul (Farm). A reunião que oficializou a nova presidência até setembro de 2025 aconteceu em Montevidéu, no Uruguai. 

“A gente tem uma proposta, um desenho inicial de um plano de trabalho e que está bem permeado de um fortalecimento da atuação como bloco em defesa diante de medidas protecionistas, unilaterais, como a legislação antidesmatamento da União Europeia”, disse a diretora da CNA que participou do evento. 

Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Escassez e alta no preço do diesel se espalham e colocam o agro brasileiro em alerta

Economia

Escassez e alta no preço do diesel se espalham e colocam o agro brasileiro em alerta

Agricultores no Paraná e em Mato Grosso, além do Rio Grande do Sul, denunciam disparada do diesel em meio aos trabalhos de colheita e plantio

Importações de soja pela China recuam com atrasos no Brasil e nos EUA

Economia

Importações de soja pela China recuam com atrasos no Brasil e nos EUA

Apesar de volume ficar abaixo do ano passado, resultado superou as previsões do mercado e reforça expectativa de retomada nos próximos meses

Raízen pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65,1 bi

Economia

Raízen pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65,1 bi

Empresa diz que processo é financeiro e que operações com clientes e fornecedores seguem normais

Diesel sobe no Centro-Oeste e entidade pede intervenção

Economia

Diesel sobe no Centro-Oeste e entidade pede intervenção

Associação de caminhoneiros denuncia reajustes em postos e pede atuação de órgãos reguladores contra abusos

PUBLICIDADE

Economia

Exportações de café do Brasil recuam 27% no bimestre e vendas aos EUA têm forte queda

Real valorizado e produtores capitalizados, vendendo de forma gradual, ajudam a explicar a queda nas exportações, diz Cecafé

Economia

Produtores dos EUA pedem ajuda federal com disparada dos fertilizantes

Bloqueio marítimo e tarifas comerciais elevam custos e ameaçam início da nova safra no Cinturão do Milho

Economia

Belagrícola pede recuperação extrajudicial unificada

Petição apresentada à Justiça reúne apoio de 51,31% dos créditos e contesta decisão que rejeitou estrutura original

Economia

Aprosoja Brasil cobra medidas contra restrição de diesel no campo

Aprosoja alerta para risco de desabastecimento e preços abusivos após cancelamentos de entregas no RS

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.