Economia
Abrafrutas mantém cautela com tarifas dos EUA, mas vê acordo Mercosul-UE em 2025
Apesar da abertura de diálogo, associação considera imprevisíveis as decisões do governo norte-americano sobre a redução das tarifas
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
05/11/2025 - 05:00

Enquanto mantém cautela em relação à redução das tarifas adicionais de 50% dos Estados Unidos, a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) avalia que o Acordo Mercosul–União Europeia (UE) está mais próximo de ser concluído do que nunca.
Para o gerente técnico e de projetos da entidade, Jorge de Souza, o cenário europeu evoluiu positivamente nos últimos meses, mas as decisões de Washington continuam imprevisíveis, dependendo de fatores políticos. Segundo ele, há um clima mais favorável para o avanço das negociações entre Mercosul-UE, uma vez que países que antes se mostravam resistentes agora se mostram mais flexíveis.
Nesse contexto, Souza acredita que as tensões comerciais globais, especialmente após as medidas protecionistas adotadas pelos EUA, desencadearam uma mudança estratégica no governo de países como a França. “Todo mundo percebeu que quem está alinhado, do ponto de vista de estratégia, é melhor se unir, porque unidos eles estarão numa posição melhor do que se ficarem separados. Então, eu acho que é bem provável que [o acordo Mercosul-UE] seja assinado até o final do ano”, disse nesta terça-feira, 4, durante webinar.
Tarifas dos EUA
O mesmo entusiasmo, porém, não se aplica à possível redução das tarifas norte-americanas. Apesar do otimismo gerado após o encontro entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos EUA, Donald Trump, o dirigente da Abrafrutas descreve as ações do governo norte-americano como “imprevisíveis”. Para ele, ainda que haja sinais de que os EUA possam rever parte das restrições, não há clareza sobre quando, quanto e quais setores serão contemplados.
Mesmo com uma possível flexibilização, Jorge avalia que as decisões seguirão pautadas por interesses comerciais internos. “O Trump é uma pessoa 100% de negócios e ele só está olhando a parte de negócios. Então, ele percebeu que, talvez, aquele nível de restrição imposta era demasiado, que poderia, inclusive, afetar a economia americana, como está afetando. Então, acredito que é possível que ele recue alguma coisa, mas não sabemos quanto, nem quando. […] Eu até acho que a fruticultura é um dos setores que podem ser beneficiados, antes de outros setores da indústria, sim”, destacou.
Expansão das exportações de frutas aos EUA está travada
As tarifas atuais afetam diretamente o envio de frutas como manga, uva, melão, mamão e até o gengibre, que está dentro do guarda-chuva da Abrafrutas. Mas, além disso, a medida trava ainda a expansão do setor nos EUA.
Uma das frustrações apontadas por Jorge é com a abertura do mercado norte-americano ao limão taiti e à lima ácida do Brasil. Segundo ele, as negociações ocorrem há mais de 20 anos. Porém, as tratativas estão paralisadas atualmente. O mesmo ocorre com o avocado brasileiro, cujo processo técnico de habilitação foi concluído, mas segue sem decisão definitiva dos EUA. “Resolver essa questão não é só eliminar tarifas, é destravar oportunidades que estão paradas há décadas, com potencial de gerar milhões de dólares em exportações imediatas”, afirmou.
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