Cotações
Virada de semestre: o que esperar da pecuária e das principais culturas?
Alta na arroba e recuperação do bezerro sinalizam novo ritmo na pecuária, enquanto soja, milho e café enfrentam desafios de comercialização
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
10/06/2025 - 08:00

A pecuária de corte começa a dar sinais mais claros de reação, e o comportamento do mercado nesta virada de semestre exige atenção do produtor. A combinação de menor oferta de bois terminados e aumento da participação de fêmeas no abate começa a mexer com os preços da arroba e impulsionar a valorização do bezerro, mesmo que de forma ainda pontual.
Segundo análise da Markestrat, o boi gordo registrou alta de 1,52% no mercado físico na última semana e ganhos de 1,46% e 1,18%, respectivamente, nos contratos futuros de julho e novembro. O bezerro também reagiu na semana, com valorização de 0,94%, revertendo parte das perdas acumuladas no mês.
Mas a recomendação para o pecuarista é cautela. “Evite compras antecipadas de reposição a qualquer preço, pois a valorização do bezerro ainda não é consolidada e o mercado permanece sensível à oferta”, alertam os especialistas.
Além da pecuária, veja o que esperar para as principais culturas:
Soja
Na última semana, a soja voltou a sofrer pressão nos contratos futuros, com quedas entre 1,16% e 2,16%. Por outro lado, o preço da saca no mercado físico teve leve alta (+0,78%), sustentado pela qualidade dos grãos armazenados e demanda regional pontual.
Com o avanço do vazio sanitário em estados como Mato Grosso e Paraná, e uma produção robusta no Mato Grosso do Sul, o desafio será comercializar diante de uma oferta ampla. Neste caso, a Markestrat recomenda: “O momento pode ser oportuno para escoar parte do estoque no mercado regional. No entanto, exposição total no mercado físico pode não ser interessante.”
Óleo e farelo de soja
No mercado de subprodutos da soja, a semana foi de perdas: o farelo caiu entre 1,50% e 1,56%, pressionado por um esmagamento forte e demanda externa enfraquecida. Já o óleo de soja recuou 5,08%, com margens negativas no refino e concorrência internacional desfavorável.
Como estratégia para este momento, os especialistas indicam evitar comercialização de grandes volumes de farelo e considerar redirecionar volumes para contratos de exportação.
Milho
No milho, o cenário é de contrastes. O mercado físico acumulou queda de 11,15% em maio, refletindo o avanço da colheita da safrinha e, por consequência, uma oferta elevada. Em contrapartida, os contratos futuros começam a se recuperar, com altas entre 1,88% e 2,62%, puxadas por preocupações climáticas no Paraná e especulação em torno da safrinha.
Neste caso, o produtor deve ficar atento à evolução da safrinha e da safra norte-americana. “Riscos climáticos podem alterar totalmente o cenário atual do mercado”, destaca o relatório.
Trigo
Mesmo com leve alta semanal (+0,63%), no último mês, o mercado físico do trigo acumulou queda de 6,49% no mês. A semeadura avança no Brasil, com expectativa de redução da área. Em contrapartida, na Argentina, principal mercado fornecedor de trigo para o Brasil, espera-se uma safra maior, reforçando o quadro de ampla oferta.
“O produtor deve observar os contratos futuros, pois a janela de oportunidades no mercado físico acabou. É preciso ser paciente e focar no plantio”, dizem os especialistas.
Café
O avanço da colheita brasileira tem pressionado as cotações do café arábica, que recuaram 11,11% no último mês. No robusta, a queda foi mais expressiva: -17,48%.
No entanto, alguns contratos futuros — como setembro e dezembro de 2025 — começaram a reagir levemente. Por isso, a Markestrat recomenda que o produtor avalie os contratos futuros mais longos, que podem oferecer oportunidades de proteção parcial diante da instabilidade atual.
Algodão
O mercado do algodão segue em baixa. Na semana, houve queda de -1,33% nos preços do mercado doméstico, enquanto o contrato futuro para julho recuou 0,94%. O quadro reflete o cenário internacional e as incertezas climáticas no Brasil.
Apesar disso, há oportunidades de negócios. “Mesmo com a variação negativa da semana, o preço físico ainda se mostra interessante, especialmente para produtores com produto já colhido ou com contratos em fase final”, aponta a Markestrat.
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