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Cotações

Alta nos preços do boi gordo devem persistir, aponta Markestrat

Consultoria aponta ainda a tendência do mercado para soja, milho, trigo, café, algodão e outras commodities

Nome Colunistas

Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

01/04/2025 - 17:43

Foto: Adobe Stock
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A tendência de alta nos preços do boi gordo deve persistir enquanto a oferta de animais prontos se mantiver limitada, apontou a consultoria Markestrat em relatório. A atual pressão nas cotações é desencadeada pela disputa de matéria-prima pelos frigoríficos, cenário que deve se manter no curto prazo.

Os analistas recomendam que os produtores avaliem oportunidades de comercialização antecipada para garantir margens antes de uma possível acomodação dos preços. No mercado de bezerro, a orientação é se atentar à qualidade do rebanho e aos índices zootécnicos, o que pode assegurar melhores valores de venda.

CONTEÚDO PATROCINADO

Soja

A colheita da soja no Brasil segue avançando, com índices acima da média dos últimos cinco anos. Mato Grosso, principal estado produtor do grão, entrou na reta final dos trabalhos de campo. No entanto, os analistas alertam para as oscilações de preços e para o impacto do clima nas lavouras remanescentes, a fim de evitar perdas de qualidade.

No curto prazo, segundo os especialistas, o mercado deve seguir volátil, mas sinais de retomada de preços nos contratos futuros podem indicar oportunidades de comercialização para produtores que buscam travar valores. “A médio e longo prazo, a demanda externa – especialmente da Ásia – e a competitividade brasileira devem continuar sustentando as cotações da soja”, destacam. 

No segmento de farelo de soja, a Markestrat aponta que a colheita volumosa da oleaginosa tende a manter a pressão sobre os preços. Já o óleo de soja pode sustentar parte do ganho recente, caso as exportações se mantenham aquecidas.

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Os especialistas ressaltam que o resultado final da safra, a evolução das exportações e eventuais mudanças em políticas de biodiesel no Brasil e em outros países serão fatores determinantes para a movimentação dos preços. A longo prazo, monitorar a demanda global por farelo e acompanhar a evolução das exportações de óleo será essencial, uma vez que alterações nesses fluxos podem modificar rapidamente a direção dos preços.

Milho

Após um leve avanço no preço do milho no mercado físico durante março (+0,27%), houve uma queda de 2,40% no acumulado da última semana do mês. Conforme a Markestrat, o aumento da oferta da safra de verão tem pressionado os preços, principalmente no mercado futuro, nos vencimentos de maio e julho.

A consultoria destaca que as cotações devem seguir mais fracas enquanto a colheita avança e a demanda interna e externa não apresentar uma reação significativa. Além disso, o clima durante o desenvolvimento da 2ª safra de milho, conhecida como safrinha, e o ritmo das exportações serão determinantes para o comportamento dos preços.

Para os produtores, a recomendação é avaliar estratégias de comercialização antecipada, aproveitando eventuais altas de preço, além de monitorar custos de produção e a disponibilidade de crédito, especialmente diante das taxas de juros em patamares elevados.

Café

A leve correção semanal nos futuros do café sugere que os agentes do mercado estão cautelosos quanto ao tamanho efetivo da safra brasileira e à reposição de estoques. Os analistas explicam que, se o clima permanecer favorável, o Brasil poderá alcançar uma boa produtividade, o que tende a manter as cotações sob pressão, especialmente para o café robusta. No entanto, os preços ainda se encontram em patamares historicamente altos.

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A recomendação da consultoria é que os produtores monitorem de perto os custos de produção, sobretudo os relacionados a defensivos e fertilizantes, e considerem estratégias de hedge – estratégias financeiras contra flutuações de preços – para proteger suas margens, diante da volatilidade do mercado.

Algodão

Com o fim da semeadura, a Markestrat destaca que o mercado acompanha o desenvolvimento das lavouras de algodão. As projeções de produtividade, alinhadas com a demanda estável tanto no mercado interno quanto externo, devem sustentar os preços em patamares atrativos.

A consultoria recomenda que os produtores reforcem o monitoramento fitossanitário para evitar surpresas na produtividade. Além disso, para aqueles que buscam estratégias contra flutuações do mercado ou negociações antecipadas, o momento pode ser propício, principalmente devido à recente alta nos futuros do algodão.

Cana-de-açúcar

No setor sucroenergético, a Markestrat aponta que, apesar da recente queda nos contratos futuros, o cenário cambial e a demanda externa ainda dão suporte ao açúcar no mercado à vista. Entretanto, um possível aumento das exportações indianas pode pressionar as cotações internacionais. “A competitividade do produto brasileiro e a retomada da moagem, no entanto, podem equilibrar esse efeito”, destaca o relatório.

Já no mercado de etanol, a oferta tende a crescer no curto e médio prazo com o avanço da safra, o que pode manter uma pressão de baixa nos preços. A consultoria ressalta que oscilações no preço do petróleo e da gasolina no mercado interno também influenciam a competitividade do etanol e podem trazer volatilidade ao setor.

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Laranja

Com a colheita em curso ou prestes a iniciar em diversas regiões, a Markestrat avalia que a oferta adicional de laranja pode manter os preços da fruta in natura pressionados. No entanto, eventuais problemas climáticos podem reverter esse cenário.

No mercado de suco de laranja, são esperadas oscilações, pois o setor segue atento à produtividade nos pomares brasileiros, à recuperação da safra na Flórida e ao ritmo das exportações mundiais. Para as indústrias, a recente correção nos preços futuros pode representar oportunidades de compra de matéria-prima em níveis mais baixos.

Trigo

No mercado físico, a baixa oferta e o câmbio atual tendem a manter os preços do trigo em patamares elevados, segundo a Markestrat. Esse cenário deve perdurar até a entrada significativa da nova safra brasileira ou de importações a custos mais competitivos. Diante disso, a consultoria recomenda que os produtores avaliem oportunidades de travamento de preços no mercado físico, aproveitando as cotações historicamente altas, mas sem perder de vista possíveis mudanças climáticas e cambiais.

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