Clima
Soja: estratégias para reduzir impactos da estiagem
Embrapa recomenda estratégias como cultivares tolerantes, manejo do solo e alternativas de irrigação
Redação Agro Estadão
28/02/2025 - 11:40

A cultura da soja tem sofrido perdas irreparáveis com os impactos da estiagem deste verão, principalmente no Rio Grande do Sul, segundo maior produtor do país. Embora menos de 1% tenha sido colhido, a produtividade está menor do que as projeções, segundo Informativo Conjuntural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS), ficando na casa de 3.179 kg por hectare.
O agrometeorologista Gilberto Cunha, da Embrapa Trigo, ressalta que os produtores devem se adaptar a esse novo cenário de variabilidade climática, marcado por chuvas irregulares cada vez mais frequentes. “O produtor precisa adotar estratégias de manejo de cultivos mais resilientes e não abrir mão da adesão de algum instrumento de seguridade rural”, orienta em nota.
O pesquisador da Embrapa Trigo, Alvadi Balbinot, também destaca algumas estratégias de manejo que podem mitigar os impactos da estiagem na soja. São elas:
Solo: construção de perfil do solo com adequada fertilidade química, física e biológica, observando os fundamentos do Sistema Plantio Direto. Um solo sem restrições físicas e/ou químicas significativas favorece o crescimento vigoroso das raízes da soja, que podem alcançar até 2 metros de profundidade para acessar a água disponível, ampliando a capacidade de exploração da lâmina de água.
Cultivares: no mercado há cultivares de soja com melhor resposta em ambiente com deficiência hídrica. Mesmo que algumas delas não apresentem os maiores rendimentos em ambientes de alto potencial produtivo, podem se mostrar superiores em condição de seca, conferindo estabilidade produtiva. Em geral, as cultivares mais tolerantes à seca apresentam raízes vigorosas e com elevada sanidade.
População de plantas: utilizar o correto número de plantas por área indicada pelos obtentores das cultivares. Densidades abaixo do indicado comprometem o fechamento das entrelinhas, especialmente em condições de déficit hídrico na fase vegetativa, reduzindo a eficiência na captação de luz e nutrientes. Além disso, favorecem a perda de água do solo diretamente para a atmosfera por evaporação, diminuindo a disponibilidade hídrica para as plantas. Por outro lado, o excesso de plantas por área pode provocar formação de índice de área foliar além do ideal, aumentando a utilização de água para manter a transpiração, o que pode comprometer a produtividade da lavoura, sobretudo quando o déficit hídrico ocorre na fase reprodutiva da cultura.
Irrigação: para produtores que dispõem de reservatórios de água e condições para implantar o sistema de irrigação, é fundamental dimensionar o volume de água a ser reservada. O Rio Grande do Sul, por exemplo, tem elevado potencial de resposta produtiva da soja frente à irrigação, uma vez que, em muitas situações, o fator limitante é somente a água, com boas condições de solo, radiação e temperatura. Observar as boas práticas de irrigação é importante para redução de custos e aumento da eficiência do uso da água.
ZARC: a semeadura da soja deve ser orientada pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático, um instrumento de política agrícola e gestão de riscos na agricultura. O ZARC é elaborado para minimizar os riscos relacionados aos fenômenos climáticos adversos e permite que cada município identifique a melhor época de plantio das culturas, nos diferentes tipos de solo e ciclos de cultivares.
Confira o vídeo com mais orientações no canal da Embrapa no Youtube.
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