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Welber Barral

Conselheiro da Fiesp, presidente do IBCI e ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil

Esse texto trata de uma opinião do colunista e não necessariamente reflete a posição do Agro Estadão

Opinião

UE-Mercosul: o custo da postergação

Estudo do instituto ECIPE calculou que, para cada mês de atraso na vigência do acordo, a Europa perde € 4,4 bilhões em crescimento do PIB

30/01/2026 - 15:13

Estudo calculou perdas com base em oportunidades de exportações e investimentos não realizadas. Foto: Adobe Stock
Estudo calculou perdas com base em oportunidades de exportações e investimentos não realizadas. Foto: Adobe Stock

Nas últimas três décadas, não faltaram plot twists na longa negociação entre Mercosul e União Europeia. No capítulo deste início de 2026, houve grande euforia com a aprovação pelo Conselho Europeu, apenas para assistirmos, dias depois, nova postergação em razão da consulta ao Tribunal de Justiça Europeu, quanto a detalhes procedimentais da aprovação do acordo. A resposta do Tribunal pode atrasar bastante a aprovação da parte comercial pelo Parlamento. A não ser que a Comissão ouse considerar uma vigência provisória, o que dependeria, de toda forma, da ratificação por um Estado do Mercosul.

Mais que em outras áreas da economia, em comércio internacional realmente tempo é dinheiro. Por isso, a Confederação das Empresas Suecas encomendou um estudo ao Instituto ECIPE sobre o impacto econômico desta postergação da vigência do acordo.

CONTEÚDO PATROCINADO

A conclusão é acachapante. O ECIPE calculou que, para cada mês de atraso na vigência do acordo com o Mercosul, a Europa perderá € 4,4 bilhões em crescimento do PIB e € 3 bilhões mensais em perda de exportações. O estudo também conclui que todos os países europeus perdem com esta demora. A Alemanha teria perdido, desde 2021, € 71 bilhões (1,7% do PIB), seguido pela França (logo quem tem sido tão vocal contra o acordo, e que perdeu € 38 bilhões em exportações). Segundo o estudo, Itália, Espanha, Bélgica, Holanda, Suécia, Portugal e Áustria os seguem, com perdas também substanciais em exportações e crescimento do PIB.

Em sua metodologia, o estudo calcula estas perdas com base no custo de oportunidade das exportações e investimentos não realizados. Além disso, inclui a reorientação da cadeias produtivas e desvios de comércio que seriam evitados, se estivesse em vigência o acordo. E com razão, pois a literatura econômica recente demonstra que acordos comerciais abrangentes reduzem incertezas e custos de transação, fortalecendo participação em cadeias globais de valor e a integração produtiva.

Por isso, o estudo do ECIPE observa que ratificar o acordo Mercosul-UE é imperativo fundamental para o crescimento econômico, competitividade e resiliência da Europa.

É certo que o estudo mencionado observa e calcula desde o ponto de vista europeu. Mas muitos dos argumentos e conclusões poderiam ser repetidos deste lado do Atlântico, sobretudo quanto ao aumento da competitividade e da atração de investimentos, tão necessários e urgentes às economias do Mercosul. São argumentos a serem repetidos e gritados, para prevalecerem sobre o ronco ensurdecedor dos tratores protecionistas que patrolam Bruxelas.

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