Tirso Meirelles
Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)
Esse texto trata de uma opinião do colunista e não necessariamente reflete a posição do Agro Estadão
Opinião
Agro impulsiona o PIB e Reforça a Urgência de um Projeto Brasil
Um setor com tamanho peso na economia precisa de previsibilidade no crédito rural, seguro amplo, estabilidade regulatória e logística
05/03/2026 - 11:23

O crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma aquilo que o produtor rural já sente no dia a dia: quando o campo avança, o Brasil cresce.
A agropecuária registrou expressivos 11,7% de alta, impulsionada por ganhos de produtividade e aumento da produção, com destaque para milho e soja, que bateram recordes. O produtor rural responde hoje não apenas pela segurança alimentar do povo brasileiro, mas por 10% de toda a produção mundial de alimentos. Em um cenário de juros elevados e política monetária restritiva, foi o agro um dos principais responsáveis por sustentar a economia nacional.
Os números são robustos. Em valores correntes, o PIB atingiu R$ 12,7 trilhões. Ainda que o resultado represente desaceleração frente aos 3,4% apurados em 2024, é inegável que a agropecuária teve papel decisivo. Ao lado das indústrias extrativas, da informação e comunicação e de outros serviços, o setor respondeu por 72% do volume do valor adicionado em 2025 — atividades menos impactadas pelos juros altos, mas altamente dependentes de investimento, planejamento e eficiência.
Esse desempenho não ocorre por acaso. Ele é fruto do investimento constante do produtor em tecnologia, genética, mecanização, gestão e sustentabilidade. É resultado da abertura de mercados, da ampliação de áreas produtivas com responsabilidade ambiental e da capacidade de adaptação a desafios climáticos e econômicos. O campo brasileiro demonstra, mais uma vez, sua maturidade e seu protagonismo. O setor agropecuário pode fazer muito mais, porém os desafios enfrentados com logística, armazenamento e falta de políticas públicas robustas voltadas ao campo são entraves para um protagonismo ainda maior.
Mas o crescimento recorde também impõe reflexão. Não é possível que um setor com tamanho peso na economia continue operando sob incertezas estruturais. Falta previsibilidade no crédito rural, maior abrangência no seguro, estabilidade regulatória e planejamento logístico compatível com a dimensão da produção. O produtor responde com eficiência; o Estado precisa responder com estratégia. Há a necessidade de uma diplomacia ativa não apenas na área política, mas principalmente na economia, buscando novos parceiros e mostrando a capacidade produtiva do país.
O Brasil necessita de um verdadeiro Projeto Brasil para o agro e para a economia como um todo. Um plano de longo prazo, que transcenda governos e estabeleça metas claras para os próximos 10 ou 20 anos. Um projeto que assegure ambiente jurídico estável, política agrícola consistente, investimentos em infraestrutura e ampliação de instrumentos de gestão de risco. Segurança alimentar não se constrói apenas com safras recordes, mas com estabilidade e visão estratégica.
Se o agro é responsável por impulsionar o PIB mesmo em cenário adverso, é justo que receba em contrapartida segurança e previsibilidade. O produtor rural não pede privilégios. Pede condições para continuar investindo, inovando e alimentando o Brasil e o mundo. Com planejamento de Estado e visão de futuro, o país poderá transformar seu potencial em prosperidade duradoura.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Opinião
1
O Mundo a 4°C e a Economia dos Extremos
2
O preço da instabilidade: como conflitos externos pressionam o campo
3
Marcos Fava Neves: os 5 fatos do agro para acompanhar em março
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Opinião
Marcos Fava Neves: os 5 fatos do agro para acompanhar em março
Clima, colheita, tarifas e cenário de guerra; são grandes preocupações do produtor rural daqui para frente
loading="lazy"
Marcos Fava Neves
Opinião
O preço da instabilidade: como conflitos externos pressionam o campo
O conflito entre EUA, Israel e Irã expõe uma vulnerabilidade estrutural do Brasil: dependemos de uma rota marítima estreita para garantir nossa produção de alimentos
loading="lazy"
Celso Moretti
Opinião
O Mundo a 4°C e a Economia dos Extremos
Um agro brasileiro com mais eventos extremos perde não só produtividade, mas perde regularidade.
loading="lazy"
Welber Barral
Opinião
Marcos Fava Neves: os 5 fatos do agro para acompanhar em fevereiro
Colheita da soja, janela do milho, mix da cana e cenário geopolítico estão entre as variáveis que podem mexer com o agro neste mês
loading="lazy"
Marcos Fava Neves
Opinião
UE-Mercosul: o custo da postergação
Estudo do instituto ECIPE calculou que, para cada mês de atraso na vigência do acordo, a Europa perde € 4,4 bilhões em crescimento do PIB
loading="lazy"
Welber Barral
Opinião
O agro brasileiro em 2026: produção robusta, pressão global e o desafio de competir sob novas regras
Mudanças regulatórias, câmbios climáticos e reconfiguração do comércio internacional tornam 2026 um ano desafiador para o agro
loading="lazy"
Celso Moretti
Opinião
Em 2026, o silêncio também comunica
Quando aqueles que entendem de um assunto se calam, o espaço público é ocupado por quem fala mais alto, não por quem fala melhor
loading="lazy"
Marcello Brito
Opinião
A vigência do Acordo Mercosul-União Europeia
Entenda quais são os próximos passos, tanto na Corte Europeia quanto nos países do Mercosul, para que o tratado passe a valer
loading="lazy"
Welber Barral