Agropolítica
Saiba como o setor produtivo avalia o Plano Safra 2024/2025
Aprosoja-MT diz que recursos do Plano Safra foram "reduzidos" se considerar a inflação e que política agrícola "deixou a desejar"

O presidente da Federação da Agricultura de São Paulo (FAESP), Tirso Meirelles, diz que o Plano Safra é importante, mas é preciso uma política de estado. “De longo prazo, ao estilo da Farm Bill americana, com programas e recursos definidos para o setor agropecuário. Vamos esperar que os recursos para financiamentos e seguros cheguem, em especial aos pequenos e médios produtores, que são os que mais precisam”, afirma.
Para o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, o seguro rural é uma das preocupações. O setor espera, no mínimo, R$ 1,5 bilhão para a subvenção. “Principalmente pelas questões climáticas no RS, nós precisamos avançar numa fatia maior de seguro e para que o produtor se estimule a fazer mais seguros ,ele tem que ter uma garantia da subvenção por parte do governo”, disse Velho.
O diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Luchi, reconheceu o esforço do governo em apresentar um plano mais robusto, no entanto está aquém do que a CNA almejou. “Tivemos incremento de 9% no volume total de recursos, sendo que a nossa demanda era de 31%. A margem do produtor caiu, ele está descapitalizado, está muito mais difícil conseguir crédito no mercado privado”, disse Luchi.
O diretor da CNA ainda falou sobre a frustração em relação ao seguro rural, já que foram anunciados R$ 210 milhões apenas para o Rio Grande do Sul. “De certa forma vai aliviar o geral, mas é muito pouco perto do que o setor almeja – R$ 3 bi”, analisou.
Luchi também avaliou que as linhas de crédito que mais necessitavam de aporte financeiro e redução de juros não foram atendidas. “A Moderfrota [que foi reforçada] foi a linha que nós dissemos que o governo podia se preocupar menos. Havia outras linhas que tínhamos interesse em ter redução de juros e aporte maior de recursos, como RenovAgro e PCA, e isso não foi ao encontro do que a gente tinha solicitado”, finalizou.
Aprosoja-MT diz que recursos até sofreram redução
Em nota, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) criticou o volume de recursos. Segundo o presidente da entidade, Lucas Beber, se for considerada a inflação de um ano para outro, “os recursos controlados (a juros subsidiados) do Plano Safra apresentaram redução”.
Segundo ele, a política agrícola anunciada pelo governo “deixou a desejar” na disponibilidade de recursos controlados. “Um aumento nominal de 1% dos recursos não cobre nem mesmo a desvalorização do real frente à inflação de 4,86% de 2023”, criticou. “Ou seja, um aumento negativo, traduzindo em redução de recurso controlado disponível, em uma economia com inflação prevista de 4% para 2024.”
Sobre o desconto de meio ponto porcentual na taxa de juros de custeio para produtores que possuem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) aprovado, Beber disse que, apesar de importante, esse desconto alcança uma minoria de produtores. “Em todo o Brasil, menos de 3% dos CAR estão analisados. Esse fato não representa culpa do produtor, mas sim da ineficiência dos órgãos responsáveis”, enfatizou.
Dinheiro para comprar máquinas é considerado insuficiente
O presidente da Abimaq, Pedro Bastos, afirma que os R$ 12 bilhões em recursos para a aquisição de máquinas agrícolas não será suficiente para reverter a tendência de queda nas vendas. No máximo, deve reduzir um pouco a queda, que está em 30% e pode passar para 18%.
“A gente imagina que para a agricultura empresarial, em três meses esse recurso acabe, aí o produtor é obrigado a ir no mercado e hoje, os juros mais baratos são de 16%, que é o BNDES crédito rural e é um juro bem mais cara que esse 11,5% [do Plano Safra], então essa é nossa principal preocupação”, disse Bastos ao Agro Estadão.
OCB comemora ampliação de limite para PCA, mas vê valor ainda abaixo da necessidade
O coordenador do ramo Agro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), José Pietro, disse que o valor do Plano Safra 2024/2025 “acabou não refletindo o pedido da que veio da base”. A OCB pediu um Plano Safra geral de aproximadamente R$ 558 bilhões.
Apesar disso, ele viu como positiva a ampliação da linha de investimento do Programa para Construção de Armazéns (PCA). “É um pleito muito grande da nossa base, nós tínhamos um gargalo que era a limitação de teto, estipulado em R$ 50 milhões, e o governo atendendo a um pleito da OCB passou para 200 milhões”, afirmou Pietro. Quanto aos juros, a manutenção da maioria das taxas foi entendida pela entidade, mas não anima.
Indústria de Alimentos está otimista
Para o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), João Dornellas, além dos dados divulgados nesta tarde, é importante transformar os números em maior produção. Dornellas demostrou estar otimista.
“A indústria trabalha o tempo todo muito ligada ao campo, a indústria brasileira de alimentos e bebidas compra cerca de 62% do que o campo produz. Então para nós é uma satisfação ver a empolgação do poder executivo em relação a fazer um plano safra que é recorde na história do país.”
Entre as instituições financeiras, o diretor de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Everton Luís Kapfenberger diz que os produtores rurais podem procurar as agências imediatamente para apresentar as propostas.
“A nossa distribuição de recursos é para todas as regiões. Temos convicção de que essa será uma safra melhor, de ajuste”, disse. Segundo Kapfenberger, na próxima sexta-feira, o Banco do Brasil vai anunciar os valores que serão disponibilizados.
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Agropolítica
1
LDO 2026: veto de Lula retira proteção a gastos com seguro rural e Embrapa; FPA reage
2
Pescadores têm até dia 31 para envio do REAP, requisito para o seguro-defeso
3
Lula sanciona orçamento com pouco mais de R$ 1 bilhão para Seguro Rural
4
Fávaro: Brasil mira cotas de exportação não cumpridas por outros países na China
5
Irã, Groenlândia e Venezuela: como as tensões geopolíticas impactam o agro do Brasil?
6
Governo deve banir “agrotóxicos ultra perigosos em breve”, afirma Teixeira
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Agropolítica
EUA: Câmara retira E15 de projeto orçamentário e frustra setor
Congresso deve caminhar para a criação de um "Conselho de Energia Rural", que ficaria encarregado de elaborar propostas relacionadas ao E15
Agropolítica
Ministério cria comitê para tratar de legislação das Ceasas
Oficializado nesta quinta-feira, 22, grupo poderá elaborar apresentar propostas para modernizar o regime jurídico das centrais
Agropolítica
'Mais rápida possível', diz embaixadora da UE sobre efetivação do acordo com Mercosul
Diplomata vê tratado como “divisor de águas” para os dois blocos, mas reconhece que a judicialização pode atrasar a vigência
Agropolítica
Santa Catarina proíbe reconstituição de leite em pó importado
Lei foi sancionada pelo governador Jorginho Mello; objetivo é proteger produtores locais e equilibrar o mercado
Agropolítica
Brasil vê tensões geopolíticas como aliadas para acelerar aplicação do acordo Mercosul-UE
Congresso Nacional vai priorizar ratificação do tratado após o recesso parlamentar
Agropolítica
Brasil e Angola avançam em acordo de cooperação para produção agrícola
Com o acordo, o Brasil amplia oportunidades para vender máquinas, equipamentos, sementes, insumos e avançar na transferência de tecnologia
Agropolítica
CPRs concentram 45% do crédito do 1º semestre do Plano Safra 25/26
Recursos concedidos tiveram queda nas operações de custeio, investimento e comercialização
Agropolítica
Governo deve banir “agrotóxicos ultra perigosos em breve”, afirma Teixeira
O ministro afirmou ainda que o governo fará, em 2026, a maior entrega de terras desapropriadas dos últimos quatro anos.