Agricultura
Sulfato de amônio pode substituir a ureia na próxima safra, aponta consultoria
Com a guerra no Oriente Médio, a ureia já subiu mais de 35% em duas semanas e perdeu competitividade no mercado
Redação Agro Estadão
17/03/2026 - 09:13

A escalada da guerra do Oriente Médio traz uma preocupação aos preços dos fertilizantes, especialmente da ureia. Isso porque, o Irã é um dos principais produtores de gás natural do mundo, insumo básico para a fabricação de ureia, além de importante exportador deste tipo de adubo.
Mesmo em uma época de baixa demanda, os preços da ureia cresceram mais de 35% em apenas em duas semanas, aponta a Stone X. De acordo com o analista de Inteligência de Mercado da consultoria, Tomás Pernías, a forte valorização pode tirar a competitividade da ureia e, portanto, levar os produtores a priorizarem fertilizantes de menor concentração em 2026, como o sulfato de amônio.
“Com a valorização acelerada da ureia, os compradores tendem a avaliar novamente a substituição por fertilizantes de menor concentração, como o sulfato de amônio, que pode oferecer condições de aquisição mais favoráveis em determinados momentos”, ressalta.
A alternativa ganhou preferência em 2025, quando os produtores em busca de opções mais baratas optaram por produtos menos concentrados. “Preços elevados de fertilizantes pressionam os custos de produção. Em um cenário de crédito escasso e de preços agrícolas menos favoráveis, isso pode se tornar um fator relevante para a tomada de decisão dos produtores”, destaca Pernías.
O sulfato de amônio é uma fonte de nitrogênio. De acordo com a Embrapa, é usado no desenvolvimento das plantas e atua diretamente no crescimento vegetativo, na formação de proteínas e na qualidade da produção. Em comparação à ureia, esse fertilizante possui menor volatilização de nitrogênio. Por outro lado, seu uso contínuo pode contribuir para a acidificação do solo, exigindo manejo adequado.
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