Agricultura
Metade do algodão brasileiro é produzida em apenas três áreas, aponta Embrapa
Estudo mostra concentração territorial de culturas como algodão, laranja, café, eucalipto, milho, soja, cana, além de bovinos
Redação Agro Estadão*
23/09/2025 - 18:39

A produção agropecuária brasileira é marcada por forte concentração: poucas microrregiões respondem por grande parte da produção de algodão, laranja, café, eucalipto, milho, soja, cana e carnes. Em 2023, por exemplo, metade do algodão nacional veio de apenas três áreas: Parecis (MT), Alto Teles Pires (MT) e Barreiras (BA).
Um quarto de todo o milho brasileiro saiu de apenas quatro municípios, sendo dois deles em Mato Groso. Já a bovinocultura apresenta distribuição mais ampla: 56 microrregiões respondem por metade da produção nacional.
Os dados fazem parte do Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária (SITE-MLog), desenvolvido pela Embrapa Territorial.
A plataforma aponta os principais polos por cultura:
- Algodão: Parecis (MT), Alto Teles Pires (MT) e Barreiras (BA) respondem por metade da colheita nacional.
- Laranja: está tradicionalmente centralizada em São Paulo. Mesmo dentro do Estado, a concentração é grande: Avaré, Bauru, Botucatu e São João da Boa Vista reúnem 25% da safra.
- Milho: Alto Teles Pires (MT), Dourados (MS), Sinop (MT) e Sudoeste de Goiás (GO) concentram um quarto do total colhido.
- Soja: seis microrregiões reúnem 25% da safra, todas localizadas no centro do País.
- Café: Minas Gerais lidera, mas Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Rondônia também integram os polos responsáveis por metade da colheita.
- Eucalipto: Três Lagoas (MS), Bauru (SP) e Porto Seguro (BA) concentram 25% do volume cultivado.
- Cana-de-açúcar: 20 microrregiões, em SP, GO, MS e MG, respondem por metade da moagem nacional.
- Bovinos: 56 microrregiões somam 50% do rebanho, incluindo áreas do Norte, como Pará, Rondônia e Tocantins.
Fatores de concentração
De acordo com o analista André Rodrigo Farias, da Embrapa Territorial, a concentração decorre de fatores técnicos e econômicos. “A cultura do algodão, por exemplo, exige maquinário e estruturas de processamento bastante específicos, o que restringe a ampliação da área de produção e favorece os locais mais competitivos”, explicou.
No caso de aves e suínos, a concentração no Sul do País tem relação com aspectos históricos e culturais. Segundo Farias, a colonização e a estrutura fundiária baseadas na agricultura familiar favoreceram a organização em cooperativas e o sucesso do modelo de integração.
Culturas perenes
O café e o eucalipto concentram-se em polos porque exigem condições específicas de solo e clima, além de investimentos de longo prazo. “Esses fatores contribuem para a formação de polos de produção. Diferem, por exemplo, da soja e do milho, que permanecem poucos meses no campo e podem ser cultivados em janelas de tempo específicas ao longo do ano”, disse Farias.
Logística e exportações
Segundo a Embrapa, a concentração da produção impacta diretamente a logística de escoamento. Café e laranja, por exemplo, são exportados principalmente pelo porto de Santos (SP). Já soja e milho, distribuídos em várias regiões, disputam alternativas entre modais rodoviário, ferroviário e hidroviário, além da escolha de portos.
De acordo com o especialista, a análise de concentração também orienta políticas públicas e investimentos privados. “As ações podem ser direcionadas para regiões que concentram volumes maiores, potencializando o efeito de medidas de produtividade e adoção de novas tecnologias”, avaliou.
Criado em 2018 e atualizado em 2024, o SITE-MLog reúne dados sobre produção, exportação e infraestrutura de dez cadeias agropecuárias: algodão, bovinos, café, cana, aves, laranja, madeira, milho, soja e suínos. A plataforma é gratuita e permite consultas por estado, região ou bioma. Também apresenta fluxos de exportação, localização de armazéns e usinas, e introduziu o conceito de bacias logísticas, indicando por quais portos cada microrregião embarca sua produção.
*Com informações da Embrapa
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