Agricultura
Você sabia que existe uma planta voodoo?
O lírio voodoo fascina por sua aparência misteriosa e odor de carne em decomposição que atrai polinizadores
Redação Agro Estadão*
29/11/2025 - 05:00

A natureza guarda segredos impressionantes, e entre eles destaca-se a Amorphophallus bulbifer, conhecida popularmente como lírio voodoo.
O nome científico descreve uma espécie que desperta fascínio e curiosidade tanto por sua aparência quanto por suas características únicas.
O apelido “voodoo” refere-se às formas misteriosas e ao comportamento peculiar desta planta, que parece surgir do nada e desaparecer com a mesma facilidade.
Origem e características do lírio voodoo
A Amorphophallus bulbifer tem origem no subcontinente indiano e em regiões do Sudeste Asiático, incluindo Índia, Bangladesh, Myanmar e Tailândia.
Nestas áreas tropicais e subtropicais, a espécie prospera naturalmente em florestas úmidas, onde encontra condições ideais de sombra parcial e substratos ricos em matéria orgânica.
O ambiente natural da planta caracteriza-se por alta umidade, temperatura estável e solos bem drenados com abundante material orgânico em decomposição.
Estas condições específicas moldam as adaptações evolutivas que tornam o lírio voodoo uma espécie tão singular no reino vegetal.
Botanicamente, a planta apresenta estruturas distintivas que começam pelo cormo, órgão subterrâneo globoso a oval de coloração amarelada que funciona como reservatório de energia.
Esta estrutura tuberosa permite que a planta sobreviva a períodos prolongados de dormência, comportando-se como um sistema de armazenamento altamente eficiente.
Sua folhagem se resume a uma única folha grande e complexamente dividida, sustentada por um pecíolo robusto que simula um tronco pequeno. Os múltiplos folíolos finamente recortados conferem à folha uma aparência delicada, semelhante a uma miniatura de árvore tropical.
A estrutura reprodutiva é formada por uma folha especial que abraça uma haste central. Esta haste é a verdadeira “flor”, onde ficam as pequeninas flores reais que fazem a reprodução da planta.
O enigmático aroma do lírio voodoo

A polinização da Amorphophallus bulbifer representa um exemplo fascinante de adaptação evolutiva. A planta atrai seus polinizadores através da emissão de um odor intenso e característico, frequentemente descrito como podre ou semelhante à carne em decomposição.
Esta estratégia direcionada atrai, principalmente, moscas e besouros que normalmente se alimentam de matéria orgânica em decomposição.
O cheiro ruim vem da produção de substâncias químicas especiais:
- Compostos com enxofre que lembram ovos podres;
- Substâncias que imitam o cheiro de fezes;
- Ácidos que evaporam facilmente no ar.
Essas substâncias copiam perfeitamente os odores de coisas apodrecendo, enganando os insetos e atraindo-os para a flor. Durante a polinização, os insetos entram na estrutura da flor pensando que vão encontrar comida ou um lugar bom para botar seus ovos.
Ao mesmo tempo que produz os odores, a parte central da flor também esquenta, ficando mais quente que o ar ao redor.
Esta produção de calor tem várias funções: faz o cheiro se espalhar mais longe e cria um ambiente aquecido que fica ainda mais atrativo para os insetos.
A combinação de calor e cheiro forte aumenta muito as chances de atrair os bichinhos necessários para a reprodução da planta.
O ciclo de vida curioso do lírio voodoo

O desenvolvimento da Amorphophallus bulbifer segue um padrão cíclico que alterna entre dormência subterrânea e atividade vegetativa visível.
Durante o período de “sono”, o bulbo fica enterrado, juntando energia por meses ou até anos, dependendo do clima e das condições do ambiente.
Quando as condições ficam boas, o bulbo brota e produz sua folha típica. Esta folha fica ativa durante toda a época de crescimento, captando a luz do sol e transformando-a em energia que volta para o bulbo enterrado.
A época da reprodução acontece separada da época das folhas. Depois de juntar energia suficiente, a planta produz sua flor impressionante, geralmente antes ou depois de nascer a folha.
Este jeito alternado de crescer torna a vida da planta imprevisível e adiciona um ar de mistério ao seu comportamento natural.
Depois da polinização e da possível formação de frutos, toda a parte que fica acima da terra murcha, e a planta volta para o “sono” subterrâneo. O bulbo continua vivo e trabalhando por dentro, processando a energia guardada e se preparando para o próximo ciclo de nascimento.
Esta forma de viver permite que a espécie sobreviva a condições ruins e aproveite ao máximo suas chances de reprodução quando as circunstâncias ficam ideais.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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