Agricultura
Finados: setor de flores espera aumento de 7% nas vendas
Mesmo com mudanças de hábito dos brasileiros, data ainda representa cerca de 3% do faturamento anual, diz Instituto Brasileiro de Floricultura
Redação Agro Estadão
02/11/2025 - 05:00

O setor de flores e plantas ornamentais projeta um aumento de 7% nas vendas para o Dia de Finados, em comparação a 2024. Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), a data ainda representa cerca de 3% do faturamento anual e ocupa a sexta posição entre as que mais movimentam o mercado, mesmo com a redução do hábito de levar flores aos cemitérios.
No Ceaflor, maior mercado atacadista do segmento no País, produtores se anteciparam às encomendas de variedades típicas da data, como crisântemos, kalanchoes e kalandivas, e já venderam boa parte da produção. A procura por flores envasadas também cresce, ampliando o portfólio associado ao período.
As cores preferidas nesta época do ano são o branco e o amarelo, associadas à paz e à lembrança. Mas a produtora de crisântemos, Maritha Domhof, apostou neste ano também nas flores na cor rosa para as homenagens às avós. A expectativa da produtora, proprietária do Rancho Raízes, em Holambra (SP), é vender pelo menos 60 mil vasos, volume 5% superior ao ano passado.
Escassez de mão de obra
Apesar do otimismo nas vendas, o setor enfrenta desafios. O Ibraflor aponta que o clima extremo e a falta de mão de obra têm afetado a produção. Em Atibaia (SP), Dirceu Hasimoto, da Mix Flores, reduziu em 20% a produção de kalanchoes e kalandivas. “O custo de produção subiu muito e não conseguimos repassar. Por isso, optamos por atender apenas clientes que garantiram a compra. Em Finados, vendemos cerca de cinco vezes mais do que em uma semana comum, mas não temos equipe suficiente para atender toda essa demanda”, explica.
Outros produtores, porém, apostam na expansão. O engenheiro-agrônomo Caio Shiroto, da Flora Shiroto, aumentou em 20% a produção de crisântemos no pote tamanho 15 e da variedade Bola Belga. “Percebemos um aumento na demanda e decidimos investir. Como Finados cai em um domingo este ano, há mais chances de as pessoas irem aos cemitérios prestar homenagens”, afirma.

Foto: Divulgação/Ibraflor
Shiroto destaca que a produção de crisântemos exige atenção às variações climáticas. Mesmo com o plantio realizado na mesma época, algumas variedades florescem antes do previsto, enquanto outras atrasam. Para reduzir riscos, ele investe em tecnologias de controle de luminosidade e temperatura.
A falta de trabalhadores e a necessidade de reservar áreas para uma produção sazonal também estão entre os gargalos. “A escassez de mão de obra sobrecarrega as atividades semanais, e a estufa fica ociosa em parte do ano, o que eleva os custos. Hoje, o produtor precisa fazer contas e avaliar o que é mais viável para seu modelo de negócio”, completa Shiroto.
Para o presidente do Ceaflor, Antônio Carlos Rodrigues, o setor mostra resiliência ao buscar novos produtos e alternativas para manter a tradição. “Além dos crisântemos, outras flores envasadas passaram a integrar o portfólio da data, como antúrios e até algumas espécies de plantas verdes. Finados continua sendo uma data relevante para o setor e é trabalhada com dedicação por nossos produtores”, diz.
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