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Agricultura

Definido o zoneamento agrícola do alho no Brasil; veja as recomendações

Programa define regiões de menor risco climático para o alho no País; produtores que seguirem as datas definidas no Zarc podem acessar o Proagro e o Seguro Rural (PSR)

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Redação Agro Estadão

27/11/2025 - 05:00

Foto: Adobe Stock
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O alho é a mais nova hortaliça contemplada pelo Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). As portarias que incluem a cultura no Zarc foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) nessa terça-feira, 25. O instrumento indica as regiões e épocas mais adequadas para o plantio no Brasil, com base nos riscos de perdas causadas por eventos meteorológicos adversos. 

O zoneamento funciona como ferramenta de gestão de risco e foi elaborado por pesquisadores da Embrapa Hortaliças, em parceria com associações de produtores e instituições de ensino e pesquisa. O objetivo foi identificar áreas de menor risco climático e definir períodos de plantio com maior segurança produtiva. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Segundo o pesquisador Marcos Braga, da Embrapa, o Zarc “avalia exclusivamente riscos agroclimáticos, portanto, parte-se do pressuposto de que todas as outras necessidades da cultura serão atendidas com um adequado manejo agronômico”, pesquisador Marcos Braga, da Embrapa

Atualmente, a produção nacional é estimada em 173 mil toneladas, com produtividade média de 13 toneladas por hectare. Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia e o Distrito Federal respondem por 94% do volume.

Acesso ao seguro rural

Produtores que seguirem as datas de plantio definidas no Zarc podem acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR). Braga resume a função do zoneamento: “A função do zoneamento não é colocar entraves aos produtores, mas sim oferecer a eles a garantia de recebimento do valor segurado”.

Os estudos consideraram cultivares de alho nobre, que dominam o mercado nacional pela maior qualidade comercial. A subdivisão do zoneamento em regiões tropicais e subtropicais foi apontada pelo pesquisador Francisco Vilela como o ponto mais sensível do trabalho, por refletir diferenças de plantio e de sistemas de produção. Em sua avaliação, essa distinção é decisiva para orientar cada produtor conforme o clima da região.

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O Zarc classificou as cultivares em dois grupos nas áreas tropicais e em três grupos nas subtropicais, segundo a época de plantio, o ciclo da cultura e as fases usadas na avaliação de risco. Braga reforça que “no cultivo do alho é fundamental utilizar somente cultivares testadas e recomendadas para cada local e época, se baseando sempre na orientação técnica da assistência técnica e extensão rural e de empresas habilitadas na área”.

Os resultados do Zarc do alho foram disponibilizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Painel de Indicadores, nas portarias por estado e no aplicativo Zarc Plantio Certo (Android e IOS).

Alho comum

Vilela chama atenção para o alho comum produzido por agricultores familiares, que não integra o zoneamento por representar parcela pequena da produção. “Nesses casos, as instituições de pesquisa e assistência técnica vão continuar emitindo notas técnicas quando a produção familiar necessitar de crédito agrícola”, elucida.

O Zarc também alerta para áreas com ocorrência de podridão branca. Braga explica que “esse fungo pode causar danos em todas as fases de crescimento da planta e seu desenvolvimento é favorecido por temperaturas de 10 a 20°C”. Ele destaca que o patógeno permanece no solo por longos períodos e que não há controle efetivo, o que pode inviabilizar a produção.

Exigências climáticas

O alho é originário de regiões frias da Ásia. Para alcançar boa produtividade no País, a cultura exige condições adequadas de temperatura e fotoperíodo — o número de horas de luz por dia. As cultivares nobres, mais tardias, precisam de mais de 13 horas diárias de luz e temperaturas médias entre 13°C e 18°C para formar bulbos graúdos. Materiais precoces respondem a dias mais curtos, enquanto variedades nobres dependem de dias mais longos. Braga explica que “quando o número de horas de luz fica abaixo do mínimo exigido pela cultivar ocorre somente o crescimento vegetativo da planta”.

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As exigências térmicas variam conforme o estágio da cultura. A fase inicial requer temperaturas amenas entre 18°C e 20°C. Durante o crescimento vegetativo e a bulbificação, a cultura precisa de valores mais baixos, entre 10°C e 15°C. Na maturação, a demanda sobe para 20°C a 25°C. O pesquisador afirma que o acúmulo de horas de frio é determinante para boa formação dos bulbos.

O zoneamento também apresenta limites climáticos específicos por região. Em áreas subtropicais, a temperatura média deve ficar abaixo de 14°C e a máxima não pode ultrapassar 31°C desde o plantio até o início da bulbificação. Em regiões tropicais, a temperatura média não deve superar 12°C nem a máxima exceder 32°C. A altitude foi outro fator de distinção: acima de 600 metros nos subtropicais e acima de 750 metros nos tropicais.

Vernalização amplia janelas de plantio

O uso da vernalização — tratamento de frio aplicado ao alho-semente antes do plantio — é indispensável para as cultivares nobres, sobretudo em clima tropical. Vilela explica que o processo “é capaz de tornar a planta menos exigente em fotoperíodo e em temperaturas baixas, permitindo formação de bulbos em locais que não possuem as condições climáticas adequadas para determinada cultivar”.

Segundo ele, a técnica ampliou significativamente as regiões produtoras. Hoje, cultivares nobres vernalizadas são plantadas do centro-norte do Paraná ao norte da Bahia, além de Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Nas áreas subtropicais, a prática pode ser dispensada, embora muitos produtores a utilizem por segurança diante das mudanças climáticas. “Essas variações das formas de produção do alho são peculiares do Brasil. Em outros países, o processo é muito mais homogêneo”, observa.

Demanda de água e manejo

Com sistema radicular superficial, o alho é sensível tanto ao déficit quanto ao excesso de água. Irrigações excessivas prejudicam produtividade e qualidade, especialmente em solos com baixa drenagem. O consumo hídrico varia de 400 a 850 milímetros por ciclo, o que corresponde a uma demanda de 300 a 1.000 litros para produzir um quilo de alho. Por isso, o Zarc considera exclusivamente cultivos irrigados, condição necessária para reduzir riscos.

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