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Agricultura

Com frota de 15 anos em média, produtores querem renovar máquinas até 2027

Pesquisa brasileira indica aumento das locações, apetite tecnológico e primeiros movimentos de transição energética no campo

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Redação Agro Estadão

24/09/2025 - 15:36

Brasil tem 1.35 milhão de tratores em operação, segundo a pesquisa. Foto: Adobe Stock
Brasil tem 1.35 milhão de tratores em operação, segundo a pesquisa. Foto: Adobe Stock

A frota de máquinas agrícolas em operação no Brasil soma hoje 1,65 milhão de unidades, com idade média de 15 anos. O dado é do Panorama Setorial de Máquinas Agrícolas 2025, divulgado nesta quarta-feira, 24, pela consultoria Boschi Inteligência de Mercado ([BIM]³). O levantamento aponta também intenção clara de renovação, crescimento da locação e indícios de mudança tecnológica e energética no agronegócio.

Segundo o estudo, mais de 50% dos equipamentos em uso já superaram 15 anos de operação. A frota atual é composta por 1,35 milhão de tratores, 217 mil colheitadeiras e 82,5 mil pulverizadores. Em média, os tratores têm 18 anos de uso, as colheitadeiras, 10, e os pulverizadores, oito.

CONTEÚDO PATROCINADO

A consultoria projeta que, até 2030, a frota deverá alcançar 1,8 milhão de unidades (crescimento de 9,1%), sendo 1,48 milhão de tratores, 231 mil colheitadeiras e 89 mil pulverizadores.

O levantamento ouviu mais de 700 produtores entre fevereiro e julho deste ano, com 80% das entrevistas feitas presencialmente. Grandes propriedades, acima de mil hectares, responderam por 64% das entrevistas, seguidas por áreas de 51 a 200 hectares (18%) e de 10 a 50 hectares (17%), abrangendo as cinco regiões do país.

De acordo com o sócio-diretor da [BIM]³, Luis Vinha, o estudo abrange máquinas agrícolas em culturas-chaves como milho, soja, trigo, cana de açúcar, café, algodão e arroz, “consolidando-se como a pesquisa mais completa já desenvolvida para compreender o presente e projetar o futuro da mecanização do agronegócio nacional”.

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O cenário revela também uma mudança no acesso às máquinas: 11% das propriedades alugam tratores, 38% recorrem à locação de colheitadeiras e 19% a pulverizadores. “Essa realidade mostra que o produtor está disposto a buscar novas formas de acesso à mecanização para reduzir riscos e ampliar sua flexibilidade operacional”, analisa Vinha.

Crédito trava renovação da frota

A pesquisa mostra ainda que 55% dos produtores pretendem adquirir uma nova máquina até 2027. Outros 30% não têm planos e 15% ainda não decidiram. O estudo revela que a fidelidade às marcas é alta: sete em cada dez produtores desejam permanecer com o mesmo fabricante de trator.

O principal obstáculo para a renovação é o financiamento. A maioria recorre a bancos estatais, mas a burocracia atrasa processos e retarda a troca dos equipamentos. “O crédito precisa acompanhar o novo ciclo de modernização do campo. Sem mecanismos mais rápidos e acessíveis, a demanda reprimida não se converte em investimento”, afirma Gregori Boschi, sócio-diretor da consultoria.

Tendências no campo

No horizonte tecnológico, o estudo mostra que produtores buscam máquinas conectadas, inteligentes e com maior automação. O produtor mira em máquinas cada vez mais conectadas, inteligentes e orientadas por dados. Entre os desejos mais citados estão cabines tecnológicas e confortáveis, câmbio automático, sistemas de compactação inteligente do solo, maior precisão por linha e configurações adaptadas a cada cultura. 

Também ganham destaque sensores para ajustes em tempo real, controle automático de altura de braços e pulverização de alta precisão, apoiada por leitura a laser e soluções autônomas.

No campo energético, o diesel seguirá como combustível predominante nos próximos anos, representando 96% da matriz em tratores, 90% em pulverizadores e 86% em colheitadeiras. No entanto, os dados revelam que a transição energética no agro brasileiro já está em curso — ainda incipiente, mas carregada de potencial para redefinir a matriz de abastecimento no médio prazo. Ainda sobre a intenção dos produtores, o etanol desponta como alternativa, alcançando 19% nas colheitadeiras e 13% nos pulverizadores, enquanto o biometano começa a se consolidar, com 9% em tratores e pulverizadores e 11% nas colheitadeiras.

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