Sustentabilidade
MG testa dietas bovinas para reduzir emissão de metano
Experimentos da Epamig avaliam ainda sistemas integrados como estratégias para mitigar gases de efeito estufa na agropecuária
Redação Agro Estadão
30/05/2025 - 11:08

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) está conduzindo estudos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) na pecuária bovina, com foco na mitigação do metano entérico e no sequestro de carbono. As ações fazem parte do Plano Estadual de Ação Climática (Plac), que prevê a redução de 36% nas emissões de metano da pecuária até 2030, em relação à década anterior.
Uma das frentes da pesquisa, desenvolvida no Campo Experimental Getúlio Vargas, em Uberaba (MG), testa dietas bovinas manipuladas a partir do uso de leguminosas como o amendoim forrageiro (Arachis pintoi), rico em proteína e taninos. Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Pesquisa em Bovinocultura da Epamig, Edilane Silva, o objetivo é otimizar a digestibilidade dos alimentos no rúmen e, com isso, reduzir a liberação de metano.
“Buscamos atuar na fermentação entérica, processo digestivo natural dos ruminantes. O objetivo é aumentar a digestibilidade da dieta, reduzindo o tempo do alimento no rúmen, o que eleva a eficiência produtiva e diminui a liberação de metano”, explicou Edilane em nota.
Para auxiliar na quantificação dos resultados, os pesquisadores utilizam a técnica hexafluoreto de enxofre (SF6), que consiste em uma canga de PVC acoplada ao pescoço do animal, atuando na captação dos gases emitidos no período de 24 horas.
Os primeiros resultados indicaram até 30% de redução nas emissões de metano, um dos gases com maior potencial de aquecimento global. De acordo com a Epamig, o projeto, que contempla rebanhos de leite, será difundido entre os produtores rurais com apoio de instituições parceiras.
Sistemas integrados
Além do manejo alimentar, a Epamig também estuda os sistemas integrados de produção como alternativa sustentável. Em Patos de Minas, uma área com mais de 25 anos de cultivo de capim-marandu passou a adotar o modelo Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), com milho, forrageiras e árvores como Corymbia citriodora.
Em nota, o pesquisador e chefe da Epamig Oeste, Fernando Oliveira Franco, explicou que, com a técnica, foi possível “converter uma área de emissão líquida em uma área de sequestro de carbono, tornando o sistema produtivo mais resiliente”.
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