Pecuária
Bicheira-do-novo-mundo: entenda a ameaça e proteja seu rebanho
Casos em rebanhos nas Américas acendem o sinal de alerta para a bicheira-do-novo-mundo, doença causada por parasita erradicado no Brasil

Redação Agro Estadão*
29/08/2025 - 05:00

Um parasita carnívoro ressurgiu nas Américas e colocou as autoridades sanitárias do mundo em alerta. A bicheira-do-novo-mundo foi erradicada da América Central com alto custo na década de 1990, mas retornou a rebanhos de países da região em 2024, desencadeando o pior surto em décadas.
Esse ressurgimento trouxe sérias preocupações para a pecuária e para a saúde pública de todo continente. A recente confirmação de um caso em humano nos Estados Unidos acendeu um alerta para as autoridades sanitárias do país.
Esse parasita, que, em 2024, já causou prejuízos econômicos significativos em rebanhos da América do Norte e Central, representa uma ameaça grave tanto para a pecuária quanto para a saúde pública. Embora tenha sido erradicado no Brasil, a vigilância contínua permanece essencial para evitar a reintrodução dessa praga devastadora.
O que é a bicheira-do-novo-mundo?
A bicheira-do-novo-mundo ou simplesmente bicheira é causada pela mosca Cochliomyia hominivorax, também conhecida como mosca-varejeira. Esta espécie se destaca por seu ciclo de vida peculiar e altamente prejudicial.
As moscas adultas depositam seus ovos nas bordas de feridas abertas em animais de sangue quente. Em pouco tempo, as larvas eclodem e invadem o ferimento, alimentando-se vorazmente do tecido vivo do hospedeiro.
Diferentemente de outras miíases, as larvas da C. hominivorax se alimentam exclusivamente de tecido vivo, o que resulta em danos severos e potencialmente fatais.
Após um período de alimentação, as larvas caem no solo, onde se transformam em pupas e, posteriormente, em moscas adultas, reiniciando o ciclo de infestação.
A Cochliomyia hominivorax não discrimina entre suas vítimas. Ela afeta uma ampla gama de animais de sangue quente, incluindo bovinos, ovinos, caprinos, equinos, suínos, animais de estimação e até mesmo a vida selvagem. Em casos raros, pode afetar seres humanos.
A infestação ocorre quando a mosca é atraída por qualquer ferida aberta no animal. Isso pode acontecer após procedimentos como castração, parto, acidentes, marcação ou até mesmo picadas de carrapatos. Por isso, a prevenção de feridas é uma medida inicial crucial no controle desta praga.
Casos em humanos: um alerta para a saúde pública
Embora raros, os casos de infestação em humanos são possíveis e representam um sério risco à saúde pública. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) identificou um caso do parasita carnívoro em 4 de agosto em uma pessoa em Maryland que retornou aos EUA após viajar para El Salvador.
Os sintomas em humanos incluem feridas abertas ou lesões cutâneas dolorosas que não cicatrizam normalmente, com possível sangramento constante.
A confirmação da infestação deve ser realizada por um profissional de saúde e o tratamento envolve a remoção das larvas, que pode ser cirúrgica. A prevenção inclui o cuidado adequado de feridas e uso de repelentes, especialmente em áreas endêmicas.
Prejuízos econômicos e à sanidade animal causados pela bicheira-do-novo-mundo

O impacto da bicheira-do-novo-mundo na pecuária é devastador. As perdas diretas incluem a morte de animais não tratados, perda significativa de peso, redução na produção de leite e carne, além de danos irreversíveis à pele e ao couro.
Adicionalmente, os custos indiretos envolvem despesas com tratamento, incluindo medicamentos e mão de obra especializada, bem como o manejo de animais doentes.
A ocorrência de surtos pode levar a restrições comerciais, afetando a segurança alimentar e a economia local. Esses prejuízos comprometem seriamente a lucratividade das propriedades rurais e podem ter um impacto duradouro na indústria pecuária como um todo.
Prevenção e controle da bicheira-do-novo-mundo na propriedade

A prevenção é a chave para proteger seu rebanho contra a bicheira-do-novo-mundo. Adotar boas práticas de manejo é essencial.
Realize procedimentos como castração, descorna e marcação em épocas de menor atividade das moscas, sempre com rigorosa assepsia. Mantenha as instalações limpas e secas, reduzindo as fontes de atração para as moscas.
Inspecione regularmente os animais, especialmente após manejos ou em regiões com maior incidência de feridas.
Ao adquirir novos animais, estabeleça um período de quarentena e inspecione-os cuidadosamente antes de introduzi-los ao rebanho principal. Trate imediatamente qualquer ferida para evitar a atração da mosca.
O que é a Técnica do Inseto Estéril e qual a relação com a bicheira-do-novo-mundo?
A Técnica do Inseto Estéril (TIE) é uma estratégia comprovada no controle e erradicação da Cochliomyia hominivorax. Essa técnica consiste na criação em laboratório de grandes quantidades de moscas macho da espécie-alvo, as quais são esterilizadas, geralmente por exposição à radiação, sem perder a capacidade de acasalar.
Posteriormente, esses machos estéreis são liberados em ambientes onde a população natural da praga está estabelecida. Ao acasalarem com as fêmeas selvagens, esses machos impedem a produção de descendentes viáveis, pois as fêmeas se reproduzem uma única vez na vida, resultando em uma redução progressiva e eventual eliminação da população da praga.
Atualmente, o governo dos EUA, por exemplo, realiza grandes investimentos para manter e reforçar essa técnica, inclusive construindo novas instalações de criação e esterilização das moscas para proteger a pecuária nacional.
Sinais clínicos e identificação precoce da infestação
O reconhecimento rápido dos sinais de infestação é crucial para o controle efetivo. Fique atento aos seguintes indicadores:
- Feridas que não cicatrizam ou pioram, apresentando secreção purulenta e odor fétido;
- Agitação, irritação;
- Tentativas do animal de lamber ou morder a área afetada;
- Presença visível de larvas dentro da ferida, que se assemelham a “parafusos” ou vermes segmentados.
A ação rápida ao notar esses sinais pode fazer a diferença entre o tratamento bem-sucedido e perdas significativas.
Onde e como notificar casos suspeitos

A notificação imediata de casos suspeitos é uma responsabilidade legal e sanitária do produtor rural. Por ser uma doença de notificação compulsória, qualquer suspeita deve ser comunicada aos órgãos de defesa sanitária animal.
No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), através de suas unidades estaduais, é o responsável por receber essas notificações.
O papel do médico veterinário é fundamental nesse processo, tanto para o diagnóstico preciso quanto para a comunicação oficial. A notificação rápida e precisa é essencial para conter possíveis surtos e proteger a saúde do rebanho nacional.
A bicheira-do-novo-mundo representa uma ameaça significativa para a pecuária e a saúde pública. A vigilância constante, a adoção de boas práticas de manejo e a rápida notificação de casos suspeitos são essenciais para prevenir a reintrodução e a disseminação desta praga no Brasil.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão

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