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Inovação

“Snaplage”: inovação nutricional na pecuária de corte e leite

Silagem feita da espiga do milho é rica em carboidratos e promove um melhor aproveitamento energético dos bovinos, resultando em ganhos de produtividade

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Sabrina Nascimento

16/06/2024 - 08:00

Foto: Thiago Bernardes/UFLA
Foto: Thiago Bernardes/UFLA

A produção de silagem exclusivamente da espiga do milho tem ganhado destaque na nutrição animal, especialmente na bovinocultura de corte e de leite. A técnica conhecida como “snaplage” combina duas palavras em inglês snap (colher rapidamente) e silage (silagem). A prática resulta em uma ração altamente rica em energia e nutrientes.

Como a snaplage é composta somente por partes da planta de milho — 75% a 80% de grão, de 10% a 15% de sabugo e 5% a 10% de palha — o processamento é diferenciado. Para a colheita, é necessário utilizar um equipamento específico: uma colheitadeira equipada com uma plataforma de moagem. A espiga deve ser cortada em pedaços curtos e, em seguida, processada com um triturador de sabugo acoplado à máquina. 

CONTEÚDO PATROCINADO
Colheitadeira equipada com plataforma de moagem utilizada na técnica snaplage | Foto: Vence Tudo/Divulgação

A palha e o sabugo, utilizados na silagem, atuam como agentes de fermentação naturais. Além disso, a maior presença de grãos favorece a eficiência alimentar dos animais. 

Essa característica torna esse tipo de silagem uma excelente opção para a dieta de terminação — fase final do ciclo de produção pecuária —, onde a demanda por energia é elevada. “A snaplage possui uma alta concentração de energia, o que é essencial para a fase de terminação dos bovinos de corte, onde é crucial maximizar o ganho de peso e acumular gordura na carne”, explicou Thiago Bernardes, professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA), ao Agro Estadão. 

Além do mais, a técnica oferece uma composição nutricional diferenciada, favorecendo a eficiência alimentar dos animais. “Os carboidratos, particularmente o amido, são fundamentais para os ruminantes, representando cerca de 80% da ração animal. A snaplage, rica em carboidratos, promove um melhor aproveitamento energético pelos bovinos”, detalha Bernardes. 

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Embora destaque-se os benefícios do uso da silagem da espiga de milho na bovinocultura de corte, a técnica também pode ser utilizada na dieta de bovinos leiteiros. Segundo o especialista, o snaplage pode substituir parcial ou totalmente o milho seco moído, utilizado na alimentação de vacas em lactação. Como resultado, haverá uma produção de leite mais constante e de melhor qualidade.

“A substituição do milho seco pela snaplage na dieta das vacas em lactação proporciona uma fonte de energia altamente disponível, essencial para a produção de leite de alta qualidade”, explica o professor da UFLA à reportagem. 

Desafios 

Apesar dos benefícios nutricionais, a implementação da snaplage apresenta desafios, principalmente relacionados ao equipamento e ao momento da colheita. “É crucial ter o equipamento adequado e colher no momento certo, quando as espigas estão com cerca de 35% de umidade. Erros nesse processo podem comprometer a qualidade da silagem”, alerta Bernardes. 

Os preços de uma colheitadeira equipada com plataforma de moagem, pode variar, significativamente, podendo ser encontrados desde R$ 100 mil e podendo superar R$ 1 milhão a depender da região, marca e se é um equipamento novo ou usado.  

Outro desafio é garantir que a tecnologia seja utilizada de forma consistente e eficaz, o que requer investimento em treinamento adequado “e uma compreensão profunda dos princípios da nutrição animal.”

Além disso, a adaptação da técnica às condições locais e às necessidades específicas de cada fazenda é essencial para aumentar os benefícios e diminuir os riscos. Bernardes enfatiza a importância de uma análise técnica cuidadosa antes de adotar a snaplage: “cada tecnologia deve ser avaliada em relação ao seu sistema de produção específico. A snaplage é uma excelente alternativa, mas é crucial garantir que ela se encaixe nas necessidades e capacidades da fazenda”, disse o especialista ao Agro Estadão. 

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